A importância do multilinguismo: como o inglês enriquece a identidade cultural

Opinião de Matt Cox, Project manager no British Council

Human Resources
4 de Agosto 2026 | 11:00
A importância do multilinguismo: como o inglês enriquece a identidade cultural

Por Matt Cox, Project manager no British Council

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Portugal enfrenta um paradoxo estrutural. Apesar de figurarmos consistentemente no topo do EF English Proficiency Index (mantendo-nos no “High Proficiency” em 2025/2026), existe um abismo invisível, mas profundo: a diferença entre a literacia passiva (percepção) e a fluência estratégica (produção). É neste hiato que se perde a competitividade nacional.

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Dados do Portugal Digital Skills Report 2026 revelam que 40% das PME portuguesas admitem ter perdido oportunidades de exportação ou parcerias internacionais devido a lacunas na comunicação em inglês. No entanto, o problema é mais do que económico; é um problema de justiça social. O inglês tornou-se o novo “tecto de vidro”.

Segundo o estudo Desigualdade e Educação em Portugal (FFMS, 2025), a proficiência linguística avançada continua a ser correlacionada com o capital cultural das famílias de origem. Enquanto o ensino público garante o básico, a “fluência de liderança” é frequentemente adquirida em contextos privados. Isto cria uma barreira à ascensão de talentos brilhantes que, por falta de domínio do inglês técnico e negocial, ficam retidos em funções menos estratégicas, exacerbando o brain drain (fuga de cérebros).

O desenvolvimento do Programa de Escolas Bilingues em Inglês (PEBI) no sector público, que apoia o desenvolvimento das competências em língua inglesa dos alunos desde a educação pré-escolar até ao ensino secundário, constitui uma tentativa de reequilibrar as oportunidades.

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Agora no seu décimo ano, o programa é o foco de um estudo de avaliação conduzido por uma equipa de investigação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Este estudo independente irá, ao longo de três anos lectivos, analisar os pontos fortes e os pontos fracos do programa e criar um quadro de referência para o seu sucesso contínuo e a sua sustentabilidade.

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É tentador acreditar que, em 2026, a inteligência artificial resolveu todos os nossos problemas de comunicação. Contudo, a ideia de que a tradução automática substitui o domínio de uma língua é uma falácia que precisamos de encarar com cautela. A IA é boa a traduzir palavras, mas continua a falhar no que é essencial: a construção de confiança (rapport) e a interpretação daquelas nuances culturais que, tantas vezes, decidem o sucesso de um negócio ou de uma parceria. No fundo, o custo de não dominarmos as entrelinhas da língua em negociações de alto nível é um prejuízo invisível, mas muito real.

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Olhando para o nosso actual desafio demográfico e para a necessidade crítica de atrair talento e investimento, o domínio do inglês ganha uma nova dimensão. Para que Portugal seja o destino de eleição de nómadas digitais e quadros qualificados, temos de olhar para a nossa “infraestrutura linguística” com a mesma seriedade com que olhamos para as nossas autoestradas ou para a rede 5G. É, no limite, o que nos liga verdadeiramente ao mundo.

Para sermos realmente competitivos na economia do conhecimento, o inglês deve ser tratado como uma competência de cidadania e um pilar da produtividade nacional, e não apenas como uma disciplina curricular.

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