A cultura de segurança e a gestão de pessoas

Human Resources
23 de Fevereiro 2022 | 11:10
A cultura de segurança e a gestão de pessoas

Por Luís Roberto, Managing Partner da Comunicatorium e Professor convidado do ISCSP-ULisboa

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Estaremos suficientemente sensibilizados para a importância de uma cultura de segurança?

A pandemia veio acelerar a digitalização, e investir em cibersegurança passou a ser crucial  para as organizações, independentemente do setor ou dimensão.

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Desde o inicio deste ano que os ciberataques, passaram a abrir os noticiários nacionais.

Várias empresas e grupos, mas também o site da Assembleia da República, foram alvo de ciberataques,  que em alguns casos levaram à destruição de dados, ou à paralisação de serviços da rede, afetando os Bombeiros, a rede Multibanco, o IPMA, a EMEL, o INEM e até alguns hospitais.

Muitos de nós, estivemos privados dos dados móveis e das televisões, enquanto equipas técnicas se redobravam em esforços para recuperar os serviços afetados.

Em outubro passado, sobre o apagão do facebook que afetou 3,5 mil milhões de utilizadores em todo o mundo, escrevi que a vulnerabilidade das redes é grande, e o investimento em sistemas de segurança é francamente reduzido.

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Mas o que mais me surpreendeu na altura , não foi o “apagão” em si, mas o facto de que  ainda não estamos preparados para lidar com esta falha dos tempos modernos, com impacto nas empresas, e nas pessoas.

Às empresas é-lhes pedido que invistam em segurança, e que façam as suas análises de risco, procurando identificar os eventos de risco, a probabilidade do mesmo acontecer, o impacto do mesmo sobre a atividade do negócio, e a definirem os planos de recuperação e de continuidade, os chamados Disaster Recovery Plan e os Business Continuity Plan.

Poderá parecer simples, mas a questão essencial que se coloca, é como vai a empresa funcionar (pensemos nos processos existentes), para manter o seu negócio, durante o blackout.

Muitos certamente, já terão pensado em recuperar os processos manuais do passado, para assegurar o que é absolutamente necessário.

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E o que podemos fazer pela Gestão de Pessoas ?

Em primeiro lugar, estou em crer que é fundamental reconhecermos que a segurança é uma responsabilidade de todos, desde a gestão de topo até ás funções mais operacionais.

A segurança deve fazer parte da cultura da empresa, e ser entendida pela implementação de normas e valores, refletindo-se em padrões de comportamento individuais e da equipa.

Tal como a cultura de confiança, os valores ambientais e sociais, a diversidade e a inclusão, a cultura de segurança deve integrar a cultura organizativa,  contribuindo em simultâneo para o desempenho e para as competências das pessoas.

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Quanto maior for o empenho da gestão de pessoas, nas questões relacionadas com a segurança da informação, maior é a excelência operacional da empresa, e a motivação dos colaboradores para este tema.

Investir na formação de todos é absolutamente vital. Criar ações de Security Awareness, e exercícios que simulem os ataques mais usuais, com enfoque no controlo da segurança dos dispositivos para trabalhar remotamente, é nos dias de hoje um requisito.

A cultura de segurança deve ser extensível ao ambiente de trabalho que temos em casa, e portanto uma realidade do mundo híbrido.

Promover a acreditação dos procedimentos internos em situação de emergência, é um forma de garantir que os planos delineados podem e devem ser executados.

Comunicar eficazmente e debater as normas, é a garantia de que todos as conhecem, e sabem exatamente como e quando executá-las.

A criação de estruturas organizativas, o recrutamento e a existência de recursos humanos com o expertise necessário para a atuação em situações de emergência, denota não apenas que a segurança é uma preocupação da empresa, mas reforça igualmente o sentimento de confiança e de pertença dos seus colaboradores sobre o seu “património”.

E não nos esqueçamos, que um ciberataque tem consequências graves para a reputação da marca e para as pessoas.

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