A atracção de talento já não é a prioridade estratégica da Gestão de Pessoas em Portugal. Saiba qual é

A mais recente edição do Barómetro RH Galileu 2026, da empresa de formação do grupo Rumos – Knowledge Sharing, revela que a formação e o desenvolvimento de competências se afirmam como principal prioridades estratégica dos Recursos Humanos (RH) em Portugal.

Margarida Lopes
9 de Abril 2026 | 09:00
A atracção de talento já não é a prioridade estratégica da Gestão de Pessoas em Portugal. Saiba qual é

 O barómetro revela assim uma mudança clara de abordagem, havendo menor foco exclusivo no recrutamento e maior na aposta no desenvolvimento interno, como resposta estrutural à escassez de talento, de competências, à pressão salarial e à transformação tecnológica.

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De acordo com o relatório, a larga maioria das empresas (79,6%) prevê aumentar ou manter o investimento em formação, um valor em linha com 2025. As empresas assumem este investimento como estruturante para o negócio e como uma alavanca crítica de competitividade, produtividade e de adaptação.

«Entre 2025 e 2026, os profissionais e departamentos de Recursos Humanos (RH) em Portugal não mudam de direcção, mas aceleram na estratégia. As prioridades mantêm‑se, tornando‑se mais pragmáticas, mais orientadas para a execução e conscientes dos seus limites estruturais», começa por afirmar Cláudia Vicente, directora-geral da Galileu, acrescentando que «o Barómetro RH Galileu 2026, agora lançado, revela empresas com uma agenda clara, que passa por desenvolver competências críticas, reduzir a dependência do mercado e integrar tecnologia sem perder a dimensão humana que sustenta o desempenho a longo prazo.»

Embora comecem a surgir sinais de mudança, com o crescimento da mobilidade interna e do recurso ao upskilling e reskilling como alternativa mais sustentável, apenas uma minoria das organizações dispõe de estratégias estruturadas para o efeito. Trata-se de uma lacuna que ajuda a explicar a forte dependência do mercado de trabalho, com a maioria das empresas a continuar a recorrer ao recrutamento externo para preencher vagas.

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Também ao nível das competências observa-se uma evolução significativa. Embora as soft skills continuem a liderar no curto prazo, perdem peso relativo face às hard skills empresariais. Não se trata de um abandono das competências humanas, mas de uma maturação clara da abordagem. Em 2026, as soft skills passam a ser encaradas sobretudo como meios para executar melhor, apoiar a decisão, acelerar a adaptação e sustentar a entrega de resultados, num contexto de maior exigência de produtividade.

Até 2027, destacam‑se como competências críticas a Liderança e Gestão de Equipas, a Comunicação, a Resolução de Problemas e a Adaptabilidade. A forte subida da comunicação é particularmente reveladora, com as organizações a sentirem uma necessidade crescente de alinhar pessoas, gerir a mudança e reduzir fricções internas, num ambiente mais complexo, acelerado e tecnologicamente exigente.

Esta orientação para a execução traduz‑se também nos formatos de aprendizagem. Os modelos mais valorizados são o on‑the‑job training e a formação síncrona (modalidade em tempo real, com interacção directa entre formadores e formandos), acompanhados por uma recuperação do presencial e uma quebra do formato híbrido e do live training remoto.

Perante as alterações verificadas no mercado e o corrente contexto económico, o Barómetro RH Galileu 2026 destaca uma clara aproximação dos departamentos e profissionais de Recursos Humanos aos planos estratégicos e objetivos do negócio. Cerca de 72% dos inquiridos reconhece um alinhamento total ou parcial dos RH com esses objectivos, embora a intenção estratégica nem sempre se traduza em processos, métricas e decisões integradas, mantendo o risco de uma gestão de talento reativa.

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A Inteligência Artificial ganha também peso face ao ano passado, começando a ser utilizada sobretudo para a automatização administrativa e a ser vista como prioridade futura por mais de 80% dos profissionais de RH. A abordagem é cautelosa e faseada, privilegiando quick wins, enquanto os principais receios se concentram nas questões éticas e na perda do factor humano.

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