Josh Bersin, analista global, autor e especialista em Recursos Humanos, mercado de talentos, liderança e tecnologia do mundo do trabalho, publicou duas mensagens que, segundo Marco Ornellas, designer organizacional, autor e consultor, formam um diagnóstico sobre o que está a acontecer com a profissão de HR Business partner.
O alerta
Em Maio de 2025, Bersin publicou que a IBM havia formalmente anunciado que 94% das dúvidas típicas de RH já eram respondidas por um agente de inteligência artificial. Na leitura dele, isso torna o cargo de HR Business partner “praticamente eliminado, excepto para lideranças muito seniores”, escreveu Marco Ornelas no seu LinkedIn.
Bersin projectou uma redução de 20% a 30% (ou mais) no headcount de RH e L&D nos próximos anos e, segundo ele, os profissionais que sobreviverem a essa reestruturação serão alocados em gestão das plataformas de IA, consultoria de mudança organizacional e design organizacional, arquitectura de aprendizagem e gestão de dados.
O especialista que criou o conceito de Business partner nos anos 2000 afirma, publicamente, que o caminho de sobrevivência passa pelo design organizacional.
A correcção
Um ano depois, em Maio de 2026, Bersin subiu ao palco do HR Tech Europe e, diante de líderes de RH que já usavam a automação como justificação para cortes lineares de headcount, apelidou essa lógica de “erro de categoria”, continua Marco Ornelas.
O raciocínio é simples: inventariar cargos, catalogar tarefas, assinalar quais a IA consegue fazer e cortar as funções correspondentes não reflecte a forma como o trabalho a sério acontece dentro de uma empresa. Cortar um terço dos RH não altera o resultado financeiro da empresa de forma relevante. A pergunta certa não é “o que cortar”, é “como redesenhar o trabalho em torno da IA” — desenhando primeiro o agente e só depois definindo que papéis humanos continuam a ser necessários à volta dele.
Marco Ornellas refere uma pesquisa recente da LHH que revela que 87% dos líderes de RH afirmam que as suas empresas já fizeram ou estão a planear cortes ligados a IA nos próximos 12 meses, mas também expõe o custo do corte malfeito: 73% dos líderes dizem que recontratar sai mais caro do que redistribuir talento internamente. E, apesar de 77% das empresas afirmarem ter programas de redistribuição, apenas 19% dos trabalhadores dizem realmente ser alvo desses programas.
Ou seja, os cortes estão a acontecer, mas a maioria das empresas fá-lo sem ter desenhado para onde o talento remanescente deveria ir. “E é exactamente aí que mora o risco — e a oportunidade — para quem está em RH hoje”, escreve Marco Ornellas.
Se em 2025, Josh Bersin descreveu que a camada administrativa do Business Partner — a que segue políticas, responde dúvidas repetitivas, organiza processos — está a ser obsorvida pela IA, em 2026, corrigiu o diagnóstico: o corte em si nunca foi a estratégia. A estratégia é o redesenho: a capacidade de olhar a organização como um todo (não uma lista de tarefas) e desenhar, com método, o que vem depois da automação.
Para quem desempenha funções de HR Business partner, especialista de RH ou lidera uma área de People, a pergunta é: para qual dos três caminhos que Bersin descreveu — gestão de IA, consultoria de mudança ou design organizacional — a sua equipa está a dirigir-se e quem estáa formá-la para isso?














