O seu cérebro está constantemente a visualizar experiências futuras, principalmente no seu subconsciente. Agora, imagine que pode aprender conscientemente a usar este processo de visualização para melhorar o desempenho da sua acção-resposta, criar estados emocionais desejados e atingir os seus objectivos tácticos e estratégicos.
Por Marco Neves, Managing partner da Next Neuro Generation Leader. Autor, palestrante e coach executivo
Imagine que, na sua jornada de crescimento, de melhoria contínua, de autoconhecimento e de aprendizagem, elaborou a sua estratégia e as suas tácticas para chegar ao seu destino. Para a sua estratégia, já definiu a sua visão, as suas esferas de acção e os objectivos estratégicos. Para os conseguir concretizar, definiu os seus objectivos tácticos e a operacionalização dos mesmos através de processos e dos resultados desejados. Está a praticar e implementar uma nova realidade, mas gostaria de ir mais longe… Como conseguir isto?
Olhe à sua volta. Tudo o que foi criado por um ser humano existiu como uma imagem, em algum momento, na mente de alguém. O seu cérebro está constantemente a visualizar experiências futuras, utilizando vários sentidos. Isto acontece principalmente no seu subconsciente, pelo que não está consciente deste processo e, por isso, não faz a sua gestão activamente.
Agora, imagine que pode aprender conscientemente a usar este processo de visualização, onde emprega todos os seus sentidos para “imaginar” de modo vívido o processo e o resultado, melhorar o desempenho da sua acção-resposta, criar estados emocionais desejados e até atingir os seus objectivos tácticos e estratégicos.
O mundo do desporto (e não só…)
Muitos atletas de alta competição têm utilizado rotineiramente técnicas de visualização como parte do treino e da competição, com sucesso significativo na arena desportiva [1]. O treinador de Michael Phelps afirma: «Tem de ser ensaiado muitas e muitas vezes. Quando o Michael começa a nadar no Campeonato Mundial ou nas Olimpíadas, ele já nadou essa competição centenas de vezes na sua mente antes de lá chegar.»
No mundo da música, o produtor musical francês David Guetta refere: «Tudo o que faço como produtor, visualizo-o primeiro como DJ. E todas aquelas batidas são testadas por mim enquanto DJ.»
Também no mundo da saúde, quando comparado com colegas de controlo, os cirurgiões principiantes que receberam formação através de imagens demonstraram uma redução auto-referenciada de stress, bem como uma diminuição de stress objectivo (frequência cardíaca e cortisol na saliva).
A ciência
A neurociência tem demonstrado que o seu cérebro pode reproduzir imagens mentais de todos os sentidos, incluindo visões, sons, sabores, cheiros, pressões, texturas, temperaturas e movimentos, com consequências fisiológicas reais [2].
A prática mental de imaginar e focar- -se em alcançar os seus objectivos futuros é, para o seu cérebro, o mesmo que a experiência física de alcançar esses mesmos objectivos. Os seus pensamentos produzem as mesmas “instruções mentais” que as próprias acções. Afectam processos cognitivos semelhantes no cérebro, incluindo: planeamento, percepção, atenção, controlo motor e memória.
Ao actuar no cérebro, a visualização altera a actividade das ondas cerebrais e a bioquímica – está a treinar e a preparar o seu cérebro para o desempenho e o sucesso reais.
A técnica
Então, como pode pôr em prática esta experiência multissensorial, de visualizar todos os passos do início ao fim e o resultado futuro como se fosse hoje? Para obter os melhores resultados, o desempenho do processo e os resultados associados devem ser visualizados em conjunto.
Para tirar partido do poder desta técnica, utilize o seguinte método de visualização para produzir resultados mais poderosos no processo de criação de hábitos, dividida em duas fases.
Com esta importante ferramenta mental, está a activar tanto o seu “sistema executivo” (córtex pré-frontal medial), que lida com o aqui e o agora, bem como o seu “sistema de recompensas” (estriado ventral), onde experimenta a recompensa.
Ao guiar o subconsciente enquanto controla as imagens e executa o guião do processo na sua mente para atingir a meta que definiu, está a treinar o seu cérebro através de ensaios mentais para responder como se esse resultado fosse verdadeiro no momento presente.
Aproximar as suas metas também lhe permite aproximar o seu futuro “sistema de identidade”, contrariando o fenómeno do “desconto por atraso”. As recompensas a longo prazo passam a estar no seu radar, em vez de considerar apenas as recompensas mais imediatas e mais pequenas [5] e [6].
Leia o artigo na íntegra na edição de Setembro (nº. 165) da Human Resources.
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