O presidente da Associação Business Roundtable Portugal (BRP), Vasco de Mello, afirmou que o país não se pode acomodar a ver sair cerca de 40% dos licenciados, defendendo uma aposta ambiciosa no crescimento económico.
«Não nos podemos acomodar a uma situação em que 40% dos nossos licenciados vão para o exterior», afirmou Vasco de Mello, sublinhando a necessidade de apostar no crescimento económico e em ganhar escala, como formas de inverter esta situação.
Vasco de Mello falava na sessão de lançamento da plataforma «Comparar para crescer», da Associação Business Roundtable Portugal (BRP), em parceria com a KPMG e com a colaboração da Informa DB, um projecto que sistematiza um conjunto de indicadores que permitem verificar a evolução e posição competitiva de Portugal em diversas dimensões, face a outros países.
O salto nas qualificações dos portugueses, observado ao longo dos últimos anos, é um dos pontos positivos em que Portugal compete bem com outros países, e que foi salientado pelos diversos intervenientes na sessão de lançamento daquela plataforma que, no entanto, apontaram também a incapacidade que o país tem tido em travar estas saídas ou em atrair estas pessoas de volta.
Precisando que nas áreas de ciência, engenharia e matemática, as qualificações dos portugueses estão até já acima da média europeia, Nuno Amado, membro da Direcção da BRP, salientou ser necessário criar condições para que as pessoas fiquem no país.
A saída de quadros qualificados para o exterior foi também referida por Vítor Ribeirinho, sócio e presidente executivo da KPMG Portugal, que apontou a necessidade de «qualquer que seja o Governo», ter de se fazer algo em relação aos jovens, para evitar que saiam do país.
Entre os vários indicadores de comparação que é possível consultar na plataforma, um deles aponta que Portugal ocupava, em 2022, o 39.º lugar no World Competitiviness Ranking, tendo perdido 11 posições face a 2000 e situando-se atrás de países como a República Checa, Estónia ou Espanha.
No mesmo período, segundo os dados, a economia portuguesa cresceu, em média, cerca de 1% ao ano e o país gerou apenas mais 23% de riqueza acumulada – cerca de metade da de Espanha.
«Nas últimas duas décadas, o conjunto dos oito países europeus que, em 2000, tinham um PIB per capita próximo do português – Itália, Espanha, Grécia, República Checa, Polónia, Hungria, Eslováquia e Estónia -, cresceu quase três vezes mais», refere a mesma informação.
Pedro Ginjeira do Nascimento, secretário-geral da BRP, espera que, ao evidenciar a posição competitiva portuguesa, a associação possa «incentivar a discussão dos caminhos de diferenciação e crescimento, contribuir para um debate mais centrado nos factos e para um reforço do sentido de urgência para a transformação de Portugal».
Sublinhando ser «óbvio» que a economia portuguesa precisa de crescer «muito mais» do que o observado nos últimos anos, Vasco de Mello afirmou que é possível inverter a situação de perda de competitividade da economia portuguesa – e com isso ter capacidade de retenção e atracção de pessoas qualificadas – sendo que tal exigirá que se cresça uma média de 3,9% ao ano. «Acreditamos que este é o momento certo para construir um futuro melhor», afirmou.
Entre os indicadores comparativos que podem ser consultados na plataforma há vários sobre a performance da economia, mas também outros sobre a taxa de pobreza, a remuneração média anual dos trabalhadores, a taxa de desemprego jovem, o nível de investimento em investigação e desenvolvimento, a taxa nominal e efectiva do imposto sobre o lucro das empresas (IRC) ou ainda a eficiência do Estado, a qualidade regulatória ou a corrupção.














