A Alemanha está a avaliar a possibilidade de terminar com a semana de trabalho de 35 horas, uma medida que afecta cerca de um quinto dos trabalhadores, sobretudo nos sectores automóvel, industrial e siderúrgico, devido a uma quebra significativa da produtividade e ao aumento dos custos de mão-de-obra.
A semana de trabalho reduzida, que foi implementada há 40 anos após longas negociações e greves lideradas pelos sindicatos industriais, tem sido alvo de críticas recentes por parte dos grandes grupos industriais, que relatam um aumento dos custos laborais que prejudica a competitividade do país.
Segundo o The HuffPost, Martin Brudermüller, presidente do conselho de supervisão da Mercedes-Benz, declarou ao jornal alemão Handelsblatt que os custos de mão-de-obra são “muito caros quando se têm em conta as normas internacionais”. Estas declarações sugerem a intenção de retomar as negociações para restaurar a semana de trabalho de 40 horas.
Os empregadores justificam este pedido com o elevado custo de contratação na Alemanha, onde o salário por hora no sector industrial é de 49,50€, valor 47% superior à média da União Europeia e significativamente mais alto do que em países da Europa de Leste, onde o custo por hora pode ser apenas um terço do alemão.
Apesar dos custos elevados, a produtividade alemã continua superior à de muitos países da Europa de Leste, embora Brudermüller tenha lamentado que o país tenha perdido a sua “vantagem de produtividade” em relação a alguns concorrentes.
Executivos de outras empresas, como a marca de ferramentas Stihl, também têm manifestado a necessidade urgente de aumentar o horário de trabalho para melhorar a produção.
A queda na produção industrial, que registou uma redução de 15% desde 2018, e a diminuição do emprego em 5% no mesmo período, sobretudo no sector automóvel devido à transição para a electrificação e à concorrência chinesa, tornam o cenário particularmente desafiante para a indústria alemã.
Está agendada uma reunião entre empregadores e sindicatos para Outubro, onde será discutida a situação e consideradas possíveis soluções. Espera-se que os sindicatos mantenham uma posição firme e rejeitem alterações ao horário de trabalho.
Actualmente, a média semanal de trabalho na Alemanha é de 37,8 horas, valor que inclui tanto trabalhadores a tempo inteiro como a tempo parcial, pelo que não representa um padrão uniforme para todos os sectores.
A Alemanha encontra-se entre os países da OCDE onde as pessoas trabalham menos horas, mas as empresas industriais acreditam que aumentar o horário de trabalho, mantendo o mesmo salário, poderá potenciar a produção.



















