A primeira sessão, dedicada ao tema “Governança e Ética Empresarial nas PME”, colocou em destaque o papel crescente da ética, do compliance e da governance na construção de organizações mais sustentáveis, mais resilientes e mais competitivas. O debate juntou Helena Gonçalves, professora e coordenadora de Ética Empresarial na Católica Porto Business School, e Sandra Cunha, directora do departamento Jurídico e da Comissão de Compliance do Grupo Salvador Caetano, cruzando perspectivas académicas e empresariais sobre os desafios da implementação de práticas éticas nas organizações.
«A ética não depende da dimensão da organização. Aplica-se sempre — numa empresa com sete, cinquenta ou cinquenta mil trabalhadores», afirma Helena Gonçalves. Para a especialista, a ética empresarial não é um conceito abstrato, mas uma prática quotidiana, presente na forma como se lidera, se decide e se constrói confiança dentro das organizações. «Fazer ética nas organizações é, no fundo, fazer bem as coisas para os outros. É construir empresas credíveis, responsáveis, sustentáveis e capazes de gerar valor». A docente sublinha ainda a ligação direta entre cultura organizacional e desempenho económico.
O debate integra também a experiência do Grupo Salvador Caetano, onde a existência de uma Comissão de Compliance autónoma reforça a organização interna, a monitorização de riscos e a capacidade de resposta em matérias de integridade empresarial.
Segundo Sandra Cunha, o objectivo destas estruturas não passa por “tornar automaticamente uma empresa mais ética”, mas por criar processos claros, formalizar políticas e garantir mecanismos consistentes de atuação. Atualmente, a Comissão acompanha matérias relacionadas com assédio laboral, conflitos de interesse, prevenção do branqueamento de capitais, combate à corrupção e gestão do canal de denúncias, abrangendo não apenas a operação nacional, mas também a atividade internacional do grupo.
Para Sandra Cunha, as exigências de compliance ganham cada vez mais peso na relação entre empresas e tendem a propagar-se ao longo das cadeias de valor. “À medida que determinadas exigências chegam às grandes organizações, essas obrigações acabam inevitavelmente por se refletir nos parceiros e fornecedores. É importante que as empresas mais estruturadas também apoiem outras organizações neste percurso.”
A responsável defende, contudo, que práticas éticas não dependem necessariamente de estruturas complexas ou grandes recursos internos. “Em empresas pequenas, implementar uma cultura ética pode até ser mais simples. Sendo uma questão sobretudo cultural, muitas vezes começa pela proximidade, pela conversa, pela formação e pela definição clara do que é aceitável dentro da organização.”
Entre os desafios emergentes, destaca ainda a mudança de expectativas das novas gerações relativamente à qualidade das relações de trabalho, à linguagem organizacional e aos limites dos comportamentos aceitáveis no ambiente profissional.
Integrada no projecto “Novo Rumo a Norte – Rumo à Sustentabilidade”, a iniciativa reforça o compromisso da AEP com a capacitação das micro, pequenas e médias empresas da região Norte, promovendo modelos de gestão mais conscientes, preparados e alinhados com os desafios ambientais, sociais e de governance que marcam o futuro das organizações.
A iniciativa integra o projecto “Novo Rumo a Norte – Rumo à Sustentabilidade”, criado para impulsionar o crescimento sustentável das empresas da região, reforçando a sua competitividade e capacidade de adaptação aos desafios da transição verde e digital. Assente na continuidade do trabalho que a AEP tem vindo a desenvolver junto das empresas do Norte, o projecto pretende responder às atuais lacunas existentes na cadeia de valor e fortalecer o ecossistema empresarial regional, promovendo a sustentabilidade como fator de diferenciação, inovação e resiliência. Com um investimento global de 924.627,28 euros, cofinanciado pelo NORTE 2030, Portugal 2030 e União Europeia, e execução prevista até ao segundo trimestre de 2027, o projeto irá abranger 500 MPME da região Norte, disponibilizando ferramentas práticas, conhecimento especializado e ações de capacitação em áreas estratégicas da sustentabilidade empresarial.














