70% das mulheres que trabalham em TI afirmam que as suas competências se sobrepuseram ao género na procura de emprego

Margarida Lopes
24 de Março 2021 | 15:03
70% das mulheres que trabalham em TI afirmam que as suas competências se sobrepuseram ao género na procura de emprego

Nos últimos dois anos, mais de metade das mulheres (56%) a trabalhar na área tecnológica assistiram à evolução da igualdade de género dentro da sua organização. E 70% chegam mesmo a afirmar que as suas competências e experiência foram colocadas à frente do seu género, ao longo do processo de candidatura ao primeiro emprego nesta área. Mas, segundo um estudo realizado pela Kaspersky, ainda há muito a melhorar.

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Segundo o estudo da Kaspersky, um indício positivo de que o progresso está a acontecer é o facto de mais de dois terços das mulheres (69%) se sentirem confiantes de que as suas opiniões são respeitadas desde o primeiro dia de trabalho na área tecnológica. O aumento do teletrabalho no último ano também surtiu um efeito positivo neste âmbito, com 46% das mulheres a concordar que a igualdade de género melhora entre equipas que trabalham remotamente.

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Embora se tenha registado uma melhoria global ao nível da percepção da representação de género, cerca de um terço (38%) das mulheres afirma que a falta de profissionais femininas na indústria tecnológica as faz recear entrar no sector.

Esta ideia é suportada pela opinião que partilham 44% das mulheres sobre o facto de os homens progredirem mais rapidamente do que elas dentro da indústria tecnológica.

O mesmo estudo revela que um número semelhante (41%) concorda que uma representação de género mais igualitária conduziria a uma maior igualdade na progressão na carreira.

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Uma análise online global, que ajuda a suportar as descobertas do estudo, demonstra também com que rapidez está a acontecer este progresso nas diferentes regiões do mundo. Desde a Europa, onde o equilíbrio de género parece ter piorado nos últimos dois anos; à América do Norte, onde a passagem para o regime de teletrabalho parece ter acelerado o equilíbrio; à América Latina, onde a educação está a conduzir ao empoderamento das mulheres mais jovens na área tecnológica; e, por último, na região da Ásia-Pacífico, onde a intimidação feminina está agora a ser superada por histórias de sucesso.

De acordo com a Kaspersky, para assegurar que as experiências positivas de carreira das mulheres estão a refletir-se por todo o mundo, devem ser implementadas mais medidas-chave e iniciativas que suportem a carreira das mulheres na área tecnológica, incluindo também a oferta de programas ou estágios que proporcionem acesso a oportunidades e experiência. Mas, de forma a reforçar a crença de que a indústria tecnológica tem lugar para as mulheres trabalharem e serem bem-sucedidas, este caminho precisa de começar a ser trilhado muito mais cedo.

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«O problema dos estereótipos associados ao género de ser considerado muito antes das mulheres começarem a trabalhar. Deve começar quando ainda estão na escola, de forma a que seja possível cativá-las e encorajá-las a enveredar pela área de IT ou outras áreas tecnológicas. O nosso trabalho na Kaspersky com crianças em escolas, nos mais variados países pelo mundo fora, ambiciona gerar este interesse logo numa fase inicial e proporcionar-lhes insights sobre o que uma carreira em tecnologia pode ser», comenta Noushin Shabab, Investigadora sénior de Segurança da GReAT da Kaspersky.

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«Nos últimos anos, tem havido cada vez mais chamadas de atenção para melhorar a representação das mulheres em tecnologia e IT. Enquanto as quotas representam uma forma relativamente rápida para dar resposta a este problema, a indústria tecnológica tem provado ser institucionalmente misógina, pelo facto de até as quotas serem insuficientes para acabar com o desequilíbrio de género ou ajudar a progressão das mulheres em funções seniores na área de IT», refere Ronda Zelezny, CoFundadora e directora da Panoply Digital, e membro da Ada’s List.

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