O último debate da XXXI Conferência Human Resources, que decorreu ontem, dia 19 de Março, no Museu do Oriente, foi dedicado, pela primeira vez aos jovens. Bernardo Lucas, Human Resources generalist na Syndigo; Inês Rechau, Social Media & Content manager na Worten Portugal e Tiago Mateus, estudante de Gestão Hoteleira na Universidade Europeia conversaram com Rita Oliveira Pelica, founder & CEO ONYOU, sobre as suas motivações e expectativas sobre o mercado de trabalho.
Rita Oliveira Pelica começou por questionar o painel sobre as motivações e entusiasmo que o mundo do trabalho precisa de trazer. Bernardo Lucas explicou que está no mercado de trabalho desde os 18 anos, e que ganhou uma paixão por Recursos Humanos num estágio curricular na Talenter e desde aí toda a sua carreira tem sido focada em crescer dentro do departamento de Recursos Humanos. «No início da minha carreira queria experimentar os departamentos de Recursos Humanos como o Recruitment, Payroll, Operations. E foi isso o que me motivou, para além da remuneração. Mas a grande motivação era sentir que a minha voz era efectivamente activa e que o meu contributo era notado» destacou o Human Resources generalist na Syndigo, frisando que «continua a ser uma motivação até aos dias de hoje.»
Já Tiago Mateus referiu que tem orgulho em trabalhar num sector «de pessoas para pessoas». «Quando se trabalha em hotelaria, o principal consumidor, são os hospedes, e é isso que nos dá o prazer de fazer isto. Do outro lado, temos as pessoas de várias idades com quem trabalhamos. E é isso, sem dúvida, que nos traz motivação. É um sector, onde se trabalha muitas horas e muitas vezes sob pressão, e a motivação é também chegar ao fim do dia e termos todos com a mesma missão, o mesmo objectivo.»
Inês Rechau acredita que se fala muito sobre a geração Z, mas que esta geração acaba por não ser tão diferente das outras. «Toda a gente procura sentir-se valorizada, ouvida, ter um bom ambiente. Isso motiva-se a mim, os meus colegas de painel, e todos os que estão aqui. Não interessa a idade, queremos sentir que na empresa onde estamos somos ouvidos, que somos valorizados», esclareceu, deixando ainda a nota que «depois acho que para a geração Z pode haver algo um bocadinho mais concreto, que é o propósito. Não quero ser a pessoa que fala pela geração toda, mas especificamente para mim, o propósito é algo que é muito relevante. Sentir que estou a fazer alguma coisa que tem um valor acrescido.»
À pergunta de Rita Pelica sobre como se vão conseguir diferenciar neste mundo tão tecnológico. O Human Resources generalist na Syndigo deu nota que faz parte da geração que foi aprendendo a falhar com as novas tecnologias. «No meu caso, acho que o que dá muita relevância é o problem solving, o chamado “desenrasque”, que acaba por entregar os resultados. E também perceber que numa equipa de 30 pessoas, ter uma ideia original e ensinar a uma pessoa que tem anos de experiência e que é uma mentora para nós, é fantástico. A geração Z tem o benefício de crescer com a tecnologia, por isso também temos aqui bastante know-how muito vital para a empresa.»
Por outro lado, o estudante de Gestão Hoteleira na Universidade Europeia considerou que a sua geração já nasceu com as novas tecnologias. «Neste momento, se precisar de alguma resposta muito objectiva, vou ao ChatGPT. Na hotelaria, a questão dos processos, quando temos analisar coisas, pegamos na informação metemos neste software e conseguimos chegar muito mais rápido, tanto aos resultados, como à pesquisa pretendida.»
Já em relação ao risco de ser substituído por check-ins automáticos, Tiago Mateus deixou claro que é importante diferenciar hotelaria de luxo e hotelaria comum, pois as pessoas que pagam 1000 ou 2000 euros por um quarto, querem ser recebidas por uma pessoa, que saiba o nome delas e que lhes permita ter essa experiência.
Voltando, à questão da diferenciação, a Social Media & Content manager na Worten Portugal defende que «nos diferenciamos sendo nós próprios, é isso que nos distingue das outras pessoas, que têm licenciaturas mestrados e as mesmas skills. Até porque as skills aprendem-se. Por isso, distinguimo-nos no mercado de trabalho sendo nós próprios e trazendo a nossa forma de pensar e o espírito crítico para cima da mesa. Até em redes sociais o espírito crítico vale a pena e diferencia.»
Quem é responsável pela gestão de carreira?
Questionados se a gestão de carreira é responsabilidade dos próprios, Bernardo Lucas não tem dúvidas que a gestão de carreira é de 100% da responsabilidade de cada um e faz parte das empresas identificar quem tem essa ambição e perceber, para também conseguir reter talento. Falando no seu caso concreto, revelou que «sou uma pessoa bastante ambiciosa, sei onde quero ir, sei onde quero chegar. E acho que é nossa a responsabilidade de perceber onde queremos chegar e o que temos de fazer para alcançar esse objectivo. As empresas são facilitadoras, mas o grande motivador, o grande catalisador, somos nós.»
Tiago Mateus concordou «se não formos atrás das coisas, não vamos conseguir. Mas isto não é um jogo individual, é um jogo em equipa. Temos pessoas e temos que nos agregar a essas pessoas que nos levam a esses sítios.» O estudante de Gestão Hoteleira na Universidade Europeia falou ainda da questão da mentoria, dizendo que «sem mentoria não é possível fazer essa boa gestão de carreira» e salientando a importância de «ter pessoas com muito mais experiência e conhecimento para orientar a carreira».
Inês Rechau também considera que a mentoria é muito importante, «a gestão de carreira não pode depender só de nós, porque no início da carreira não sabemos o que significa essa gestão. Daí a mentoria e os momentos de partilha serem muito importantes para conseguir fazer uma boa gestão de carreira.»
Rita Oliveira Pelica pediu ao painel que dessem conselhos às organizações. Para o Human Resources generalist na Syndigo «é fundamental as empresas serem parceiros na formação e que haja a máxima transferência possível em todos os processos, mesmo que sejam negativos. É algo que distingue as empresas.»
O estudante de Gestão Hoteleira na Universidade Europeia reiterou esta ideia e defendeu ainda a importância de criar momentos e projectos de desenvolvimento novos e diferentes e cada vez mais especializados naquilo que as pessoas procuram. Referiu ainda a necessidade dos estágios na hotelaria serem remunerados.
Já a Social Media & Content manager na Worten Portugal aconselhou as empresas a diferenciar-se para chamar a atenção e a investirem numa cultura flexível.
Conselhos para os jovens
Para terminar o debate, os jovens deixaram conselhos para os jovens que estão prestes a entrar no mercado de trabalho. Bernardo Lucas aconselhou as os jovens a experimentar várias funções e a aprender o que não gostam, porque «não há nenhuma má oportunidade» e «às vezes é preciso experimentar e falhar.» Tiago Mateus partilhou da mesma ideia, referindo também a importância de procurar várias oportunidades e não ter medo de arriscar. Inês Rechau concordou com as ideias partilhadas, mas salientou ainda a importância de falar com amigos sobre os receios.














