
10 fraquezas (sim, fraquezas) que os líderes querem ouvir nas entrevistas de emprego
As entrevistas de emprego podem ser stressantes, não importa o quão preparado esteja. Quer mostrar a versão mais profissional de si mesmo, mas pode ser difícil saber se está a causar a impressão certa. A maioria das entrevistas segue um modelo semelhante, com perguntas sobre o percurso, por que quer a vaga, e muito provavelmente uma sobre os seus pontos fracos, reporta a YourTango.
Responder à pergunta honestamente revela que tem autoconsciência e reconhece que pode sempre melhorar. No entanto, é importante expor as suas fraquezas de uma forma que mostre que está disposto a esforçar-se para crescer.
- Dificuldade em pedir ajuda
Pode parecer contra-intuitivo, mas ter dificuldade em pedir ajuda é uma fraqueza que as chefias querem ouvir nas entrevistas de emprego. Procurar apoio extra é desafiante, especialmente para algumas pessoas. Embora ter confiança nas suas próprias capacidades seja um bom sinal de que será um colaborador proactivo e produtivo, ser excessivamente auto-suficiente pode criar problemas.
Fazer parte de uma equipa exige colaboração. Inevitavelmente, surgirão problemas que não saberá como resolver sozinho, e é melhor admitir o que não sabe do que tropeçar numa solução imperfeita. Pode hesitar em pedir ajuda porque teme que isso o faça parecer ineficiente ou mau no seu trabalho, mas, na realidade, pedir ajuda é uma força.
De acordo com um artigo da revista Management Science, as pessoas que procuram ajuda activamente são vistas como mais competentes do que aquelas que não o fazem, especialmente quando se trata de uma tarefa difícil.
Quando partilhar que tem dificuldade em pedir ajuda, saliente que está a tentar melhorar essa fraqueza específica. Enfatize que se sente confortável em sentir-se desconfortável se isso significar sair da sua zona de conforto e colaborar de forma mais eficaz.
- Empenho em excesso
Ser um colaborador ambicioso significa, muitas vezes, que assume mais responsabilidades do que aquelas que consegue lidar realisticamente. Embora levantar a mão em reuniões e assumir projectos-extra seja uma demonstração de iniciativa, assumir mais responsabilidades do que aquelas que pode fazer acabará por lhe causar mais mal do que bem. Comprometer-se demasiado pode levar a uma sensação de sobrecarga extrema, o que é um caminho para o burnout extremo.
A psicóloga clínica Erica Wollerman explicou que estar com burnout significa mais do que apenas sentir-se cansado ou stressado. A irritabilidade, a ansiedade e a dificuldade em estar presente para as pessoas de quem gosta são sinais de burnout. Wollerman partilhou que o antídoto para o burnout é cuidar das suas necessidades emocionais e físicas de forma saudável, o que «requer uma análise profunda e uma reflexão sobre de si mesmo e das suas estratégias habituais de coping».
Ao partilhar que o excesso de empenho é uma fraqueza profissional, descreva as suas técnicas para gerir o seu tempo e, ao mesmo tempo, corresponder às expectativas do trabalho.
- Perfeccionismo
Embora prestar muita atenção aos detalhes e querer atingir o máximo das suas capacidades indique que está dedicado ao trabalho, procurar a perfeição nem sempre é a melhor estratégia. Depender muito da ideia de que o seu trabalho precisa de ser perfeito pode criar obstáculos no fluxo de trabalho, especialmente em projectos de equipa. Além disso, ser perfeccionista pode prejudicar a sua auto-estima.
A coach Ellen Nyland definiu o perfeccionismo como «a procura incessante pela perfeição e o estabelecimento de padrões inatingivelmente elevados, muitas vezes acompanhados de autocrítica e medo do fracasso… e uma sensação constante de nunca se sentir suficientemente bom».
E observou que ser perfeccionista pode diminuir a sua auto-estima, pois «está essencialmente a roubar a si mesmo a alegria e a satisfação que acompanham o reconhecimento das suas conquistas, levando a um ciclo de nunca se sentir ‘bom o suficiente’».
Se a sua fraqueza profissional é ser perfeccionista, as chefias querem saber se consegue entregar projectos com resultados de alta qualidade, o que geralmente significa livrar-se de padrões impossivelmente elevados e fazer o melhor que pode.
- Ansiedade em situações de stress
Sentir-se ansioso em situações de elevado stress é uma fraqueza que as chefias querem ouvir nas entrevistas de emprego. A ansiedade pode tomar conta das pessoas, por mais preparadas e realizadas que estejam. Como explicou o coach Alex Mathers, ter ansiedade é uma parte normal da experiência humana.
«Vamos sempre sentir algum grau de ansiedade, especialmente perante a incerteza e algo assustador», revelou e partilhou uma dica para as pessoas olharem de outra forma para a sua ansiedade, referindo que «podemos ver a ansiedade como uma indicação do que vale a pena fazer em muitos casos».
Mathers reconheceu que a ansiedade surge frequentemente quando não se tem experiência com uma determinada tarefa ou situação, o que é uma ocorrência comum quando se inicia um novo emprego. Enfrentar as suas ansiedades e responder à voz negativa na sua cabeça é uma parte essencial para dividir a sua ansiedade em partes controláveis.
«A ansiedade estará sempre presente, mas quanto mais praticar algo que antes o assustava, menos medo sentirá», concluiu Mather.
- Sentir a síndrome do impostor
A dúvida está na génese da síndrome do impostor, que ocorre quando as pessoas descartam as suas conquistas como fruto da sorte e não das suas próprias capacidades. Estudos sugerem que cerca de 70% dos adultos sofrem da síndrome do impostor em algum momento da vida, e 25-30% dos grandes empreendedores também sofrem deste fenómeno.
A coach Michele Moliter explicou que as pessoas com síndrome do impostor acreditam que o seu sucesso é «o resultado de enganar os outros, fazendo-os pensar que são mais inteligentes do que eles realmente se consideram».
Ter a síndrome do impostor é muito comum, especialmente entre as pessoas de alto desempenho. Falar abertamente sobre isso pode ajudar a normalizar o tema, e por isso as chefias querem ouvir falar dela nas entrevistas de emprego. Depois de mencionar esta fraqueza, deve descrever como está a combater a sua voz interna negativa.
Moliter recomendou pedir «uma perspectiva externa e objectiva, para que possa processar as suas emoções, reconhecer as suas próprias conquistas e obter a clareza necessária para vencer os seus medos».
- Ter dificuldade em adaptar-se às mudanças
A dificuldade de adaptação rápida às mudanças é uma fraqueza que os chefes querem ouvir nas entrevistas de emprego. Trabalhar num ambiente de ritmo acelerado exige um nível de flexibilidade que pode ser difícil para algumas pessoas.
De acordo com um artigo de investigação publicado no Project Leadership and Society, a adaptabilidade pode ser definida como «a prontidão para lidar com as tarefas previsíveis de preparação e participação na função e os ajustes imprevisíveis provocados por mudanças no trabalho e nas condições de trabalho».
Ser adaptável exige que os trabalhadores lidem com situações ambíguas e incertas, ajustando os seus planos e objectivos conforme necessário. Embora delinear um plano possa ser essencial, ser capaz de adaptar esse plano num sentido diferente também é essencial.
A adaptabilidade vai além da resolução criativa de problemas. Estende-se às relações interpessoais entre trabalhadores. Um colaborador deve ser capaz de demonstrar que consegue manter a mente aberta quando lida com os seus colegas e que consegue realmente ouvir outras opiniões e ajustar o que pensa quando necessário.
Deixar claro que está focado em melhorar este conjunto de competências indica que está dedicado a crescer como colaborador e como pessoa.
- Problemas de gestão do tempo
A gestão do tempo pode ser desafiante até para as pessoas mais produtivas. Embora ter problemas com a gestão do tempo seja muitas vezes visto como uma fraqueza, é o tipo de fraqueza que um chefe quer ouvir numa entrevista de emprego. Reconhecer que pode melhorar nesta área mostra que está a pensar em como se melhorar e que está dedicado a ajudar a equipa a funcionar sem problemas.
De acordo com os dados reportados pelo Career Launchpad Zippia, mais de metade do dia de trabalho médio em 2023 foi gasto em tarefas de baixo ou nenhum valor. A cultura do local de trabalho pode afectar a forma como as pessoas passam o seu tempo. Um ambiente de trabalho desorganizado pode fazer com que os colaboradores dediquem grande parte do dia a reuniões desnecessárias, prejudicando a sua capacidade de concentração nos projectos.
Há muitas formas de melhorar as suas competências de gestão do tempo, por isso concentre-se em descobrir o que funciona melhor para si. Saber quais as tarefas mais importantes é essencial para uma gestão adequada do tempo, permitindo-lhe concentrar-se no trabalho que o ajudará a atingir os seus objectivos. Delegar tarefas e pedir ajuda também são importantes e trabalhar em equipa pode acelerar o processo de conclusão de um projecto.
- Dificuldade em aceitar feedback
Não saber como aceitar feedback no trabalho é uma fraqueza que deve ser explicada nas entrevistas de emprego. Embora ser excessivamente confiante e gabar-se das suas conquistas não seja positivo, ser capaz de ouvir elogios e processar críticas é essencial para ter sucesso numa equipa.
De acordo com um artigo da Harvard Business Review, processar feedback exige que o trabalhador ouça sem ficar na defensiva e escute o que está a ser dito com uma atitude neutra. Não precisa de incorporar todas as alterações sugeridas de uma só vez; em vez disso, pode fazê-lo aos poucos.
Reformular a sua perspectiva sobre como obter feedback é uma parte importante do trabalho com outras pessoas. Em vez de se concentrar nas suas falhas, pense em receber feedback como um gentil lembrete de que há sempre espaço para crescer e melhorar.
- Dificuldade em equilibrar vida pessoal e profissional
O equilíbrio entre a vida pessoal e profissional é um dos principais temas de discussão na maioria dos locais de trabalho, mas alcançar este equilíbrio pode ser difícil, especialmente para os colaboradores de alto desempenho. Embora ser um trabalhador dedicado seja definitivamente um ponto forte, forçar-se para além dos seus limites pode ser prejudicial para a sua saúde mental e para a produtividade geral no trabalho.
Se lhe for difícil estabelecer um equilíbrio sólido entre a vida pessoal e profissional, informe o seu potencial chefe na entrevista. Não deixe de explicar as suas técnicas para evitar o burnout prolongado. É importante conseguir desligar o cérebro depois de sair do trabalho, pois descansar é essencial para repor energias.
Ao partilhar as formas como pretende estabelecer limites claros em relação ao trabalho, demonstra que está a esforçar-se para alcançar a melhor versão de si mesmo.
- Ser demasiado autocrítico
A autocrítica pode diminuir a sua auto-estima e a capacidade de realizar o trabalho. Ignorar o ciclo de feedback negativo na sua cabeça pode não ser fácil, mas é uma parte crucial para manter a moral elevada.
A terapeuta Paula Kirsch partilhou dicas para superar a autocrítica, reformulando a forma como pensa sobre si próprio. Sugeriu prestar atenção à forma como fala consigo mesmo e praticar a gratidão pelas suas características positivas para mudar a forma como pensa sobre si. «O fracasso é um retrato de uma competência que ainda está a evoluir», concluiu.
Cometer erros faz parte do ser humano, especialmente quando se está a começar um novo emprego. Ter autocompaixão é mais importante do que a perfeição, e é isso que um chefe procura num membro valioso para a sua equipa.