A Arte da Guerra

Human Resources
14 de Março 2022 | 11:00
A Arte da Guerra

Por António Saraiva, Business Development Manager na ISQ Academy

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A Arte da Guerra é um tratado militar escrito durante o século IV a.c., durante o período dos Estados Belicosos da antiga China, pelo estrategista Sun Tzu. No prefácio de um outro documento deste tempo, Zhanguo e Chan Kuo, referiam: usurpadores se proclamam senhores e reis, Estados governados por pretendentes e conspiradores reforçam seus exércitos para se tornarem superpotências.

Talvez o paradoxo da Arte da Guerra esteja na sua oposição à guerra: guerreia contra a guerra, através dos seus próprios princípios, infiltrando-se nas linhas inimigas, revelando os segredos e mudando o coração dos adversários.

Este tratado, hoje em dia, ultrapassou as fronteiras da designada estratégia militar, para a estratégia empresarial. Não qual Napoleão que a utilizou, ou Mao Tse Tung que cita nos seus escritos passagens do tratado, mas essencialmente interpretações que procuram aliar fórmulas dos sucessos de campanhas militares ao sucesso de uma Empresa.

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Na sua base, Sun Tzu, é muito pragmático aconselhando a não se entrar em longas e desgastantes batalhas. Por isso, quando uma Organização se perde numa campanha demorada de confronto concorrencial, o mais certo é fragilizar e consumir recursos, além de toda uma desvalorização da sua imagem, da sua Marca.

Mas porque procuramos na guerra soluções organizacionais? A guerra em si mesma, à partida, não nos devia trazer nenhum ensinamento. Mais ainda quando, todos os dias, somos confrontados com a brutalidade da mesma, mesmo sem estarmos envolvidos diretamente. Mas sim, ela traz-nos ensinamentos. Já o filósofo humanista Confúcio, na véspera da era dos referidos Estados Belicosos, trabalhava contra a deterioração dos valores humanos, sabendo que a mesma determinava a imersão numa sociedade que iria viver séculos de conflitos.

E o problema está aí mesmo: a deterioração dos Valores. Nomeadamente, quando se usurpa o poder para se atingirem objetivos individuais. Ainda não nos consciencializámos do verdadeiro impacto que a guerra atual irá ter. Temos apenas consciência do que está a acontecer com quem a sofre diariamente, seja no terreno, seja em gerações que se vêem espoliadas de praticamente tudo e, muito certamente, a procurar soluções fora do seu ambiente, empurradas para novas adaptações, em particular do ponto de vista de cultural.

Mas Sun Tzu, transmite-nos alguns ensinamentos na sua Arte da Guerra: planear como chave do sucesso, mobilização geral para todos os desafios, estratégias de dissuação (comunicação) e de alianças (parcerias) e a importância do conhecimento do terreno.

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Estamos, pois, perante um desafio gigantesco. Se a recente pandemia nos mostrou que não existem referenciais estáticos, que a flexibilidade é mais que uma palavra, esta guerra brutal e inusitada, apela a objetivos comuns, fluxos de informação eficientes, adaptações contínuas e lideranças fortes.

Uma liderança em contraponto com o que desencadeou esta guerra. Uma liderança baseada na integridade, na gentileza, na disciplina, na coragem e, acima de tudo, na sabedoria. E recordando um ditado chinês: “um soldado incompetente é um problema individual, mas um general incompetente é um problema de todo o exército”.

“Até que o Sol não brilhe, acendamos uma vela na escuridão” (Confúcio).

E acreditemos que uma estratégia humanista vencerá!

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