Work Trend Index 2025 da Microsoft identifica uma tendência que vai fazer surgir uma nova função (primordial) nas empresas

Tânia Reis
24 de Abril 2025 | 10:40

A mais recente edição do Work Trend Index 2025, o relatório da Microsoft que traça as principais tendências do mundo do trabalho, conta com uma nova dimensão, ao incorporar insights de startups nativas de Inteligência Artificial (IA) e de economistas, cientistas e académicos, que sinalizam uma transformação profunda nas estruturas organizacionais e nos modelos de trabalho.

 

Na verdade, 82% dos líderes afirmam que 2025 será um ano decisivo para repensar aspectos centrais da estratégia e operações das suas organizações.

Uma das principais transformações remete para o surgimento das Frontier Firms, organizações que se distinguem pela implementação e maturidade avançada de IA, uso actual e planeado de agentes e a crença de que os agentes são fundamentais para alcançar o retorno sobre o investimento em IA. Já com 71% dos colaboradores destas empresas a afirmar que as suas organizações estão a prosperar, em comparação com apenas 37% a nível global.

Outro dos resultados é que, com a crescente pressão económica, a IA, pela sua acessibilidade e escalabilidade, oferece uma nova alavanca para o crescimento, que pode fechar a crescente lacuna entre as exigências dos negócios e a capacidade humana. Um cenário sentido por 53% dos líderes, que referem que a produtividade deve aumentar, enquanto 80% dos colaboradores referem não ter tempo ou energia suficientes para responder ao nível exigido. Sendo que, em média, são interrompidos por uma reunião, e-mail ou mensagem a cada dois minutos, um total de 275 vezes por dia, que não permite manter o foco nas tarefas diárias.

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Em resposta, 82% dos líderes esperam recorrer ao trabalho digital para expandir as suas equipas nos próximos 12 a 18 meses. O trabalho digital está a catalisar a reinvenção de empresas estabelecidas e a estimular o surgimento de organizações ainda por imaginar. No LinkedIn, as startups líderes em IA contratam a um ritmo duas vezes superior ao das grandes empresas tecnológicas. Esta dinâmica revela uma migração de talento para o ecossistema das startups, reflectindo uma transformação mais ampla no panorama da inovação e das oportunidades.

Neste contexto de mudança acelerada, a democratização da especialização proporcionada pela IA está a levar as organizações a evoluírem de estruturas rígidas para modelos de trabalho mais ágeis e orientados para resultados. Estas novas dinâmicas permitem ajustar equipas às necessidades do negócio, combinando o melhor da capacidade humana com agentes inteligentes. Segundo o Work Trend Index, 46% dos líderes afirmam já utilizar agentes para automatizar processos ou fluxos de trabalho, sendo o serviço ao cliente, o marketing e o desenvolvimento de produtos as principais áreas de investimento em IA.

Para maximizar o impacto destas equipas híbridas, o relatório sublinha a importância de uma nova métrica: a proporção entre humanos e agentes. Compreender quantos agentes são necessários para cada tarefa e qual o papel dos humanos na sua supervisão será fundamental. Esta composição ideal depende do contexto e exige equilíbrio — sobretudo em momentos em que a responsabilidade, o julgamento ou a preferência do cliente exigem um envolvimento humano claro. Saber como articular esta colaboração será determinante para o sucesso das organizações no novo paradigma do trabalho.

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À medida que estes agentes inteligentes se integram de forma crescente na força de trabalho, emerge uma nova função: o gestor de agentes, um profissional capaz de construir, delegar e gerir agentes para maximizar o impacto individual e acelerar o progresso na carreira. Os líderes estimam que, nos próximos cinco anos, as suas equipas estarão a treinar (41%) e a gerir (36%) agentes, tornando esta competência essencial em todos os níveis da organização.

À semelhança do relatório do ano passado, a IA continua a ser um acelerador de carreira para quem estiver preparado. No entanto, os líderes estão a avançar mais rapidamente: 67% já se dizem familiarizados com agentes, comparativamente a 40% dos colaboradores, e 79% acreditam que a IA impulsionará a sua trajectória profissional. Esta transformação, porém, não se restringe às posições de topo e espera-se que os agentes redefinam funções em todas as áreas, promovendo um trabalho mais estratégico e complexo desde fases iniciais das carreiras.

Embora um terço dos líderes considere ajustes na estrutura de pessoal, 78% prevêem criar novos papéis relacionados com IA e 83% acreditam que a tecnologia permitirá aos colaboradores assumir responsabilidades mais avançadas. Tal como a internet deu origem a funções que antes não existiam, a era da IA já está a moldar novas profissões. Preparar-se para este futuro é imperativo. As empresas devem equipar os seus colaboradores com as competências, ferramentas e formação adequadas porque as que o fizerem não só acompanharão a mudança, como ajudarão a defini-la.

 

Para acompanhar esta transformação, a Microsoft anunciou o lançamento do Microsoft 365 Copilot Wave 2 Spring, que traz uma nova geração de experiências impulsionadas por IA, como Agentes Researcher e Analyst, Copilot Notebooks e Search e novas capacidades no Copilot Control System.

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