A confiança também se constrói a liderar

Opinião de Ana Oliveira, head of Marketing & Retail na área de Mobile da Samsung Portugal

Human Resources
21 de Setembro 2026 | 11:00
A confiança também se constrói a liderar

Por Ana Oliveira, head of Marketing & Retail na área de Mobile da Samsung Portugal

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Há alguns anos, recusei uma oportunidade profissional porque achei que não estava preparada. Questionei se seria o momento certo, se teria capacidade para responder ao desafio e acabei por deixar que a incerteza pesasse mais do que a vontade de avançar.

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Com o passar do tempo – tempo que nos atribui experiência -, percebi que nem sempre vamos sentir que estamos totalmente preparados para dar o próximo passo e que, muitas vezes, esperar por essa certeza pode impedir-nos de agarrar oportunidades que nos fariam crescer.

Actualmente, reconheço que esta aprendizagem influenciou a forma como olho para a liderança. Não significa ter todas as respostas, nem eliminar a incerteza que faz parte do caminho. Significa criar confiança para que as pessoas avancem mesmo quando não sabem exactamente o que vão encontrar.

Num sector como o tecnológico, esta capacidade torna-se particularmente importante. Trabalhamos num contexto de mudança constante, em que novas tecnologias, comportamentos e formas de trabalhar nos obrigam a adaptar rapidamente a forma como pensamos e agimos. Neste cenário, acredito que uma equipa precisa de espaço para experimentar, questionar e até errar, porque é muitas vezes desse processo que surgem novas soluções e aprendizagens.

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Neste contexto, quem lidera equipas tem uma responsabilidade clara: proporcionar um ambiente onde as pessoas sintam que podem assumir desafios, apresentar ideias diferentes e sair da sua zona de conforto. Porque arriscar implica, por vezes, errar, e o erro tem a virtude de ser um catalisador de aprendizagem e, ao aprenderem, as equipas ganham confiança e evoluem.

Enquanto mulher, esta é uma reflexão que ganha para mim uma dimensão adicional. Ao longo do meu percurso, percebi como podemos ser nós próprias a questionar-nos se estamos suficientemente preparadas antes de dar o próximo passo. Reconhecer essa tendência foi importante para deixar de permitir que a dúvida determinasse as minhas decisões. E é um mindset que procuro transportar para as equipas que lidero, independentemente do género. Não devemos esperar que alguém se sinta completamente preparado para lhe dar responsabilidade.

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No sector tecnológico, em que trabalho, principalmente um que é marcado por constante inovação e ofertas que valorizem o consumidor, é precisamente essa responsabilidade, acompanhada pela confiança de quem está connosco, que nos permite inovar e descobrir capacidades que ainda não tivemos oportunidade de demonstrar.

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Essa confiança torna-se particularmente importante quando pensamos em percursos onde ainda existem menos referências e menos representação. É por isso que acredito que as mulheres podem ter um papel relevante no caminho umas das outras, partilhando experiências, tornando diferentes percursos mais visíveis e ajudando a criar referências para quem vem a seguir, sobretudo em áreas onde a presença feminina continua a ser menor, como acontece ainda em algumas vertentes da tecnologia.

No entanto, a diversidade não deve ser encarada apenas como uma questão de representação. Equipas construídas a partir de experiências e perspectivas diferentes trazem leituras mais ricas para os desafios, ajudam a questionar ideias e a encontrar novas respostas. Para quem lidera, o desafio passa também por garantir que essas diferenças encontram espaço para se manifestar.

Talvez uma das maiores responsabilidades da liderança seja precisamente essa: dar às pessoas confiança para questionar, assumir desafios e continuar a crescer, mesmo quando não existem respostas óbvias. A incerteza dificilmente desaparece por completo. Mas não deve ser ela a decidir até onde estamos dispostos a ir.

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