A empregabilidade é uma das principais motivações para aprender inglês. Mas há algumas alterações no papel do idioma no quotidiano das pessoas

Margarida Lopes
14 de Maio 2024 | 18:00
A empregabilidade é uma das principais motivações para aprender inglês. Mas há algumas alterações no papel do idioma no quotidiano das pessoas

O estudo “The Future of English: Global Perspectives” (O futuro do inglês: perspectivas globais) do British Council mostra que empregabilidade é uma das principais motivações para aprender inglês.

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Não é de estranhar, já que o domínio deste idioma se tornou um requisito comum nas ofertas de emprego. Contudo, de acordo com o estudo também o conceito de inglês requerido neste âmbito evoluiu. Com locais de trabalho cada vez mais dinâmicos do ponto de vista linguístico, social e cultural, esta evolução alterou as necessidades dos empregadores, que dão cada vez mais importância às competências orais e auditivas, além da gramática e do vocabulário.

O estudo revela que a nova realidade laboral, aliada também à procura do inglês para fins académicos e de entretenimento, obriga a repensar o ensino da língua. Este deve ser mais contextualizado, personalizado e individualizado, para dar respostas às actuais necessidades, mais próximo da realidade dos estudantes.

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Será necessário o equilíbrio entre os métodos formais e informais de aprendizagem. Conjugar um uso mais informal do inglês ao nível da comunicação, como o das redes sociais, com níveis de certificação formal para fins de empregabilidade e estudos internacionais. Assim, é necessário estabelecer um sistema global e integrado de aprendizagem.

O estudo sinalizou algumas alterações no papel do idioma no quotidiano das pessoas. Contudo, o inglês, falado actualmente por 2.3 mil milhões de pessoas em todo o mundo, continuará a ser a língua global da próxima década. E assume-se como língua franca (utilizada como meio de comunicação), deixando de ser considerado um idioma estrangeiro, para se tornar uma ferramenta necessária, já que ser poliglota é a norma na maioria dos contextos.

Na academia, o inglês representa cerca de 90% das publicações. 60% do conteúdo da internet está em inglês – percentagem que contrasta com o número de utilizadores que tem o inglês como primeira língua, que se situa em torno dos 25%.

O estudo destaca também a importância de contar com professores qualificados e formados. Salienta-se que continuarão a ser uma peça fundamental, mesmo face ao aumento da automatização e da IA, que acelerou nos últimos anos, com consequências directas para a digitalização da educação e o ensino das línguas.

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“The Future of English: Global Perspectives” dá conta da disrupção que a entrada para o sector de multinacionais como a Google poderá ter, através de abordagens baseadas em IA e nas propostas de aprendizagem formais e informais muito mais individualizadas.

O mesmo estudo revela alguns dos benefícios da aplicação da IA no ensino das línguas, como a mentoria inteligente (responder a perguntas dos alunos e fornecer explicações), personalização de conteúdos adaptados a necessidades individuais, feedback automático (correcções e respostas automáticas), a escala, o imediatismo, quebra de barreiras geográficas, aumento da eficiência, optimização do tempo ou uma experiência de aprendizagem atractiva e agradável, proporcionada pela interactividade ou gamificação. Os especialistas salientam a crescente procura por materiais facilmente acessíveis.

O estudo confirma que a certificação das línguas, continuará a ser fundamental para avaliar a destreza linguística dos candidatos, e será um requisito por parte dos sistemas de ensino e de trabalho a nível mundial. Contudo, a avaliação terá de mudar em função das tecnologias que utiliza, da flexibilidade que oferece, e da informação que é capaz de facultar.

O estudo destaca também o potencial da IA na avaliação, abrindo novas perspectivas ao nível da avaliação personalizada, na melhor avaliação de competências orais e escritas, e a atenção à diversidade através de uma avaliação inclusiva. Todavia, salienta algumas preocupações relativamente à utilização da tecnologia no domínio da avaliação das línguas, como seja a privacidade, a consciência dos preconceitos, a eficácia do Ensino, Aprendizagem e Avaliação digital, e as aplicações de tradução e criação de textos.

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