Em vez de correrem o risco de ficar desempregados, os trabalhadores estão a isolar-se emocionalmente para lidar com a situação, e o TikTok cunhou o conceito de “date them till you hate them”, ou seja, algo semelhante a “do amor ao ódio”.
Num mercado de trabalho estagnado e crescentes receios em relação à estabilidade no emprego, os trabalhadores estão agora a agarrar-se a papéis que já não servem. E tal como as pessoas permanecem em relações românticas insatisfatórias (permitindo que o ressentimento cresça de tal forma que, quando o inevitável fim chega, já estão prontas para seguir em frente), esta tendência está a levar os profissionais a fazer o mesmo nos empregos em que estão “presos”, avança a Fortune.
«No geral, estamos a ver esta tendência mais com a Geração Z do que com outras gerações», disse à Fortune Annie Rosencrans, directora de Pessoas e Cultura da HiBob, uma plataforma de RH. «Há uma relutância em deixar os empregos neste momento devido à situação do mercado; por isso, mesmo nas circunstâncias mais infelizes no ambiente de trabalho, a Geração Z sente a necessidade de permanecer nessa função.»
E isso está a levar a uma espécie de isolamento no local de trabalho. «À medida que os trabalhadores descem na escala, passando a não gostar ou até a odiar os seus empregos, tornam-se mais desligados e desmotivados», alertou Rosencrans. «Ninguém se sente motivado para ter um desempenho de alto nível quando há um trabalho, uma empresa ou um gestor com o qual não se entusiasma, ou, especialmente, um de que não gosta.»
A tendência “do amor ao ódio” não é a única táctica tóxica de relacionamento que está a infiltrar-se no local de trabalho. Outra resposta popular à falta de engagement é o ghosting.
Semelhante a um mau encontro, não aparecem nas entrevistas de emprego sem sequer um telefonema.
O site de emprego Indeed entrevistou 1.500 empresas e 1.500 trabalhadores do Reino Unido e descobriu que o “job ghosting” é comum, com 75% dos trabalhadores a afirmarem ter ignorado um potencial empregador no último ano.
Outros praticam “catfishing profissional”, chegando ao ponto de aceitar uma oferta de emprego e depois não aparecer, sendo que 21% o fazem por desafio. Outros admitem que “simplesmente não estavam para aí virados”.
Mas a prática não é totalmente unilateral, uma vez que se sabe que os candidatos também são alvo de ghosting após várias rondas de entrevistas. De facto, o “ghosting” tornou-se tão grave para os candidatos que países como o Canadá intervieram com legislação.
Como lidar com a falta de engagement dos colaboradores
Uma das melhores formas de os empregadores reverter a situação é perguntar proactivamente aos jovens colaboradores o que podem fazer para ajudar.
«Se um gestor ou uma equipa de RH perceber que isto está a acontecer, é importante que intervenham e tentem encontrar a raiz do problema», disse Rosencrans. «Marcar uma reunião individual para verificar o estado do colaborador é um primeiro passo importante.»
«Devem perguntar directamente à pessoa como se sente, em que gostaria de trabalhar de forma diferente, como tornar a cultura da equipa mais estimulante ou gratificante e as suas ideias sobre o que pode ser feito para criar um melhor sistema de apoio», acrescentou. «A partir daí, o gestor tem insights práticos e deve agir mais do que apenas ouvir.»














