Os activos globais de pensões registaram, em 2022, a sua maior queda, desde a Crise Financeira Global de 2008, após mais de uma década de crescimento constante, segundo o mais recente “Estudo dos Activos Globais de Pensões” do Thinking Ahead Institute, pertencente à WTW Investments, onde é referido que este valor é de, agora, 47,9 biliões de dólares.
Ainda que se verifique uma queda de 16,7% num ano, devido maioritariamente a correções no mercado de rendimento fixo e de acções, os Estados Unidos da América (EUA) continuam a assegurar a sua posição líder no maior mercado de pensões, seguindo-se do Japão e Canadá.
Estes três mercados representam, em conjunto, mais de 76% dos activos de pensões dos maiores 22 mercados de pensões, estando em quarto lugar o Reino Unido, como consequência das perdas sofridas pelos fundos de pensões.
As alocações globais a acções registaram um decréscimo de 50% para 42%, em 2022, e a alocação a obrigações de 38% para 32%. Quanto à alocação a outros activos, nomeadamente mercados privados e alternativos, contabilizou-se um aumento de 9% em 2002 para uma estimativa de 23%, no final do mesmo ano.
«No ano passado vivemos, até certo ponto, uma policrise global na qual, como resultado, vários riscos combinados foram amplificados e manifestaram-se em quedas significativas de ativos», explicou a chefe do Thinking Ahead Institute, Marisa Hall, ao acrescentar que «estes riscos sistémicos irão aumentar no futuro e emanarão predominantemente de fontes ambientais, societárias e geopolíticas».
A seu ver, «esta situação apresenta desafios a curto prazo que não podem ser ignorados», sendo o principal, «que é quase impossível, determinar o preço exato destes riscos, uma vez que têm uma elevada incerteza e baixo controlo, mas é provável que o seu impacto seja amplo e significativo e testará a resiliência organizacional».
«Em Portugal, 2022 também foi de baixas rendibilidades para os fundos de pensões», comentou o director da WTW Portugal, José Marques, ao sublinhar que «a estimativa da WTW, baseada numa amostra de cerca de 75% dos fundos de pensões portugueses, aponta para uma rendibilidade de -11.4% no ano passado».
O resultado menos negativo pode, de acordo com José Marques, ser justificado com o perfil «mais conservador dos fundos de pensões portugueses em comparação com os maiores mercados mundiais».
«A alocação média a acções é de apenas 23% e a alocação ao mercado imobiliário e outros investimentos alternativos de apenas 14%. Estes valores comparam com 32% e 23%, respectivamente, nos maiores mercados mundiais de fundos de pensões», esclareceu o director da WTW Portugal.
Enquanto os EUA e a Austrália registam alocações a acções mais elevadas do que os restantes sete maiores mercados de pensões (P7), o Japão, os Países Baixos e o Reino Unido têm alocações a obrigações mais altas.
Relativamente às pensões de Benefício Definido (BD), a tendência de diminuição mantém-se em todo o mundo na alteração para planos de Contribuição Definida (CD), sendo que os activos globais de CD cresceram 7,2% por ano, em comparação com os 4,4% da taxa de crescimento anual dos activos de BD, nos últimos 20 anos.














