Por Margarida Menezes, founder & CEO Baby Sisters
Uma parte significativa da força de trabalho encontra-se hoje numa fase da vida em que concilia carreira com a responsabilidade de cuidar de filhos pequenos. E essa conciliação continua a ser um dos maiores desafios silenciosos dentro das organizações.
Em Portugal, a dificuldade em encontrar vagas em creches, os longos períodos de férias escolares e as situações inesperadas em que uma criança não pode frequentar a escola fazem parte da realidade de milhares de famílias. Para muitos pais, o dia-a-dia tornou-se um exercício permanente de equilíbrio entre trabalho, família e imprevistos.
A falta de apoio, os custos associados aos cuidados infantis e a complexidade de encontrar soluções fiáveis geram stress e desgaste emocional. E, inevitavelmente, esse impacto acaba por chegar também às empresas.
Ao mesmo tempo, muitas famílias já não recorrem aos avós como principal rede de apoio. Cada vez mais pais reconhecem que estes também têm as suas próprias rotinas e preferem não depender permanentemente deles para gerir o quotidiano familiar.
Quando não existem soluções de apoio adequadas, as consequências tornam-se visíveis nas organizações: faltas de última hora, dificuldade em cumprir horários, menor capacidade de concentração ou decisões profissionais condicionadas pela vida familiar.
E quando um desafio da vida pessoal começa a afectar directamente o funcionamento das equipas, a produtividade ou a estabilidade das organizações, deixa de ser apenas um tema individual. Torna-se, inevitavelmente, um desafio organizacional.
Durante muitos anos, os benefícios corporativos foram pensados sobretudo como complementos salariais. Seguros de saúde, subsídios ou vantagens pontuais eram vistos como suficientes para responder às necessidades dos colaboradores.
Hoje, essa lógica começa a mudar.
Os benefícios que realmente fazem a diferença são aqueles que ajudam a resolver desafios concretos da vida quotidiana das pessoas. Para muitos profissionais – especialmente pais de crianças pequenas – a gestão do cuidado infantil é um desses desafios.
Quando um colaborador sabe que existe uma solução de apoio para lidar com imprevistos relacionados com os filhos, consegue trabalhar com maior tranquilidade, foco e disponibilidade.
Num contexto em que as empresas competem cada vez mais pela atracção e retenção de talento qualificado, benefícios com impacto real na vida dos colaboradores tornaram-se também uma forma de diferenciação entre empregadores.
Os dados confirmam esta realidade. Segundo o estudo Modern Family Index, da Bright Horizons, cerca de 56% dos trabalhadores pais afirmam que o stress associado à falta de apoio nos cuidados infantis afecta directamente o seu desempenho no trabalho.
A evidência internacional reforça esta tendência. Investigação conduzida no âmbito do programa Managing the Future of Work, da Harvard Business School, indica que programas de apoio ao cuidado familiar podem gerar retornos de investimento até 72% para as empresas e reduzir o absentismo até 50%.
Não surpreende, por isso, que em mercados mais maduros o apoio à parentalidade tenha passado a ocupar um lugar cada vez mais central nas estratégias de recursos humanos. Muitas organizações já integram soluções de childcare flexível e programas de backup care nos seus pacotes de benefícios, permitindo que os colaboradores enfrentem os desafios familiares com maior segurança e previsibilidade.
Foi precisamente a partir desta realidade que a Baby Sisters* desenvolveu um benefício corporativo de apoio à parentalidade**, pensado para ajudar empresas a criar impacto real na vida dos seus colaboradores, com um enquadramento fiscal eficiente.
Para além do apoio directo às famílias no dia-a-dia, muitas organizações começam também a integrar este tipo de soluções em iniciativas internas, como eventos corporativos family-friendly, disponibilizando actividades e cuidados para crianças e permitindo que os colaboradores participem de forma mais tranquila na vida da empresa.
Conciliar carreira e parentalidade deixou de ser apenas uma questão individual das famílias. Tornou-se uma dimensão estratégica da gestão de talento. E as organizações que compreenderem esta mudança estarão melhor preparadas para atrair, reter e apoiar profissionais numa realidade em que carreira e família já não podem ser tratadas como mundos separados.














