«A experiência com a pandemia tem sido uma fast-track pill em termos de aprendizagem», afirma o presidente do ISCTE Executive Education

Defendendo um crescimento na autenticidade e realidade, o ISCTE privilegia uma experiência de formação da qual fazem parte a componente prática e aplicacional.

 

A preparar o regresso à normalidade, o ISCTE baseia a sua actividade na autenticidade. Como defendeu em entrevista a José Crespo de Carvalho, presidente do ISCTE Executive Education, é ela que permite o crescimento e a evolução, especialmente em tempos como aqueles que vivemos.

 

O que considera mais forte na formação de executivos do ISCTE, agora ISCTE Executive Education?
O saber fazer e o existir na realidade. O sermos nós mesmos, próprios e autênticos. É, de resto, essa a grande marca presente no ISCTE: autenticidade e poder crescer na autenticidade e na realidade. O ISCTE Executive Education perfilha isso mesmo. O “Real-life learning” é uma assinatura que remete para a nossa origem e a nossa experiência prática.

Há, pois, uma natureza aplicacional enorme nos programas que oferecemos. Porque temos um corpo docente ligado à prática e às empresas, que sabe fazer e implementar, que tem passado por diversas empresas e organizações e deixado a sua marca positiva. Essa vantagem, comparativa e competitiva, ninguém pode negar. E essa componente prática e aplicacional tem de fazer parte da experiência.

 

E como se podem criar ou proporcionar essas experiências no actual contexto, em que é exigido distanciamento físico?
Muito embora seja um defensor do modelo presencial, por uma questão de contacto humano e de rede, entre outros aspectos, considero que existem muito boas experiências online. Olhando para a experiência, conseguindo comunicar com mensagens simples, directas, chamativas e conseguindo engagement dos participantes tudo se pode transformar numa experiência interessante. Votações, jogos, quiz simples, cor, som, movimento, há muita coisa que pode ajudar. Temos de ser inovadores. Não conseguimos sem sairmos da zona de conforto e começarmos a tentar fazer diferente.

O lado aplicacional, esse, não pode sair prejudicado nunca, nem presencialmente nem online. Ou blend. O formato não nos deve, jamais, impedir de nos dedicarmos ao saber fazer. Mais ainda neste momento em que é preciso mesmo reconstrução. E em que a economia tem mesmo de funcionar ainda que reinventada. O lado aplicacional, para concluir, tem de ser “the element of the participant experience”.

 

O que julga que seria uma experiência ideal para si?
A experiência presencial com competição é talvez a que gosto mais. Primeiro porque coloca as pessoas à prova em frente a outras. Ninguém quer ficar mal. E se for à frente da administração melhor um pouco. E há muita coisa a fazer aqui, na linha dos hacktons e bootcamps que pode ser interessante. Com resultados a apresentar. Um speed challenge é, por exemplo, uma forma de aprendizagem em tensão muito boa. Para mim os ingredientes terão de ser velocidade e escrutínio. Sem esquecer o conteúdo. Se conseguirmos isto, conseguiremos muito.

E, se pensarmos bem, esta experiência com a pandemia tem sido uma fast-track pill em termos de aprendizagem. A mudança é gigante. Perdemos zonas de conforto. Estamos sem saber planear. Não temos como fugir ou descer deste comboio. É, de facto, uma prova de fogo. Precisamente por isso, as empresas e as pessoas devem conciliar aprendizagem formal com estes tempos em que aprendemos também de forma mais informal.

Conjugando as duas formas, e pensando em acumular experiência formativa aplicacional com experiência real, podemos tirar partido de uma rede e de um momento de forma fantástica. Provavelmente não voltaremos a ter um momento destes que nos permita tanta aprendizagem e a conjugação de aprendizagens. Literalmente, we are changing the way we live and learn. Ou learn and live.

 

O que está a ser mais desafiante gerir?
Nesta fase, o ‘span of attention’ é difícil, na medida em que há muito ruído e muita poluição e desinformação, e muito desse ruído está direccionado à saúde, e bem. Porém, na minha opinião, nas doses erradas. Estamos a deixar que o problema de saúde pública tome conta da nossa agenda mental, quando esse problema – ou por ele – podemos fazer pouco. Apenas cumprir as várias regras da DGS [Direcção-Geral da Saúde] e pouco mais.

Neste contexto, penso que o foco – ou a ausência dele – é um problema. E o foco tem de ser trabalhado e voltar. Temos de nos auto-disciplinar. Dito isto, dedicar tempo a estudar e a crescer em termos pessoais e profissionais não é despiciente. O tempo necessário para fazer re-skilling era de três/quatro dias há 10 anos atrás. Neste momento, estamos com 30 dias. A proporção é de um para 10. O que significa que temos mesmo de nos dedicar e investir em nós ou vamos ficar obsoletos.

 

Que ingredientes são necessários para a formação de executivos nesta nova era e contexto?
Como sempre, e em qualquer situação, bom senso. Como sempre, e em qualquer ocasião, capacidade de decisão. Como sempre, e em qualquer negócio, assumir riscos. Ter visão e estratégia, mesmo que ela seja emergente. Depois, muito controlo de gestão e muita contenção para a turbulência de percurso. Elementos que são transversais a uma organização, e mais ainda a uma organização em crise. E muito foco no participant experience.

 

Basta isso para assegurar o sucesso?
Claro que não. São necessárias empresas com visão e que continuem a investir nos seus colaboradores e participantes, participantes estes que sejam aliados, no sentido da construção, de uma organização de formação de executivos.

Existe alguma coisa mais importante que os participantes? Desconheço. Aliás, se virmos bem os endowments das grandes universidades são todos provenientes de ex-alunos; ex-alunos que investem na universidade e formação de executivos em que se formaram e que a ela se aliam para a potenciarem.

Gosto de acreditar que em Portugal este modelo é possível de uma forma mais altruísta e diferente da que tenho visto. Investir para que a sociedade cresça. Investir para o futuro. E investir, abraçando desafios, para o crescimento pessoal. E tudo começa por este primeiro passo.

 

Programas abertos ou customizados, quais estão a crescer mais na sua instituição?
Os dois. Uma instituição que queira ter a sua estratégia assente no saber fazer e na aplicação e que queira desenvolver o seu caminho por aqui e que ouse estar no mercado nacional e internacional, tem de crescer em abertos e customizados. Tem de crescer em formatos. Tem de crescer em toda a oferta.

Por outro lado, tem de equilibrar as várias fontes de receita. É uma arte saber fazê-lo, mas serão tão importantes programas com ECTS – European Transfer Credits from de European System – como programas sem ECTS. Programas abertos como co-desenhados e desenvolvidos. Programas com desafios, jogos, simulações e com enorme impacto como programas com componentes escolares mais tradicionais. A quantidade de cada um é o segredo. A capacidade de entregar soluções passará a ser a norma. O impacto e a alavancagem do talento a medida do sucesso.

Como temos duas escolas a confluir para a formação de executivos, a de gestão e a de engenharia, é natural que haja temas de ambas as áreas que se intersectam. A vantagem da confluência de duas escolas é central para o sucesso do projecto.

 

Desta pandemia, acabaram por surgir novidades na oferta formativa do ISCTE Executive Education?
Sim, novidades ao nível de conteúdos e ao nível de formatos. Estamos neste momento com 20 produtos BOOST on-line entre nove e 12 horas (a realizarem-se de Junho, inclusive, em diante e muito aplicados) com um preço imbatível (290  euros + IVA) e ajudar participantes e empresas neste momento. E formatos em pós-graduações on-line curtas de cinco meses (Applied Programs), em boa verdade com um fim-de-semana final presencial e por isso em blended learning.

De resto, temos o Executive MBA, os Executive Masters, as pós-graduações e os Advanced Programs (também pós-graduações). Para além de toda a oferta corporate (https://indeg.iscte-iul.pt/).

 

Que outras novidades há para o próximo ano lectivo?
Vamos manter o presencial com distanciamento social e todas as regras de higienização. Portanto, do Executive MBA e Executive Masters e Pós-graduações vamos avançar em regime presencial absolutamente seguro. Estamos a intervir no edifício para isso. Essa é uma novidade que implica retomarmos algumas das nossas formas de fazer e estar próximos dos nossos participantes.

 

Numa palavra, o que aconselha a um candidato: fazer um programa neste momento ou adiar?
Adiar o que seja é adiar a vida. É adiar a experiência máxima que se pode viver agora, conjugando as dimensões vivência pandémica com vivência formativa, exponenciando-as.

Se eu fosse director de Recursos Humanos, uma das questões essenciais com que questionaria qualquer potencial candidato seria: como te valorizaste no período da pandemia? E como evoluíste? E o que fizeste em termos formativos?

 

Esta entrevista faz parte do Caderno Especial “Formação”, publicado na edição de Junho (n.º 114) da Human Resources.

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