60% dos jovens visam liderança, mas poucos a priorizam. Há um factor que faz a diferença

Apesar de 63% da Geração Z e 61% dos Millennials em Portugal afirmarem estar interessados em assumir cargos de liderança em algum momento das suas carreiras, apenas 6% da Geração Z e 4% dos Millennials dizem que esse é o seu principal objectivo profissional. Esta é uma das conclusões do estudo “Gen Z and Millennial Survey 2026” da Deloitte. Conheça as restantes.

Margarida Lopes
31 de Agosto 2026 | 14:00
60% dos jovens visam liderança, mas poucos a priorizam. Há um factor que faz a diferença

O estudo que revela uma mudança significativa na forma como os jovens portugueses encaram o sucesso profissional e as posições de liderança, revela que entre os jovens portugueses que afirmam não estar interessados em cargos de liderança, um salário mais elevado surge como o principal factor que os faria reconsiderar essa posição (49% da Geração Z e 49% dos Millennials). Seguem-se a disponibilização de formação em liderança (31% da Geração Z e 32% dos Millennials) e modelos de trabalho flexível (30% da Geração Z e 31% dos Millennials). Os resultados sugerem uma redefinição das expectativas associadas à liderança, numa altura em que os jovens privilegiam cada vez mais condições de trabalho sustentáveis e equilibradas.

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O estudo, que já vai na sua 15.ª edição, contou com a participação de 22.595 inquiridos em 44 países, incluindo 406 participantes em Portugal – 203 Millennials e 203 representantes da Geração Z –, e conclui que estas gerações procuram progredir nos seus próprios termos, dando prioridade à estabilidade, às competências e ao bem-estar em detrimento de um crescimento acelerado.

Em Portugal, as principais prioridades profissionais destas gerações passam por manter um bom equilíbrio entre a vida pessoal e profissional (28% da Geração Z e 32% dos Millennials), alcançar independência financeira (23% da Geração Z e 30% dos Millennials) e garantir estabilidade e segurança no trabalho (14% da Geração Z e 13% dos Millennials).

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Esta mudança de perspectiva reflecte-se também na forma como estas gerações encaram a evolução profissional. A maioria dos jovens portugueses prefere um progresso estável e sustentado (55% da Geração Z e 52% dos Millennials) em vez de um crescimento rápido em posição ou salário (16% da Geração Z e 18% dos Millennials), valores significativamente abaixo da média global.

Apesar disso, uma parte significativa já assume responsabilidades de gestão: 31% da Geração Z e 39% dos Millennials em Portugal gerem ou supervisionam equipas ou ocupam funções executivas (embora em menor grau que a nível global – 45% dos nativos da Geração Z e 61% dos Millennials ocupam estas funções no conjunto dos países analisados).

A independência financeira assume-se como uma das principais preocupações destas gerações. Em Portugal, o custo de vida é a principal preocupação apontada tanto pela Geração Z (51%) como pelos Millennials (50%), seguido de temas como a saúde mental da sua geração (20%), no caso da Geração Z, e a instabilidade política e os conflitos internacionais (29%), entre os Millennials. As dificuldades financeiras têm impacto directo nos projectos de vida destas gerações: 57% dos jovens da Geração Z e 65% dos Millennials afirmam ter adiado decisões importantes, como constituir família, prosseguir estudos ou mudar de carreira, devido à sua situação financeira.

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A habitação surge como um dos factores que mais condiciona as suas perspectivas de futuro e decisões profissionais. Em Portugal, 81% da Geração Z e 78% dos Millennials afirmam que a acessibilidade da habitação influencia as suas decisões de carreira, valores significativamente superiores à média global (69% e 64%, respectivamente). Além disso, 57% da Geração Z e 41% dos Millennials consideram que não conseguem suportar a compra de uma casa. Entre os Millennials portugueses, 46% afirmam ter dificuldade em suportar todas as despesas mensais, acima da média global (34%).

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