Por Rita Maria Nunes, Country manager da TAB Portugal
Quando uma empresa entra em dificuldades, as explicações são sempre as mesmas, o mercado está pior, a concorrência pratica preços impossíveis, os impostos são demasiado elevados ou os clientes mudaram.
Tudo isso pode ser verdade. Mas raramente é a verdadeira razão.
Ao longo dos anos tenho acompanhado centenas de empresários e posso dizer com segurança que há um padrão que se repete com uma frequência desconfortável: as empresas não falham por falta de inteligência. Falham porque, a certa altura, deixam de ter humildade.
Humildade para admitir que já não sabem tudo. Humildade para reconhecer que o negócio mudou mais depressa do que eles. Humildade para aceitar que aquilo que trouxe a empresa até aqui não será suficiente para a levar até ao próximo nível.
O sucesso é um péssimo professor. Convence-nos de que as decisões certas do passado continuarão a ser certas no futuro. Faz-nos acreditar que a experiência substitui a aprendizagem. E é precisamente aí que muitas empresas começam a correr mal.
É curioso observar que, quanto mais pequena é a empresa, mais fácil é encontrar frases como “sempre fizemos assim”, “isto aqui funciona” ou “ninguém conhece o meu negócio melhor do que eu”.
Provavelmente é verdade. Mas conhecer um negócio não significa estar preparado para o futuro dele.
Os melhores empresários que conheço fazem perguntas muito mais vezes do que dão respostas. Procuram opiniões diferentes das suas. Rodeiam-se de pessoas que os desafiam. Aceitam ouvir aquilo que preferiam não ouvir. Porque compreenderam uma verdade simples, que quem deixa de aprender começa imediatamente a ficar para trás.
E a humildade também se manifesta na forma como se olha para a equipa. Há líderes que acreditam que pedir feedback demonstra fraqueza. Que admitir um erro reduz autoridade. Que mudar de opinião é sinal de inconsistência.
Na realidade acontece exactamente o contrário. As pessoas identificam-se mais com líderes humanos, não líderes infalíveis!
Um empresário que consegue dizer “enganei-me” conquista muito mais respeito do que aquele que insiste em defender decisões erradas apenas para proteger o ego.
Vivemos numa época em que a informação está disponível para todos. Nunca foi tão fácil aprender. Nunca foi tão fácil comparar boas práticas. Nunca foi tão fácil encontrar ajuda.
Paradoxalmente, nunca foi tão fácil acreditar que já sabemos o suficiente.
É por isso que a humildade deixou de ser apenas uma qualidade pessoal. Tornou-se uma vantagem competitiva. As empresas que continuam a crescer são aquelas que mantêm a curiosidade, que questionam processos, que desafiam certezas e que aceitam mudar antes de serem obrigadas pelo mercado.
No fim, quase nunca é a falta de capital que mata uma empresa. É a incapacidade de admitir que ainda há muito para aprender.
E talvez essa seja a maior ironia do mundo empresarial, o momento em que um líder acredita que já não precisa de aprender é, muitas vezes, o momento em que a mata o seu negócio…















