«É uma intervenção importante nos negócios»

As palavras são de Joseph O’Connor, que aprofunda: «Coaching é uma relação de aprendizagem, onde o coach e o cliente trabalham juntos, de forma a assegurar que o cliente seja o melhor e que acredite que é capaz. É um desvendar do potencial do cliente».

É co-fundador da ICC- International Coaching Community, presidente da Lambent do Brasil, consultor internacional, coach executive com mais de 10 anos de experiência e master trainer em coaching e em PNL (Programa Neurolinguístico).

Conhece esta área como poucos e garante que o impacto do coaching devia ser mensurado como qualquer outro. Para Joseph O’Connor: «os indivíduos tornam-se mais criativos, as equipas mais eficientes, menos conflituosas, e isto traz benefícios ao negócio. Os gestores vão sentir necessidade e vão querer aprender competências de coaching para serem melhores, e os líderes vão necessitar destas competências para alcançarem o melhor deles próprios como das suas pessoas.»

HR: Antes de mais, o que é o coaching?

Joseph O’Connor: Essa é uma questão com rasteira… Qualquer definição será inadequada e uma definição completa levaria a entrevista inteira! Coaching é simplesmente uma relação de aprendizagem, onde o coach e o cliente trabalham juntos, de forma a assegurar que o cliente seja o melhor e que acredite que é capaz. É um desvendar do potencial do cliente.

HR: Como se tornou master coach?

Joseph O’Connor: Foi o resultado de um “returning to the basics”, à simplicidade. Quanto mais aprendemos, mais queremos voltar às raízes. Um master coach também inspira, em vez de só motivar, porque a inspiração é implementada “dentro” do cliente (a etimologia da palavra inspiração é respiração), já a motivação vem de fora. Acredito que um master coach é excelente em 3 pontos. Primeiro têm uma competência excepcional em coaching. Segundo, têm uma presença profunda, o que são é mais importante do que o que fazem. E em terceiro, são bem sucedidos no mercado, têm muita prática porque sabem como fazer o negócio do coaching. Ainda sou um aprendiz e o que consegui alcançar foi através de muita prática e estudo e ensinamentos dos clientes.

HR: O seu expertise ajuda executivos de topo a terem Visão, Missão e Valores. Quais as suas metodologias?

Joseph O’Connor: Visão, missão e valores são ilusoriamente simples. São importantes para formular, mas ainda mais importante é a ligação que se estabelece com o cliente. Em muitos negócios estas ideias são encantadoras, mas nada é feito sobre isso. A minha metodologia é simples porque, na essência, faço um par de questões: “Onde estás agora?” O que nos dá a situação actual, a visão. “Onde queres estar?” Dá-nos a missão. “O que é importante para ti sobre isto?” Dá-nos os valores. Quando a missão e os valores são combinados, o resultado é a visão. E a última questão: “Quais os obstáculos?” e “Qual o caminho que vai tomar para ultrapassar estes mesmos obstáculos?” Isto leva-nos à acção, sem a qual tudo o resto não passa da teoria.

HR: É um especialista em coaching de liderança, de forma a que os executivos tenahm um conhecimento sistémico do negócio. Como é que o coaching se tornou nesta ferramenta poderosa para atingir os objectivos da liderança e do negócio?

Joseph O’Connor: Especializei-me em desenvolver a liderança nos executivos. Um pensamento sistémico é parte desta forma de liderar. Pensamento sistémico significa ter uma visão a longo prazo, conseguir ver os possíveis efeitos da minha acção, ter consciência deles, as nossas acções reverberam pelos negócios e claro afectam-nos. Cada acção que tomamos leva-nos numa direcção particular, mesmo que não se esteja atento a isso. Pensamento sistémico também significa seguir novas e diferentes perspectivas, todas estas competências são usadas no coaching, dado por um bom coach.

HR: Quais são as principais tendências nesta área?

Joseph O’Connor: Depende do País. Os EUA, Reino Unido e Escandinávia são mercados maduros. Enquanto que na China e na Índia, o coaching acabou de entrar. Acho que apesar de tudo, o coaching vai tornar-se mais profissional e mais orientado para o negócio. O treino e a certificação vão começar por ser mais importantes para as pessoas que desejam entrar na profissão. E há-de haver uma maior ênfase na medição dos impactos do coaching no trabalho. E o coaching será visto como uma importante intervenção para ajudar o negócio. Também, acredito que os gestores vão sentir necessidade e vão querer aprender competências de coaching para serem melhores gestores, e os líderes vão necessitar dessas competências para alcançarem o melhor deles próprios como das suas pessoas.

HR: Qual o impacto do coaching na organização e no desenvolvimento profissional?

Joseph O’Connor: O impacto pode ser muito forte, e um impacto deve ser medido. Actualmente o impacto do coaching não é bem medido nem avaliado, o que é uma pena. Coaching é uma intervenção importante nos negócios e o seu impacto devia ser mensurado como qualquer outro, e numa variedade de formas. Como exemplo, do tipo de impacto, tenho trabalhado nos últimos 18 meses com uma Banco internacional, dando-lhes formação em coaching aos gestores e executivos. No final o resultado foi medido e descobriram um retorno do investimento entre os 1,700% a 4,700%, bem como factores intangíveis como o lançamento de produtos mais inovadores, um maior foco no valor, maior sentimento de pertença e entrega aos projectos, melhor trabalho de equipa e mais comunicação. Estes resultados foram permanentes.

HR: Já deu algumas indicações. Mas quais os benefícios do coaching?

Joseph O’Connor: Os indivíduos tornam-se mais criativos, as equipas beneficiam em serem mais eficientes e menos conflituosa, isto traz benefícios ao negócio, aumentando o retorno do investimento.

HR: Quais são os principais desafios no campo do coaching?

Joseph O’Connor: Existem muitos equívocos sobre o coaching, muitas pessoas intitulam-se de coaches para vingar nesta área. Coaching é confundido com consultoria, aconselhamento e terapia. Há pessoas que se fazem passar por coaches de negócios mas na realidade não entendem nada de coaching. Consequentemente, muitas das pessoas de negócios estão confusas sobre o coaching e o seu papel, têm ouvido muitas histórias…Coaching é uma metodologia clara e precisa, e o grande desafio é torná-la mundialmente conhecida.

HR: É, ainda, autor de 19 livros, publicados em 29 línguas, incluindo “Introdução ao PNL”, utilizado como o Livro dos cursos de PNL no mundo todo. De momento está a trabalhar em algum livro?

Joseph O’Connor: Eu e a minha mulher e companheira Andrea Lages estamos a trabalhar num livro sobre a liderança no sector bancário. Todos sabemos da crise financeira, actualmente necessitamos de um novo tipo de liderança, que garanta que isso não voltará a acontecer.

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