Alterações legais dificultam recrutamento agrícola no Alentejo

Conheça as conclusões do inquérito anual aos associados da AHSA – Associação de Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos concelhos de Odemira e Aljezur.

Margarida Lopes
12 de Maio 2026 | 10:40

Mais de dois terços das empresas do sector agrícola do sudoeste alentejano preveem enfrentar dificuldades no recrutamento de mão-de-obra na próxima campanha.

Segundo o estudo, as empresas que antecipam este problema apontam as alterações legislativas na lei da migração e consequente complexidade burocrática dos processos de regularização e contratação de imigrantes (33%) como o principal factor. Outras causas incluem a procura por melhores condições de vida e de trabalho noutros locais e países (14%); o desequilíbrio entre a oferta e a procura (14%) e a falta de alojamento (9,5%).

Face às preocupações demonstradas, o inquérito confirma ainda a forte dependência de mão-de-obra, em particular de trabalhadores estrangeiros. Neste ponto, refira-se que 74% das organizações têm mais de metade dos seus postos de trabalho preenchidos por imigrantes, com a maioria (55%) a destacar uma proporção superior a 75%.

Apesar dos receios, as expectativas para o volume total de negócio durante o próximo exercício são globalmente positivas: mais de 60% das empresas espera um aumento e 29% antevê estabilidade. O mesmo se verifica no que diz respeito às previsões do valor das exportações, com mais de metade das empresas a predizer uma subida e 32% que se mantenha estável.

O inquérito sublinha também a forte vertente exportadora da agricultura do sudoeste alentejano: 65% das empresas exportam mais de 70% da produção, número que ascende a 77% no caso das que exportam mais de 40%. França, Reino Unido, Países Baixos, Espanha e Alemanha surgem em destaque como os principais mercados.

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Relativamente aos resultados da actividade em 2025, a maior parte das empresas (75%) faz um balanço alinhado com ou acima das expectativas. Os dados evidenciam também que a maioria das empresas (81%) apresenta um volume de negócio anual superior a um milhão de euros e 45% mais de cinco milhões de euros.

Os dados surgem como resultado do inquérito anual da AHSA aos seus associados. A amostra é composta por mais de 30 empresas hortofrutícolas portuguesas da região do Sudoeste alentejano. O período de auscultação decorreu entre 18 de Agosto e 15 de Novembro de 2025 e obteve uma taxa de resposta de 80%.

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