A sua equipa está exausta. É provável que a insónia seja um dos factores (parte I)

Em média, um em cada cinco dos seus colaboradores não dormiu bem na noite passada. A maioria não o partilha. E isso está a custar-lhe mais do que imagina. A Mirror SleepWise explica.

Human Resources
7 de Setembro 2026 | 12:50
A sua equipa está exausta. É provável que a insónia seja um dos factores (parte I)

Escrito pela equipa da Mirror SleepWise

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Investiu em dias de saúde mental. Implementou o EAP (programa de apoio ao colaborador). Formou as chefias para reconhecerem os sinais de burnout. E, mesmo assim, algo parece continuar a falhar, uma névoa difusa que impacta a organização. Reuniões que se arrastam. Decisões que demoram mais do que deviam. Boas pessoas a funcionar no limite.

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É bem possível que esteja a olhar para o problema errado.

O burnout é muito discutido. Mas, por trás, muitas vezes a precedê-lo e frequentemente confundida com ele, está algo muito mais comum e muito menos debatido dentro das organizações: a insónia.

O que a insónia realmente é

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A maioria das pessoas pensa na insónia como uma noite ocasional mal dormida, mas isso é apenas ser humano.

A insónia é algo diferente e não obedece a uma regra única; de acordo com a ICSD-3 (a norma clínica internacional), manifesta-se sobretudo de duas formas: a insónia de curta duração, normalmente desencadeada por picos de stress ou eventos relevantes na vida, e a perturbação de insónia crónica.

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Esta última, a perturbação de insónia crónica, é um padrão persistente (dificuldade em adormecer, em manter o sono ou em acordar cedo demais) que ocorre pelo menos três noites por semana, durante pelo menos três meses, causando um significativo comprometimento funcional ao longo do dia. Não é apenas cansaço: provoca lentidão cognitiva, desregulação emocional e uma capacidade reduzida de concentração, decisão e comunicação.

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Além disso, a insónia raramente surge sozinha. Existe uma relação forte e frequentemente bidireccional entre a privação de sono e outras condições de saúde. Coexiste frequentemente com perturbações de saúde mental, como a ansiedade e a depressão, actua como um sinal de alerta para outros distúrbios do sono, como a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS), ou é gravemente agravada por condições médicas como a dor crónica e os problemas de mobilidade.

Em Portugal, onde a cultura de trabalho moderna torna cada vez mais ténue a fronteira entre estar “ligado” e “desligado”, um estudo representativo revelou que quase 43% dos adultos referem perturbações do sono, sendo que cerca de 20% sofrem de insónia crónica. Os factores subjacentes são idênticos: ecrãs na cama, precariedade laboral e a pressão estrutural de uma vida profissional “sempre ligada”. De forma alarmante, os dados locais mostram que, embora cerca de um quarto da população cumpra os critérios clínicos de insónia, apenas cerca de 10% alguma vez recebeu um diagnóstico formal.

O custo que as empresas (ainda) não medem

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É aqui que os números se tornam difíceis de ignorar.

A investigação sobre o impacto organizacional da insónia é consistente e alarmante. Os colaboradores com insónia clínica faltam, em média, 5 a 9 dias adicionais de baixa por ano e experienciam uma perda de produtividade até 58% superior em comparação com quem dorme de forma saudável. Em funções que exigem precisão, discernimento ou comunicação com clientes, a diferença de desempenho é ainda maior.

Quando se agrega este impacto a toda a organização, o quadro deixa de ser uma questão de saúde individual e passa a ser um problema operacional e financeiro. Estima-se que o custo da insónia para a empresa (considerando absentismo, presentismo, erros e rotatividade) se situe entre 2.500 € e 4.000 € por colaborador afectado, por ano.

Para uma empresa de 100 pessoas, em que estatisticamente 20 sofrem de insónia, isso representa um encargo potencial de 50.000 € a 80.000 € por ano. Não devido a uma crise, mas a uma condição que a maioria das organizações nunca chegou a abordar directamente.

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A ligação ao burnout

Há outro motivo para os líderes de pequenas e grandes equipas se preocuparem com isto: com a privação crónica de sono, a função executiva, o pensamento crítico e a resiliência emocional são as primeiras capacidades a falhar. Reconhecer estes sinais de alerta precoces é particularmente crítico para quem ocupa funções de elevada responsabilidade e para os colaboradores sujeitos a pressão prolongada ou a exigências irregulares.

A relação entre a privação de sono e o stress é bidireccional: dormir mal aumenta os níveis de cortisol e reduz a capacidade do cérebro, o que torna os factores de stress laboral mais difíceis de absorver, o que perturba ainda mais o sono. É um ciclo, e acelera. O que começa como dificuldade em dormir após um projecto exigente pode, em poucos meses, tornar-se na desregulação crónica a que chamamos burnout.

Quando alguém chega ao seu EAP em busca de apoio para o burnout, é porque já está a dormir mal há um ano. Tratar o burnout sem abordar o sono é, em muitos casos, tratar apenas o sintoma.

Porque a maioria das intervenções não resulta

Quando os colaboradores procuram ajuda, ou quando as organizações tentam disponibilizá-la, as ferramentas habituais não são suficientes.

Os conselhos de higiene do sono (evitar ecrãs antes de dormir; manter os quartos frescos; horários de sono consistentes) não estão errados, mas abordam as condições à volta do sono, e não os mecanismos da própria insónia. Para alguém com insónia, ouvir “comece a relaxar mais cedo” é o equivalente a dizer a alguém com uma perna partida que “tente caminhar com mais cuidado”.

As apps de meditação e relaxamento têm valor genuíno na gestão do stress, mas não são um tratamento para a insónia. As evidências científicas simplesmente não as sustentam como tratamento para um distúrbio clínico do sono.

Os comprimidos para dormir (ainda a resposta mais comum) podem tratar do sintoma de forma imediata, mas com frequência agravam o problema subjacente ao longo do tempo. Suprimem a arquitectura do sono que precisa de ser reeducada e criam padrões de dependência que complicam a recuperação.

A única intervenção com uma base de evidência sólida e consistente para tratar a insónia pela raiz é a Terapia Cognitivo-Comportamental para a Insónia (conhecida por CBT-I, em inglês). Abordá-la-emos em detalhe na Parte 2 desta série.
Para já, a questão mais imediata é: sabe quantos dos seus colaboradores são afectados pela insónia?

 

Como leitor da Human Resources, a Mirror SleepWise disponibiliza-lhe um teste de insónia gratuito cientificamente validado: anónimo, com três minutos de duração e sem compromissos.

 

A Mirror SleepWise disponibiliza terapia digital para a insónia com base científica, assente nos princípios da CBT-I, e conta com a confiança de parceiros como a Helan Insurance e o Hospital da Luz. Este artigo é o primeiro de uma série de três partes sobre sono, desempenho e bem-estar organizacional.

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