24% dos portugueses tem qualificações a mais para a actividade profissional que desempenham

Human Resources
18 de Outubro 2021 | 12:05
24% dos portugueses tem qualificações a mais para a actividade profissional que desempenham

Em 2016, cerca de um quarto dos trabalhadores portugueses (23,6%) tinham qualificações mais elevadas do que as necessárias para o trabalho que efectivamente desempenhavam, percentagem apenas superada pela Grécia (23,7%), enquanto a Finlândia (7,8%) e a República Checa (8,7%) apresentavam os níveis mais reduzidos de sobrequalificação, segundo um estudo do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, divulgado pelo jornal Público.

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«Portugal tinha um atraso significativo do ponto de vista das qualificações e tivemos uma evolução extraordinária. Passámos, no ano 2000, de uma situação em que 12,8% das pessoas entre os 25 e os 34 anos tinham o ensino superior para, em 2020, termos 39,6%. Isto é uma pré-condição para termos uma economia mais competitiva e mais inovadora, mas, por si só, não foi suficiente para haver uma mudança do padrão de especialização da economia portuguesa», explica Paulo Marques, coordenador do Observatório do Emprego Jovem (OEJ) e um dos autores do estudo.

O estudo identifica dois factores que têm limitado a criação de emprego qualificado em Portugal. Por um lado, o peso da indústria e dos serviços de alta tecnologia na economia é reduzido e dos mais baixos da União Europeia e, por outro lado, as políticas de austeridade limitaram muito as contratações que, tradicionalmente, tinha alguma capacidade de absorção de trabalhadores qualificados.

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«A nossa recuperação assentou, sobretudo, em sectores como a hotelaria ou a restauração, muito ligados ao turismo e ao sector imobiliário que não são tradicionalmente os que absorvem mais população qualificada. Se juntarmos a isso o facto de o sector público durante os anos de austeridade, e mesmo no período da recuperação, também não ter absorvido trabalhadores qualificados, verificamos que houve uma falta de complementaridade que gera este problema de sobrequalificação», nota Paulo Marques.

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