A falta de experiência em relações amorosas da Gen Z está a tornar-se um problema no local de trabalho. Entenda por quê

Os investigadores afirmam que menos relacionamentos e menos socialização presencial estão a deixar muitos jovens trabalhadores despreparados para o atrito social no trabalho.

Human Resources
2 de Abril 2026 | 21:00

Os investigadores afirmam que menos relacionamentos e menos socialização presencial estão a deixar muitos jovens trabalhadores despreparados para o atrito social no trabalho.

Os relacionamentos requerem vulnerabilidade e elevada tolerância ao atrito associado a conciliar os seus próprios desejos com as necessidades de outra pessoa. Mas, para a Geração Z, estas primeiras experiências românticas — e a resiliência social que desenvolvem — estão cada vez mais ausentes, avança o Allwork Space.

De acordo com um inquérito realizado pelo Survey Center on American Life, apenas cerca de 56% da Geração Z chega à idade adulta tendo-se envolvido numa relação romântica, em comparação com 75% dos membros das gerações mais velhas.

Sem estas conversas e “negociações difíceis”, a Geração Z chega ao primeiro dia de trabalho despreparada para enfrentar os desafios do escritório, explica Tessa West, professora de Psicologia na Universidade de Nova Iorque, cuja investigação se centra na comunicação entre colaboradores e chefias.

«O que antes parecia uma norma óbvia — como falar com o chefe, a que horas chegar, esta geração mais nova não tem regras básicas para isso», revelou ela à Fortune.

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Não se trata apenas de namoro. A Geração Z está a socializar menos. Bebe menos, frequenta menos festas e interage menos pessoalmente do que qualquer geração anterior. Em resultado da pandemia e da era das redes sociais, grande parte da Geração Z perdeu as ferramentas necessárias para desenvolver a perspicácia social necessária para lidar com as complexidades e os atritos presentes no ambiente de trabalho moderno.

Embora existam outros factores envolvidos, West afirmou que a sua investigação constatou uma ligação directa entre o declínio das relações amorosas e o desempenho no trabalho. «Estas competências, como a capacidade de as exercer bem numa relação, prevê directamente o quão bem as exerce no trabalho.»

Por exemplo, afecta a forma como os jovens trabalhadores pedem um aumento ou solicitam férias. «Aprende-se muitas competências nesses primeiros relacionamentos que depois se utilizam no ambiente de trabalho. A negociação é uma delas, assim como a capacidade de fazer concessões.»

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Segundo a investigadora, a construção de relações — geralmente românticas, mas também platónicas — ajuda as pessoas a desenvolver outras competências essenciais, como lidar com conversas desconfortáveis, gerir a ansiedade e navegar por dinâmicas sociais complexas. «É a relação próxima e a dificuldade que acompanham o desenvolvimento de uma nova relação com alguém, onde é preciso lidar com todos os tipos de desconforto potencial.»

Isto manifesta-se geralmente no escritório como uma falta de comunicação clara. Os membros da Geração Z podem optar por enviar um e-mail ao chefe em vez de terem interacções presenciais sobre os desafios, de acordo com West.

Isto também significa que muitos da Geração Z usam a IA como muleta para resolver conflitos. Segundo um inquérito de 2025 da Resume.org, mais de metade vê o ChatGPT como um colega de trabalho ou assistente e cerca de um terço depende da IA ​​para obter conselhos sobre relacionamentos ou decisões difíceis da vida.

«As gerações mais velhas ficam muito frustradas com este comportamento e podem até reagir de forma agressiva. Isso acaba por agravar o problema», realçou West.

A seu ver, a superação desta lacuna exige uma mudança mútua, na qual os chefes tornem as normas implícitas do escritório explicitamente claras para os trabalhadores mais jovens. «Ambos os lados precisam de se adaptar. A geração mais velha precisa de trabalhar nesta comunicação clara e nesta mudança, e a geração mais nova precisa de trabalhar na vontade de aprender.»

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