Segundo a HRD, uma nova investigação sugere que os chamados job hoppers podem trazer vantagens importantes para as organizações, especialmente em funções onde a capacidade de adaptação rápida é crítica.
Durante anos, muitos recrutadores olharam com desconfiança para currículos repletos de mudanças de empresa. A crença predominante era simples: quem muda frequentemente de emprego tende a ser menos leal, mais propenso a sair novamente e, por isso, representa um investimento mais arriscado. No entanto, uma nova investigação da Cornell University e da Rutgers University desafia esta visão tradicional.
O estudo, publicado no Academy of Management Journal, analisou dados de 8.700 gestores de fundos de investimento em mais de 2.100 empresas norte-americanas ao longo de 27 anos. Os resultados mostram que profissionais com historial de mudanças frequentes de emprego adaptam-se mais rapidamente a novos contextos organizacionais do que colegas com percursos mais estáveis.
A verdadeira dificuldade não está nas tarefas, mas na integração
Segundo os investigadores, o maior desafio de uma mudança profissional raramente está relacionado com as competências técnicas. Na maioria dos casos, os colaboradores conseguem aprender os aspectos operacionais da função relativamente depressa. O que demora mais tempo é a integração social e cultural.
Compreender a dinâmica das equipas, construir relações de confiança, adaptar-se a novas formas de trabalho e perceber as regras não escritas da organização são factores que influenciam directamente o desempenho dos recém-contratados.
Foi precisamente aqui que os profissionais com maior histórico de mobilidade demonstraram uma vantagem significativa. Enquanto a maioria dos novos colaboradores demorava cerca de cinco meses a recuperar os níveis de desempenho anteriores à mudança, os job hoppers necessitavam, em média, de apenas dois meses.
Adaptabilidade torna-se uma competência estratégica
Os autores concluem que mudar de empresa repetidamente pode desenvolver competências comportamentais valiosas, nomeadamente a capacidade de navegar na incerteza, compreender rapidamente novas culturas organizacionais e adaptar-se a diferentes formas de trabalho.
Esta vantagem foi particularmente evidente em contextos que tendem a ser mais exigentes para novos colaboradores, como funções altamente colaborativas, equipas compostas por profissionais com muitos anos de casa e mudanças para novas regiões geográficas.
Segundo os investigadores, estes profissionais desenvolvem não apenas a capacidade de aprender novas práticas, mas também de abandonar hábitos e formas de trabalhar que deixaram de ser relevantes no novo contexto.
O que significa para recrutadores e líderes de RH?
As conclusões surgem numa altura em que o mercado de trabalho continua marcado pela necessidade de competências adaptativas e pela aceleração da transformação organizacional. Para os responsáveis de recrutamento, a investigação sugere que o número de mudanças de emprego não deve ser analisado apenas como um potencial factor de risco.
Em determinadas funções, a rapidez de integração pode representar uma vantagem competitiva significativa. Nesses casos, candidatos com experiência em múltiplas transições profissionais podem trazer valor imediato às equipas.
Uma visão mais equilibrada sobre a mobilidade profissional
Os investigadores sublinham que os resultados não significam que os profissionais que mudam frequentemente de emprego sejam sempre os melhores candidatos. Contudo, defendem que a perspectiva tradicional pode estar a ignorar competências importantes que resultam precisamente dessas experiências acumuladas de adaptação.















