A geração do remoto está a mudar de ideias. Gen Z quer mais tempo no escritório. Entenda porquê

Durante anos, a Gen Z foi frequentemente associada à preferência pelo trabalho remoto e pela flexibilidade total. No entanto, novos dados sugerem uma realidade diferente: os jovens profissionais são hoje os que menos desejam trabalhar exclusivamente a partir de casa.

Human Resources
21 de Agosto 2026 | 12:20
A geração do remoto está a mudar de ideias. Gen Z quer mais tempo no escritório. Entenda porquê

Um estudo da Gallup revela que apenas 23% dos colaboradores da Geração Z que podem trabalhar remotamente preferem um regime totalmente à distância. Entre as gerações mais velhas, essa preferência sobe para 35%. Os mesmos dados mostram ainda que os mais jovens são quem mais defende uma presença mais frequente no escritório, avança a Axios.

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Segundo especialistas, esta mudança está relacionada com necessidades que vão além da simples execução do trabalho. A construção de relações profissionais, o sentimento de pertença e as oportunidades de desenvolvimento de carreira parecem estar a assumir um peso crescente nas expectativas dos jovens trabalhadores.

Solidão impulsiona procura de contacto presencial

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Um dos factores mais relevantes identificados pelo estudo é a solidão. De acordo com a Gallup, 27% dos trabalhadores da Geração Z afirmam sentir-se frequentemente sós durante o seu dia-a-dia, uma percentagem significativamente superior à registada entre trabalhadores da Geração X e dos Baby Boomers.

Para muitos jovens profissionais, o escritório representa mais do que um local de trabalho: é também um espaço de interacção social, aprendizagem informal e criação de redes de contactos. Numa fase em que ainda estão a construir as suas relações profissionais, a distância pode dificultar esse processo.

Jim Harter, responsável científico da Gallup para as áreas de workplace management e wellbeing, sublinha precisamente esse ponto, defendendo que os trabalhadores mais experientes já possuem redes de relacionamento consolidadas, enquanto os mais jovens ainda estão a desenvolvê-las. Nesse contexto, o trabalho remoto pode representar uma barreira adicional à integração e ao crescimento profissional.

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Carreira e visibilidade continuam a contar

Outro motivo apontado para a valorização da presença física prende-se com a progressão na carreira. Investigadores da Glassdoor alertaram anteriormente para o facto de muitos empregadores continuarem a favorecer, de forma explícita ou implícita, os colaboradores mais visíveis e presentes fisicamente quando surgem oportunidades de promoção e desenvolvimento.

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Para profissionais em início de carreira, a presença no escritório pode significar um acesso mais fácil a mentoria, feedback, networking e projectos de maior visibilidade, factores frequentemente decisivos para a evolução profissional.

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O modelo híbrido continua a ser o preferido

Apesar desta aproximação ao trabalho presencial, o regresso total ao escritório continua longe de ser consensual. Os dados da Gallup mostram que o modelo híbrido permanece a opção mais valorizada entre as diferentes gerações, reunindo o melhor dos dois mundos: flexibilidade e proximidade.

Ainda assim, um número crescente de organizações tem vindo a reforçar as exigências de presença física, numa altura em que o debate sobre produtividade, cultura organizacional e experiência do colaborador continua a marcar a agenda da Gestão de Pessoas.

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