92% dos doutorados nesta área não têm contrato

O segundo Concurso de Estímulo ao Emprego Científico (CEEC) fechou com uma taxa de aprovação de apenas 8,2%. Dos 3631 candidatos, foram integrados 300. Ou seja, há mais candidatos do que lugares disponíveis. 

 

Os números do CEEC – Individual 2018, da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FTC), cujas colocações foram anunciadas no final de Novembro, levaram os investigadores doutorados a lançar o «Movimento 8%», uma iniciativa para denunciar a precariedade do emprego científico em Portugal, avança o “Expresso”. Questionam-se onde está o «pleno emprego dos doutorados», como disse o ministro da Ciência, Manuel Heitor, ainda na anterior legislatura.

O objectivo é «chamar a atenção da sociedade e do Governo para um problema crónico de desinvestimento na ciência», explica um dos mentores do movimento, João Oliveira. O investigador defende que «se a ciência nacional não for alimentada morre» e acrescenta que o «o número de candidaturas mostra que os vários mecanismos disponíveis não estão a funcionar. Se estas pessoas estivessem integradas não se candidatavam».

O rácio de colocações não é referido de forma clara pela FCT, mas uma vez considerados os 3631 investigadores doutorados que se candidataram ao CEEC 2018, 92% ficaram sem colocação, segundo contas do semanário.

Fora do concurso terão ficado «investigadores de renome internacional, responsáveis por equipas produtivas e competitivas no panorama mundial, com projectos do Conselho Europeu para a Investigação, vencedores de prémios nacionais e internacionais de elevado prestígio» e que estão agora «em situação iminente de desemprego».

Por sua vez, a presidente da FCT, Helena Pereira, alega que «não está a ser feita uma leitura correta dos resultados», explicando que «há um limitar de mérito abaixo do qual as candidaturas apresentadas não são elegíveis para financiamento». «48,5% das candidaturas não atingiram esse limiar mínimo que as torna elegíveis para financiamento», argumenta. Contas feitas, «foram colocados 17,1% dos investigadores considerados elegíveis e não 8%».

Dados disponibilizados ao “Expresso” pela tutela, relativos à contratação de investigadores e docentes doutorados, mostram que foram contratados 5324 investigadores doutorados desde Janeiro de 2017, através de aproximadamente 6466 concursos (ou procedimentos em fase final de concretização), dos 7272 potenciais contratos com financiamento garantido ou obrigação legal de contratação.

«A questão do emprego científico tem de ser diferenciada entre o que é o emprego inicial e a progressão na carreira, onde têm sido dados passos importantes. Este concurso específico é um mecanismo entre os vários ao dispor dos investigadores», explica o ministro da Ciência, Manuel Heitor, acrescentando que «no conjunto global dos mecanismos disponíveis, desde 2017 foram criados cerca de seis mil novos contratos».

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