A IA está a mudar esta função tão rapidamente que o processo de entrevista não consegue acompanhar

Entre os despedimentos em massa, a competição por vagas e as fraudes nas entrevistas por causa da IA, o mercado de trabalho não está fácil para os engenheiros de software. Mas os recrutadores têm uma preocupação ainda maior: agora que a IA pode escrever código, como descobrir talento?

Human Resources
3 de Julho 2026 | 10:40

Segundo especialistas em carreira e engenheiros de software, o processo de entrevista não acompanhou a forma como a IA mudou as responsabilidades diárias dos programadores, tornando o processo de contratação mais desafiante, tanto para os candidatos como para os recrutadores, avança a CNN.

«Diria que a IA atingiu as entrevistas de engenharia como uma bomba», alerta Stefan Mai, antigo engenheiro da Meta e da Amazon e co-fundador da Hello Interview.

A engenharia de software está entre os primeiros sectores a serem impactados pela IA. Um estudo da Google do ano passado constatou que 90% dos profissionais de tecnologia utilizam a IA para tarefas como escrever e modificar código, um aumento de 14% em relação ao ano anterior. O sector tem sido acompanhado de perto como indicador da expansão da adopção da IA.

A IA pode agora ajudar os engenheiros de software a escrever código e documentação, analisar dados, aprender conceitos de programação e resolver problemas, entre outros. Isto permite às empresas tecnológicas mover-se mais rapidamente, dizem alguns executivos.

Um engenheiro da OpenAI utilizou a IA para implementar uma mudança no sistema que teria demorado à sua equipa uma semana, disse recentemente o presidente da empresa, Greg Brockman.

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Boris Cherny, responsável do Claude Code da Anthropic, escreveu no X em Dezembro que “100%” dos seus contributos para o produto nos últimos 30 dias foram escritas pelo Claude Code.

Cherny acredita que a IA está a mudar o papel do engenheiro de software, fazendo com que este se concentre na tomada de decisões de alto nível em vez de escrever código. O título “engenheiro de software” pode ser substituído por um nome como “construtor”, que capta melhor a função, disse anteriormente à CNN.

Contudo, IA não foi feita para substituir os engenheiros, garante Mohan, da Google. «Acreditamos que os programadores devem passar a maior parte do tempo a tentar descobrir o que devem construir. Esse é o tema principal.»

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Durante anos, as empresas avaliaram potenciais candidatos com testes rigorosos, mas estes testes não avaliam a forma como os profissionais delegam tarefas a um agente e utilizam a IA para lidar com problemas, gerar ideias ou trabalhar de forma mais eficiente.

Agora, alguns engenheiros sentem que estes testes já não reflectem «como será o trabalho na prática», afirma Jordan Leonard, co-fundador e director de operações da Leopard.FYI, uma rede de recrutamento de profissionais de tecnologia dirigida a mulheres e pessoas não binárias na área da engenharia.

Em Abril, o programador de software David Barajas disse ter participado em cerca de cinco ou seis entrevistas de emprego após ter sido contactado por recrutadores nos últimos seis a oito meses. Nenhum deles perguntou como é que ele incorporava ferramentas de IA para programação no seu trabalho. «A primeira coisa que dizem é: não deves usar nenhuma ferramenta de IA, nada que te ajude a resolver este problema.»

Sujata Sridharan, que trabalhou recentemente na fintech Bolt e passou cerca de uma década como engenheira de software, relatou que a maioria das empresas que a entrevistaram recentemente está a utilizar os mesmos testes tradicionais que se concentram na compreensão do código em vez de trabalhar com IA.

O rápido avanço da IA ​​significa que os requisitos das funções estão em constante mudança.

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Novas abordagens

Os empregadores começam a concentrar-se mais em questões que mostram como os candidatos pensam sobre os problemas e ponderam as vantagens e desvantagens, em vez de apenas nas suas competências de programação. Estes temas surgem tradicionalmente em entrevistas para cargos de nível sénior, mas estão agora a tornar-se mais comuns a todos os níveis.

Algumas startups experimentaram trazer candidatos para trabalhar presencialmente a tempo parcial. E está a tornar-se cada vez mais comum os gestores permitirem que os candidatos utilizem a IA durante o processo de teste.

Mas mesmo estas mudanças não captam totalmente como o trabalho é feito actualmente. Sridharan, por exemplo, geralmente colabora com a IA para resolver problemas, mas a sua experiência ao utilizá-la em testes técnicos geralmente envolve a sua utilização como substituto da programação prática.

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