Afinal, quem ganha mais com os aumentos salariais? O trabalhador ou o Estado?

Human Resources
12 de Abril 2023 | 09:10
Afinal, quem ganha mais com os aumentos salariais? O trabalhador ou o Estado?

Em Portugal, os baixos salários estão também relacionados com os altos impostos, o que se comprova através do valor que as empresas pagam aos colaboradores e o que efectivamente estes recebem. Veja os calculos.

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Para um trabalhador receber 777 euros líquidos mensais, excluindo o subsídio de alimentação, o que equivale a um salário bruto de 1.000 euros, a empresa tem de pagar 1.238 euros mensais.

No caso de o salário ser de 2.000 euros brutos, para o trabalhador receber 1.343 euros o empregador tem de pagar 2.475 euros. Já se o ordenado for de 3.000 euros mensais, o colaborador recebe 1.860 euros e a empresa tem de pagar 3.712 euros.

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Nos três exemplos avançados, o Estado retém:

 

Salário bruto Valor que o trabalhador recebe Valor que a empresa paga Valor que o Estado recebe
1.000€ 777€ 1.238€ 461€
2.000€ 1.343€ 2.475€ 1.132€
3.000€ 1.860€ 3.712€ 1.852€

 

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O conceito para a diferença do valor que uma empresa paga e o que o trabalhador recebe apelida-se de iato fiscal ou ‘tax wedge’, em inglês. Se, por exemplo, uma pessoa ganhar 1.000 euros líquidos e a empresa tiver o intuito de o aumentar para 1.500 euros líquidos, o custo adicional é de 1.147 euros mensais. Nesta hipótese, o trabalhador recebe mais 500 euros, enquanto o Estado ganha 647 euros adicionais.

Num salário médio de 4.702 euros brutos o iato fiscal é de 42%, percentagem que vai para o Estado. Já num ordenado equivalente a dois salários mínimos, por exemplo, o iato fiscal passa para 49%, quase metade.

Estes são os valores mais altos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), sendo que o nosso país é dos que tem os salários mais baixos, situando-se atrás de Espanha, primeira nação abaixo da média, e à frente da Grécia e Hungria.

Em Espanha, o salário líquido mensal é de 1.512 euros enquanto em Portugal é de 1.059. Quanto a França ou Alemanha é superior a 2.000 euros e, no Reino Unido, está acima de 2.800. Já na Suíça, que está no topo da lista, é mais de 5.300 euros líquidos.

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Perante as desigualdades, o Governo português está a considerar descer impostos para empresas que contratem jovens, tendo sido apresentada uma proposta de salários para, pelo menos, 1.330 euros brutos para pessoas até 25 anos que estejam desempregadas.

Caso a proposta avance, os trabalhadores que preencham estes requisitos vão receber mais 150 euros por mês, parte de um subsídio do Estado, e as empresas só vão pagar metade da Taxa Social Única (TSU), contudo apenas durante um ano. Com esta iniciativa, o Governo espera chegar a vinte cinco mil jovens.

Nos últimos anos, foram quase duzentos mil os jovens que optaram por sair de Portugal por se encontrarem sem solução para as suas necessidades, não só relativamente aos baixos salários como também ao problema da habitação. O país fica assim a perder factores como talento, inovação e natalidade.

 

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