A (falta) de saúde dos colaboradores custa milhões às empresas. Esta realidade pode, e deve, ser evitada.

É preciso que as empresas estejam alerta para os problemas de saúde dos seus colaboradores. Não só aumenta o bem-estar e a produtividade, como reduz os custos (de milhões) ligados ao absentismo.

 

Por Nuno Abreu, director de Recursos Humanos da Aon Portugal

 

No âmbito do Dia Mundial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), que se assinalou no passado dia 20 de Novembro, várias foram as entidades públicas e privadas que se esforçaram para sensibilizar a população para a prevenção desta doença, que afecta perto de 800 mil portugueses. Segundo a Organização Mundial da Saúde, estima-se que até 2030 esta patologia se torne a terceira principal causa de morte a nível mundial.

O tabagismo é apontado como o principal factor de risco, afectando entre 80 e 90% dos casos, e muito se tem feito para combater o seu impacto na saúde dos portugueses. Contudo, existem outros factores de risco para os quais deveremos estar atentos, em especial as empresas: a exposição a poeiras, químicos ou gases em contexto profissional.

Trabalhadores da construção civil, profissionais que operam em pedreiras, mecânicos automóveis ou pessoas que estejam em contacto com substâncias poluentes no ambiente laboral têm um maior risco de sofrer de DPOC. Actualmente, existem diversas normas de saúde e de segurança na legislação portuguesa e da União Europeia que prevêem o controlo da exposição a estes agentes. Exemplos disso são as medidas que implicam a utilização de dispositivos de protecção respiratória (como as máscaras facias), os controlos médicos regulares e até a limitação do período de contacto com estes elementos.

Mas é preciso mais. É preciso que as empresas estejam alerta para a DPOC e para qualquer outro problema de saúde, crónico ou não, que possa comprometer a qualidade de vida dos seus colaboradores. Daí a importância, já reconhecida por diversas empresas, do desenvolvimento de programas de saúde.

Para a sua concretização, o empregador deve ser pró-activo na identificação e análise das necessidades dos seus colaboradores, por forma a conseguir adaptar e executar programas que proporcionem um ambiente de trabalho mais saudável, aumentando assim a produtividade e, por sua vez, reduzindo os custos associados aos cuidados de saúde dos trabalhadores.

E estes custos estão a aumentar cada vez mais. De acordo com o mais recente Global Medical Trend Rates Report da Aon, os custos com cuidados de saúde devem custar mais 8% às empresas este ano do que em 2018. Já no caso português, a NOVA Information Management School lançou um estudo que indica que, em 2018, os portugueses faltaram praticamente seis dias ao trabalho. Este absentismo, revela o relatório, levou a um prejuízo na ordem dos 2,2 mil milhões de euros.

 

As boas notícias… e soluções

Mas há boas notícias: dando uso às palavras do nosso responsável Global de Inovação em Soluções de Saúde a nível internacional, Jim Winkler, «a maioria dos grandes problemas de saúde da sociedade pode ser prevenida». Para isso, é preciso haver mudança de comportamentos e uma restruturação das empresas nesse sentido.

As soluções são diversas. Podemos desenvolver programas que, por um lado, reflictam resultados na saúde efectiva dos colaboradores, e que, por outro, estimulem o envolvimento das pessoas com o seu local de trabalho. Estamos a falar de táticas como a realização de workshops sobre alimentação saudável, a concretização de teambuildings que requeiram a prática de actividade física, a remodelação do espaço e das ferramentas de trabalho, por forma a torná-los mais ergonómicos, etc.

Mas podemos ir mais além. Actualmente várias empresas têm começado a utilizar a tecnologia para melhorar a saúde dos colaboradores. A título de exemplo temos a mHealth (mobile health ou saúde móvel – App Aon Well One disponível no mercado português), uma ferramenta que permite às pessoas fazer uma gestão autónoma da sua própria saúde, com a possibilidade de ter acesso a informação como os passos dados durante um dia ou os valores do batimento cardíaco. A fase seguinte desta solução é que os empregadores tenham acesso a informação que lhes permita definir de forma mais rigorosa os seus programas de saúde, e, por fim, otimizar os custos, incrementar a produtividade e melhorar a saúde de todos os colaboradores.

Prevenir é de facto o melhor remédio, e por isso é imprescindível que as empresas estejam preparadas para lidar com os desafios que a saúde nos vai trazer no futuro. Já há algumas que o fazem, mais ainda há muito caminho por trilhar.

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