Sete em cada 10 profissionais de vendas portugueses desejam criar um negócio próprio. A conclusão é do estudo sobre o mercado de vendas da Pipedrive, que incluiu profissionais do sector das vendas de origem inglesa, alemã, portuguesa e espanhola.
Os resultados do estudo transparecem uma perspectiva mais positiva, uma vez que a pandemia foi encarada como uma oportunidade para os profissionais demonstrarem o seu potencial. Os mesmos reflectem-se no aumento do seu sucesso (39%) e satisfação (49%) no trabalho, bem como na crença positiva de que as vendas poderão contribuir largamente para a recuperação da economia em 2021.
Os dados do estudo mostram que quase dois terços (63%) dos inquiridos trabalham mais de 40 horas semanais e 35% referem trabalhar regularmente aos fins de semana. Os profissionais espanhóis lideram a tabela (36%), sendo seguidos pelos portugueses (20%), com a grande diferença de que os últimos afirmam ser compensados pelas horas extra (24%), em contraste com os 8% de Espanha.
Apesar deste cenário, os participantes portugueses e espanhóis são não só os mais orgulhosos da sua profissão, como também os mais ambiciosos no que toca a cargos de gestão e empreendedorismo. Os profissionais de origem espanhola são os que mais aspiram a um cargo de gestão de vendas (69%), seguidos por 63% dos entrevistados portugueses. Já no que diz respeito a ter o seu próprio negócio, ambas nacionalidades partilham a ambição (75%), face às percentagens mais baixas dos participantes ingleses (59%) e alemães (36%).
De um modo geral, após a turbulência inicial gerada pela pandemia global, 2020 revelou-se um ano de oportunidades para os profissionais de vendas. 81% dos inquiridos afirmaram que esperam um aumento nas suas vendas em 2021, acreditando igualmente que o sector será um catalisador para a economia. Praticamente a totalidade (92%) admitiu sentir que o seu papel terá um impacto positivo na economia do presente ano, e mais de três quartos acredita que as vendas serão importantes (24%) ou muito importantes (54%) para a recuperação da economia.
De acordo com o relatório sobre o Mercado de Vendas 2020-2021 da Pipedrive, os profissionais portugueses são, face à média, menos propensos (13%) a terem desenvolvido a suas capacidades no trabalho, com a maioria (mais 11% que a média) a referir ter adquirido as mesmas principalmente via treino e formações.
Tendo em conta que os portugueses estão entre os profissionais mais orgulhosos e ambiciosos, o treino mais informal poderá não ser suficiente para os seus padrões e objectivos próprios. Além de adotarem uma abordagem multidimensional face ao seu desenvolvimento de capacidades, os participantes portugueses estão 8% mais predispostos do que a média a melhorar regularmente as suas soft skills, com 96% a afirmá-lo.
Ainda assim, o relatório indica que os profissionais de venda compreendem a importância das soft skills na sua profissão, com 88% a admitir trabalhar de forma regular nas mesmas. Os participantes que o referiram são 11% mais propensos a atingir sempre ou quase sempre a sua quota de venda, face aos que não trabalham nas suas soft skills.
O estudo mostra também que seis em cada 10 (60%) profissionais de vendas afirmaram que o seu local de trabalho habitual mudou durante o último ano, indicando a sua casa como o sítio onde passam a maior parte do tempo (41%). Curiosamente, os participantes portugueses foram os mais afectados no que toca à mudança do seu local de trabalho habitual (64%), e estão entre os que menos trabalham a partir de casa (30%). Ao que tudo indica, os portugueses ainda vão para o escritório, mas em vez de trabalharem num open-space, trabalham agora num espaço individual.














