A “rentrée”, num novo paradigma do trabalho: estarão as empresas verdadeiramente preparadas?

Human Resources
14 de Setembro 2022 | 20:50
A “rentrée”, num novo paradigma do trabalho: estarão as empresas verdadeiramente preparadas?

Luís Lemos, Portugal Branch director da Ricoh Portugal, analisa os desafios de um “novo normal”, nomeadamente nas organizações e nos modelos de trabalho e os resultados de um estudo apontam para uma certeza: o trabalho híbrido veio para ficar. 

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Por Luís Lemos, Portugal Branch director da Ricoh Portugal

 

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Agora, em que estamos na “reentré” na maioria dos negócios após o período de férias, devemos reflectir sobre como será o mundo do trabalho nos próximos tempos. Será que as empresas estão verdadeiramente preparadas para o que aí vem?

Sabemos que nos últimos dois anos o mundo sofreu várias transformações às quais o local trabalho não conseguiu “escapar”. O nosso dia-a-dia foi alterado com a pandemia e a nossa visão do escritório mudou. O teletrabalho passou a fazer parte do nosso vocabulário e a nossa casa transformou-se num espaço profissional. Volvidos mais de dois anos, ainda estamos a aprender a viver um “novo normal”. O mais recente estudo da Ricoh, conduzido pela Opinium, revela que os colaboradores ainda têm algumas reticências no que toca ao regresso ao escritório a tempo inteiro, por esse motivo defendem o trabalho híbrido flexível. Mas estarão as empresas preparadas para esta forma de trabalhar?

Os resultados são claros, apenas um em cada cinco (19%) colaboradores revela que o seu local de trabalho tem uma política de trabalho híbrida em vigor. Por outro lado, o estudo espelha ainda que as empresas não possuem as tecnologias adequadas para ambientes de trabalho colaborativos, o que se apresenta como uma barreira à implementação de formas mais flexíveis de trabalhar. Ou seja, apesar da pandemia, com a qual ainda convivemos e teremos de conviver no nosso futuro, as empresas ainda não estão preparadas para o trabalho do futuro e muitas ainda preferem que os colaboradores desempenhem as suas funções no escritório tradicional. A pesquisa desvenda ainda que as empresas continuam a preferir a forma de trabalho tradicional, com um terço dos colaboradores (36%) a dizerem que se sentem pressionados a regressar ao escritório.

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O estudo já reflecte algumas mudanças, ainda que pouco significativas, por exemplo, 45% dos colaboradores refere que houve um aumento na tecnologia de comunicação em salas de reunião para ajudar no trabalho híbrido, já 23% refere que a quantidade de espaço de colaboração no escritório diminuiu. Outra questão de extrema importância está relacionada com a segurança, que se tornou uma grande preocupação das empresas, mas apenas 32% dos colaboradores concorda que houve um aumento no acesso seguro a equipamentos, sem contacto pessoal. O que demonstra que ainda há um longo caminho a percorrer por parte das empresas para garantir que o trabalho híbrido decorra sem grandes surpresas.

Não há dúvidas de que a forma como trabalhamos influencia a produtividade e a retenção de talentos. Por isso, é urgente as empresas “abraçarem” o trabalho híbrido para garantir um bom funcionamento. Quase dois terços (64%) acreditam que deve ser a escolha do indivíduo voltar ao escritório, reforçando a exigência dos líderes à medida que moldam políticas de trabalho híbridas e equilibram a preferência dos colaboradores com as necessidades do negócio. Este facto revela uma certeza: o trabalho híbrido veio para ficar. Os colaboradores querem mais flexibilidade e liberdade na forma como trabalham e este desejo irá ditar o (in)sucesso das empresas. Boa reentré.

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