A evolução (necessária) do profissional de Recursos Humanos para responder aos desafios da digitalização

Human Resources
14 de Março 2022 | 11:25
A evolução (necessária) do profissional de Recursos Humanos para responder aos desafios da digitalização

Actualmente, o mercado de trabalho vive um cenário de desequilíbrio entre oferta e procura de talento. Em áreas de conhecimento novas, e em especial nas áreas tecnológicas, este desencontro resulta em grande medida da incapacidade das academias e organizações desenvolverem o talento com as skills necessárias, em quantidade e qualidade suficiente para responder às necessidades do mercado.

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Por Pedro Amorim, Managing Director Experis Portugal

 

Esta escassez de profissionais e a guerra pelo talento que se observa neste sector conduzem a uma grande rotatividade destes profissionais nas empresas, pressionando-as a aumentarem o valor salarial proposto como principal forma de atracção. A este elemento de remuneração são ainda adicionados outros benefícios não monetários, que vão ao encontro das actuais preferências dos colaboradores, como sejam a flexibilidade ou as oportunidades de desenvolvimento. Contudo, ter a melhor oferta não é suficiente, se a organização não conseguir chegar primeiro ao candidato desejado. Os perfis tecnológicos caracterizam-se, na sua maioria, por não se encontrarem, proactivamente à procura de novos desafios profissionais. Nem estão tão facilmente expostos aos habituais anúncios de emprego. Perante este cenário, como poderão as empresas responder às suas necessidades de talento? A resposta poderá estar na sua equipa de Recursos Humanos.

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A área de Recursos Humanos tem evoluído para dar resposta aos desafios de cultura organizacional, atracção e retenção de talento, avaliação dos perfis e acompanhamento na carreira, e os últimos dois anos foram, possivelmente, os mais desafiantes de sempre neste aspeto. Contudo, há uma outra necessidade que tem vindo a crescer em simultâneo e que se refere ao seu conhecimento e capacidade de mobilização de candidatos no sector tenológico. O contexto do mercado exige profissionais com uma especialização nesta área, que tenham conhecimento das especificidades de cada tecnologia e consigam dialogar com os profissionais das áreas para que estão a recrutar. Essa especialização permite-lhes construir uma rede de contactos relevante, com base na qual poderão alcançar os perfis mais adequados e ligá-los à oferta mais adaptada possível às suas preferências, conseguindo destacá-la num mercado altamente competitivo e cada vez mais globalizado. Surgem então os tech recruiters.

Os programas das instituições de ensino ainda não estão completamente alinhados com esta especialização, sendo esperado que a formação evolua para que o número de profissionais com competências de recrutamento em tecnologia acompanhe o aumento da procura por perfis tecnológicos. Até lá, uma das soluções passa pela formação especializada.

É o caso da oferta de academias, como a Experis Academy, em que são as próprias organizações a investir e a assegurar o desenvolvimento das competências necessárias para responder mais eficazmente aos objectivos de recrutamento das empresas.

Após a percepção dos benefícios do desenvolvimento deste novo perfil de Recursos Humanos no actual e futuro mundo do trabalho, será então necessário trabalhar na sua integração profissional de forma mais ágil. Este processo poderá passar por uma maior aproximação entre o ecossistema privado e a Academia, para que a formação e a entrada destes alunos no mercado de trabalho possam estar interligadas desde cedo. Este passo criará espaço e ampliará as oportunidades para esta especialização num sector com elevada demanda e altamente competitivo.

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A crescente transformação digital, a sua aceleração, provocada pelo cenário pandémico, e a escassez de perfis com conhecimento e experiência nas diversas áreas tecnológicas têm um impacto que transcende o próprio setor e vem abrir oportunidades de desenvolvimento e de carreira para a área dos Recursos Humanos. Cabe-nos a nós, entidades de educação e de desenvolvimento profissional, saber preparar também o nosso próprio talento para agarrar esta oportunidade e alavancar o papel dos nossos profissionais.

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