À medida que os tribunais australianos lidam com o aumento da utilização de IA generativa, Nick Linke, sócio e responsável pela área de direito do trabalho e segurança no trabalho, da sociedade de advogados australiana Dentons na Austrália, deixa um alerta aos profissionais de Recursos Humanos: os sistemas de IA para anotações e chatbots que utilizam diariamente podem acabar por ser utilizados como prova contra eles.
Em entrevista à HRD, Linke afirmou que a crescente utilização de sistemas de IA em reuniões internas de RH e de gestão – incluindo discussões sobre despedimentos e rescisões contratuais – está a criar uma transcrição completa e em tempo real da tomada de decisões, algo que não existia há uma década.
«Se tiver um processo por despedimento injusto ou uma acção de protecção geral, e estas transcrições forem relevantes, podem ser utilizadas como prova no processo.»
O problema da transcrição completa em tempo real ganha relevância quando um gestor faz um comentário normal durante uma reunião gravada – por exemplo, mencionando o historial de baixa médica de um colaborador – que poderia fundamentar uma alegação de violação das normas de protecção geral.
Linke disse que comentários como este podem tornar-se “explosivos” quando captados numa transcrição que vá parar às autoridades deregulação laboral.
E acrescenta, pagar o registo pode ser pior do que mantê-lo. Algumas equipas de RH fizeram com que os assistentes de IA resumam as reuniões e, em seguida, apaguem a transcrição original.
Contudo, Linke alerta que destruir uma transcrição que poderia ter auxiliado um tribunal a chegar a uma decisão pode expor o empregador a críticas por destruir provas – mesmo quando a exclusão é uma prática deliberada e permanente.
«Mesmo quando se pensa que algo foi apagado, muitas vezes não foi», apontando para a crescente sofisticação dos peritos forenses informáticos, capazes de recuperar material que aparentemente foi removido.
O conselho de Linke é que os RH tratem cada registo de reunião assistido por IA como se eventualmente fosse lido em tribunal.
«Se usam a IA como ferramenta para fazer algo, precisam de garantir que a forma como estão a instruir a IA é algo que eles próprios gostariam de ver apresentado num tribunal.»
Ainda assim, para Linke isso não significa que os RH devam evitar a IA completamente. A tecnologia traz ganhos reais de produtividade e a sua utilização nas funções de RH está apenas a expandir-se.

















