As concentrações de gases de efeito estufa atingiram valores recordes em 2020, segundo revelou um estudo recente das Nações Unidas. O aumento dos alarmes sobre as mudanças climáticas constituem, apesar de tudo, motivos para uma procura mais intensa no mercado de trabalho por especialistas ambientais que possam ajudar os líderes corporativos a construir um mundo mais verde e mais amigo do ambiente.
De acordo com o Bureau of Labor Statistics, agência governamental americana, os empregos em ciências ambientais e especialidades devem crescer até 8% na próxima década, uma média superior à média dos EUA de crescimento de emprego.
“Tanto o Governo quanto as empresas entendem que a mudança climática está aqui e que precisam de mitigar ou mesmo tentar impedir que piore”, explicou Valeria Orozco, diretora da sustentabilidade da Even, numa reportagem avançada pelo ‘CNBC’. “Há uma componente de saúde ambiental nas mudanças climáticas, assim como após a pandemia da Covid-19”, frisou. “As pessoas querem mais espaços verdes abertos porque a taxa de transmissão é menor em ambientes externos, o que é especialmente importante em regiões mais densamente povoadas. As pessoas preocupam-se mais com a qualidade do ar interno e ventilação para conter a propagação do vírus.”
Os trabalhos ambientais são multifacetados e por isso são os mais suscetíveis de maior procura no futuro. Por exemplo, engenheiros civis que prestam maior atenção à construção de estruturas resilientes a desastres naturais maiores e mais intensos, para que as cidades possam recuperar de eventos climáticos extremos mais rapidamente.
Instaladores de painéis solares, que ajudam as pessoas a adotar fontes de energia renováveis, ou os gestores ambientais que incentivam as empresas a considerar os riscos associados às mudanças climáticas e seguir regulamentações ambientais definidas pelo Governo. “Em todas estas funções, os profissionais desejam que as pessoas se perguntem: ‘O que é que as mudanças climáticas significam para as nossas vidas, negócios ou operações?’”, considerou Orozco.
Técnicos de manutenção de turbinas eólicas e instaladores de energia solar fotovoltaica estão no topo da lista dos empregos de mais rápido crescimento, à medida que mais empresas e proprietários de residências consideram a troca de combustíveis fósseis por energia eólica e solar. A Agência Internacional de Energia relatou que as energias renováveis devem dominar os investimentos em energia em 2021, cerca de 70% dos 530 mil milhões de dólares que os países gastam em energia verde.
Outros empregos, incluindo cientistas ambientais e técnicos de proteção, cientistas de solo e plantas, bem como engenheiros florestais, silvicultores ou inspetores de incêndios florestais, em particular, tornaram-se mais críticos devido ao aumento dos incêndios.
Várias dessas funções exigem um diploma ao nível do bacharelato mas implicam igualmente fortes capacidades de comunicação, como um dos fatores para ter sucesso numa função ambiental. “As pessoas ainda veem a sustentabilidade com muito cinismo”, explicou Orozco. “Tem de ser capaz de construir confiança, credibilidade e para comunicar com os seus colegas sobre questões delicadas, somente as habilidades técnicas não o vão levar muito longe.”














