A Geração Z está a perder a “fé” na IA e isso é um problema para as empresas

Da ansiedade no trabalho ao esgotamento profissional, a geração mais nativa digital está a questionar se a IA está a ajudar ou a dificultar o seu trabalho.

Human Resources
15 de Maio 2026 | 10:10

Como primeira geração nativa digital, vivem e respiram tecnologia, inclusivamente, vários relatórios sugerem que a Gen Z está a liderar a adopção da IA, com praticamente a maioria a utilizá-la para auxiliar nos estudos universitários.

Contudo, um novo estudo revela que esta geração está a ficar receosa em relação a esta inovação e isso pode afectar os planos de IA de muitas empresas, avança a Inc.

De acordo com dados recentes da Gallup, mais de metade da Geração Z nos EUA utiliza IA regularmente, e 52% dos estudantes do ensino básico e secundário acreditam que precisarão de conhecer IA para o ensino superior. Contudo, os dados também mostram que o sentimento da Geração Z em relação à tecnologia está a “piorar”, escreveu o New York Times.

A percentagem de inquiridos dos 14 aos 29 anos que disseram estar “esperançados” em relação à IA caiu drasticamente desde 2025. Agora é de apenas 18%, contra 27% no ano passado. Além da esperança, os níveis de “entusiasmo” em relação à IA também diminuíram. E quase um terço concordou que a IA, na verdade, os deixou “zangados”.

Adicionalmente , 48% disse acreditar que “os riscos da IA ​​no mercado de trabalho superam os seus benefícios”, um aumento de 11 pontos percentuais em relação ao ano passado. Essencialmente, isto significa que metade da geração para quem a tecnologia é tão natural como respirar acredita que pode ser mais perigoso utilizar esta tecnologia no trabalho do que não usá-la.

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O jornal The Times cita as preocupações dos jovens com a IA, centradas na ameaça aos empregos de nível básico e no risco de a IA acabar por invadir as carreiras que ambicionavam durante os seus estudos. Outras preocupações incluem a erosão da interacção entre humanos e o aumento da desinformação gerada pela IA nas redes sociais.

Outro relatório, recente de Simon Willison, especialista em engenharia de software e defensor da tecnologia, no podcast de negócios Lenny’s Podcast, sugere um motivo diferente para o descontentamento de alguns com a IA no trabalho.

Na sua opinião, embora tenha abraçado a IA e esta tenha ajudado a acelerar aspectos do seu trabalho, por vezes a tecnologia deixa-o simplesmente exausto. «Utilizar agentes de programação de forma eficiente exige cada centímetro dos meus 25 anos de experiência como engenheiro de software», disse, acrescentando que é «mentalmente exaustivo».

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Lições importantes para as empresas

A IA está a tornar o trabalho mais exigente e a fazer com que a exaustão chegue mais cedo para alguns. A promessa de aumento da produtividade pode não ser mentira, mas pode rapidamente transformar-se em compulsão.

Este tema deve ser tido em consideração nos planos de adopção de IA nas empresas. Uma abordagem mais pragmática em relação à utilização da IA deve incluir a formação das equipas sobre as expectativas para a utilização da IA, incluindo limites e métricas claramente definidos.

Alertar os colaboradores para os riscos da “jornada de trabalho infinita” também pode ser uma boa estratégia. E se a empresa procura aumentar a motivação e a retenção de colaboradores, uma boa estratégia é destacar que a IA é apenas uma ferramenta, e que são as pessoas e o trabalho em equipa que impulsionam o sucesso da empresa. No fundo, se vai investir fortemente na expansão da IA, deve investir ainda mais no apoio à sua equipa humana.

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