A mais recente vaga de “regresso ao escritório” tomou conta de muitas empresas nos EUA como a Amazon, Dell e até o Wahsington Post. Os CEO têm referido todo o tipo de razões para o regresso ao trabalho presencial, incluindo uma melhor colaboração, conectividade e um ambiente mais propício para os colaboradores desenvolverem as suas competências. Mas uma explicação diferente tem circulado nos círculos da gestão há algum tempo: a “nostalgia” dos líderes, revela a Fortune.
Não é claro de onde surgiu exactamente o termo, mas Taryn Brymn, ex-directora de programas executivos do Slack’s Future Forum (um grupo de reflexão sobre trabalho remoto que terminou em 2023), é frequentemente creditada por ter criado a frase após ouvir líderes empresariais a descrever como foi desafiante gerir equipas dispersas.
«Continuaram a insistir nesta ideia do que costumava ser. E pensei logo, sim, isto é nostalgia», disse Brymn, que actualmente trabalha na consultora McChrystal Group, à Fortune.
O cerne da ideia é que os líderes empresariais sentem falta do ambiente em que chegaram ao poder. Também prosperaram nas suas carreiras de gestão, em parte devido à sua capacidade de construir redes e reputação com base em interacções pessoais. E, de facto, alguns especialistas dizem que os executivos que têm dificuldades em gerir equipas remotas preferem obrigar todos a regressar ao escritório em vez de melhorarem as suas próprias competências.
«A menos que tenha sido exposto a diferentes modos de trabalho anteriormente, é muito difícil ver os benefícios da nova ordem actual», alerta Denise M. Rousseau, professora de comportamento organizacional e políticas públicas na Carnegie Mellon University. «Gerir eficazmente uma empresa remota ou híbrida requer formação e um nível de competências que estes líderes podem ainda não ter.»
Alguns especialistas dizem que invocar o factor “cultura” na regra do regresso ao escritório cinco dias por semana também evita as armadilhas de culturas já por si frágeis.
«Há benefícios em colaborar e falar pessoalmente, mas isso não tem de acontecer 40 horas por semana. As pessoas precisam de tempo para se concentrarem no trabalho», diz Stephan Meier, professor de Gestão e presidente do departamento de Gestão da Columbia Business School.
Os dados sobre o trabalho remoto versus trabalho presencial são mistos. Embora alguns estudos demonstrem que o trabalho remoto prejudica a produtividade, os profissionais mais jovens e a cultura da empresa, outros sugerem que a conversão do tempo de deslocação diário poupado em horas de trabalho ajuda os colaboradores a realizar mais tarefas e que a flexibilidade pode melhorar o bem-estar geral.
Uma coisa é certa: os colaboradores adoram a opção de trabalhar remotamente. Uma sondagem da Gallup a 21.543 colaboradores realizada no início deste ano descobriu que a maioria (61%) dos trabalhadores locais que trabalham a tempo inteiro com capacidade remota prefeririam um acordo de trabalho híbrido e outros 28% prefeririam ser totalmente remotos.
«Estas coisas que os líderes senior dizem sobre o modelo presencial podem ser um sinal de alerta. Obrigar as pessoas a voltar ao escritório não produz os resultados que eles dizem querer», alertou Leena Rinne, responsável global de coaching da empresa de software, Skillsoft.














