2025: Encontro com a serendipidade

Human Resources
14 de Fevereiro 2025 | 14:00
2025: Encontro com a serendipidade

Com mais um ano a bater à porta, a incerteza parece instalar-se. E quando o desconhecido aparece, mais vale convidá-lo a entrar e tentar perceber quais são as suas intenções. Que 2025 seja uma feliz mistura de acaso, sorte e criatividade. Será um encontro com a serendipidade?

 

Por Rita Oliveira Pelica, Chief Energy Officer da ONYOU & Portugal Catalyst – The League of Intrapreneurs

 

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Mesmo num mundo marcadamente a tender para o caótico, será que se consegue encontrar beleza na incerteza? Com esta questão em mente, entro em 2025, inspirada pelo maestro (entre outras coisas) Martim Sousa Tavares e os seus “Encontros com a Beleza”.

É certo que o início de um novo ano traz consigo muitas promessas, receios e expectativas, mas trata-se efectivamente de explorar um território incerto, não mapeado ainda. E se deixarmos a “incerteza fluir”?

Nos últimos anos, estive particularmente atenta ao fenómeno da serendipidade. Há quem lhe chame uma feliz coincidência. O que sei é que, sem procurar, descobri coisas e pessoas que fizeram todo o sentido aparecer no timing em que apareceram. Parecem acontecimentos fortuitos que acabam por contribuir, inesperada e positivamente, para a vida real. Até para resolver os problemas do dia-a-dia.

No seu livro “The Serendipity Mindset”, Christian Busch desafia a ideia de que a serendipidade é apenas sorte ou acaso. Busch mostra que se trata, na verdade, de saber identificar conexões que outros não percebem, de combinar ideias de forma criativa e estratégica, e de estar atento aos momentos em que situações aparentemente desconexas podem transformar-se em grandes oportunidades.

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Momento “aha”: Busch aborda este tema com base científica, mas de forma prática, explicando como podemos criar ambientes e culturas organizacionais que promovam a serendipidade, ajudando as pessoas e as equipas a descobrirem novas possibilidades de crescimento e de inovação.

As organizações necessitam de ter mecanismos de controlo e de eficiência, mas também precisam de cultivar a curiosidade e a criatividade. Como? Indo além do óbvio, porque estamos em 2025, desenvolvendo um conjunto de práticas que podem passar por identificar “ganchos de serendipidade”, manter um optimismo activo e desenvolver redes fracas – criando as condições que favorecem as descobertas inesperadas e a chamada “inovação acidental”.

Os “ganchos de serendipidade” surgem quando, em conversas ou interacções, se mencionam interesses ou desafios que podem despertar conexões improváveis, abrindo espaço para contribuições inesperadas. Este processo é potencializado por uma atitude de optimismo activo, que incentiva as pessoas a acreditarem que podem transformar desafios em oportunidades, promovendo uma mentalidade de crescimento. Além disso, ao cultivarmos redes fracas – conexões fora do círculo habitual –, aumentamos a diversidade de ideias e perspectivas, essenciais para identificar oportunidades que, de outra forma, poderiam passar despercebidas. Juntas, estas práticas formam uma abordagem proactiva e estratégica para fomentar a serendipidade em contextos profissionais.

Também a ideia de falar com “estranhos” (“Talking to Strangers”) de Malcolm Gladwell está relacionada com as ideias de serendipidade, redes fracas e conexões inesperadas. Gladwell explora como é que as interacções com pessoas fora do nosso círculo habitual podem levar a descobertas e insights significativos, agindo como “ganchos de serendipidade”.

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É da beleza do inesperado, do imprevisível e do incerto que podem surgir pontos de partida para algo mais. O acaso e a “boa sorte” realmente dão trabalho e podem ser estratégicos e pensados. Ou haverá apenas coincidências?

 

Este artigo foi publicado na edição de Janeiro (nº. 169) da Human Resources, nas bancas.

Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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