Altice Portugal: Comunicação de futuro

Com um universo de colaboradores que junta diferentes gerações, a Altice Portugal aposta na comunicação interna não apenas para informar, mas também para envolver os seus colaboradores.

 

Integrada num sector tão competitivo como o das telecomunicações, a Altice Portugal procura diariamente informar, formar, motivar e envolver uma comunidade muito heterogénea que conta já com oito mil colaboradores. Para per- ceber como funciona a Comunicação Interna no seio da Altice Portugal, falámos com André Figueiredo, do Gabinete do Presidente Executivo da Altice Portugal e da Direcção de Coordenação Institucional, Corporativa e Comunicação.

 

Qual a importância da gestão de pessoas na estratégia da Altice Portugal?
A Altice Portugal tem como principais políticas de desenvolvimento de talento o desenho e implementação de programas customizados às áreas e necessidades de negócio. Essas políticas passam, por exemplo, pela rotatividade de funções, programas de formação transversal (comportamental) ou técnico, coaching, mentoring, criação de planos de sucessão, sobretudo para cargos de gestão.

Por sermos uma empresa com raízes profundas na história das telecomunicações, coexistem ainda diversas culturas e experiências, sendo o confronto geracional um desafio ao nível da gestão de Recursos Humanos. Por um lado, temos o conhecimento e a maturidade dos colaboradores mais velhos mas, por outro, a necessidade de rejuvenescimento em algumas áreas de negócio, onde procuramos competências ao nível da literacia digital.

A retenção de talento tem sido uma das nossas principais prioridades, atendendo à actual dinâmica do mercado de trabalho português e internacional, especialmente nas funções de cariz mais tecnológico. Os jovens procuram ter valor de mercado, ou seja, investem na sua empregabilidade, procuram projectos aliciantes, pelo que o conceito de “emprego para toda a vida” já está totalmente ultrapassado. Assim, para sermos competitivos, temos de ter respostas para as necessidades de cada um, de forma individual, garantindo oportunidades de desenvolvimento, crescimento e a sua valorização profissional.

No âmbito da nossa estratégia, promovemos a qualidade de vida dos nossos colaboradores, bem como um ambiente de trabalho sadio. Nesse sentido, a Altice Portugal dispõe de um conjunto de mecanismos de apoio à família, ao colaborador e à sua carreira. São disso exemplo as medidas de Responsabilidade Social Interna, que pretendem acompanhar todo o percurso familiar do colaborador nas suas várias componentes: crescer, apoiar e viver.

A Altice Portugal tem, ainda, investido na proximidade junto dos seus co- laboradores, através de medidas de envolvimento, como celebração de datas (aniversário, antiguidade), estágios de Verão para os filhos dos colaboradores, Hotdesks (trabalhar um dia por semana num edifício da empresa mais perto de casa), teletrabalho, acordos e parcerias com empresas e instituições (ginásios, escolas, agências de viagens, lojas de roupa e/ou tecnologia, etc), entre outros, promovendo um bom clima organizacional.

 

Em que pilares se apoia a estratégia de Comunicação Interna da Altice?
Os pilares de Comunicação Interna não podem estar dissociados dos pilares da estratégia da empresa: a Inovação, o In- vestimento em tecnologia, a Qualidade de Serviço, a Proximidade e a Responsabilidade Social são a base e estão intrínsecos em todas as iniciativas de comunicação que desenvolvemos. A Inovação está no nosso ADN e não
se resume aos colaboradores das áreas tecnológicas. Por isso temos um programa de inovação incremental em que todos os colaboradores são chamados a participar com as suas ideias e são desafiados diariamente a fazer diferente.

A Qualidade de Serviço é fundamental para a nossa liderança e é uma responsabilidade de todos os colaboradores. Todos são convidados a introduzir melhorias na sua forma de trabalhar, transformando processos que se traduzam numa maior eficácia e melhor qualidade de serviço, que terá impactos internos, nos nossos parceiros e, naturalmente, nos clientes. Para reforçar a importância deste pilar, todos os colaboradores vão ser avaliados já em 2019 em função do índice de qualidade de serviço ao cliente.

Queremos ser próximos de todos os colaboradores e por isso, a título de exemplo, todos os meses promovemos um pequeno-almoço entre colaboradores e um membro da Comissão Executiva.

Também nos nossos périplos pelo País procuramos sempre ter um momento de encontro com os colaboradores dessas localidades. São exemplos importantes de momentos de partilha.

A Responsabilidade Social é um pilar que norteia a Comunicação Interna há já alguns anos, e que queremos ver reforçado. A Altice Portugal dinamiza diversas iniciativas de voluntariado, onde os colaboradores são convidados a ajudar em várias causas que a Fundação Altice apoia (recolha de alimentos para o Banco Alimentar, recolha de brinquedos, alimentos, vestuário, entre muitas outras).
Nos últimos anos dinamizámos caminhadas e corridas solidárias, onde colaboradores e familiares se unem em torno de uma causa que visa diversos propósitos, promover uma vida saudável, ajudar quem precisa e criar espírito de equipa e envolvimento dos colaboradores. Outro exemplo foi a campanha MEO #NãoFiqueàEspera. Uma campanha externa, mas que também originou uma forte campanha de endomarketing em diversos meios internos durante todo o mês de Março e que envolveu todos os colaboradores.

 

Qual é o papel actual do colaborador da Altice enquanto embaixador da marca e como se pretende que esse papel evolua no futuro da organização?
Sempre entendemos os nossos colaboradores como embaixadores das nossas marcas e serviços e são várias as iniciativas que há já bastante tempo colocamos em prática: temos o programa embaixador, que garante que os
colaboradores consigam divulgar a nossa melhor oferta aos seus familiares e amigos; temos um canal de atendimento específico para colaboradores, em que estes podem resolver as questões sobre os nossos serviços às pessoas do seu círculo de influência; divulgamos sempre em primeira mão aos colaboradores as nossas campanhas externas para que estes sejam os primeiros a divulgá-las nas suas redes sociais.

Queremos que este papel evolua, de facto, e se torne ainda mais preponderante. E por isso vamos apostar numa plataforma que vai facilitar o employee advocacy. Queremos, de facto, que os colaboradores assumam cada vez mais um papel activo na divulgação das nossas mensagens, campanhas, ofertas e de como os envolvemos nos diversos projectos que existem na organização.

 

Que práticas inovadoras preconizam para uma melhor Comunicação Interna?
Lançámos recentemente uma iniciativa inédita e disruptiva e que tem todas as condições para se tornar uma tendência: nomeámos sete colaboradores, com idades entre os 23 e os 34 anos, como membros do Next Generation ComEx. Estes jovens trabalham em áreas diferentes da empresa e vão ter um papel influenciador junto do Comité Executivo da Altice, assumindo cada um a responsabilidade de um dos sete pelouros. Este grupo de jovens quadros irá reunir-se periodicamente para discutir sobre temas sérios.

Temas e ideias que, sempre que se justifique, serão levados ao ComEx para uma análise e debate mais profundo. Nestas ocasiões, os elementos do ComEx júnior sentar-se-ão ao lado dos respectivos “pares” de pelouro para, lado a lado, discutirem e, quem sabe, decidirem sobre a estratégia da empresa. Este projecto é, antes de mais, de proximidade, ao concorrer para criar uma fina ligação entre os colaboradores da Altice Portugal e os objectivos estratégicos da empresa, tendo sempre subjacente a partilha, a prontidão e a eficiência nas decisões rá- pidas. Mas vai ainda mais longe, ao pretender absorver os valores, a dinâmica e o pensamento das novas gerações, fundamentais para melhorar a adaptação da empresa às novas realidades, ambições e aos novos desígnios, e essenciais para o sucesso empresarial no futuro.

A criação de conteúdos por parte dos colaboradores e o fomentar a sua divulgação nas redes sociais é outra prática que iremos lançar no muito curto prazo e que trará uma nova dinâmica à Comunicação Interna, trazendo novas perspectivas e indo ao encontro do que os colaboradores procuram saber, conhecer e partilhar sobre a actividade da empresa.

 

Como descreve o clima organizacional da Altice Portugal?
Tal como referido nas questões anteriores, a Gestão de Recursos Humanos e a Comunicação Interna têm tido uma forte preocupação para criar condições para um clima organizacional saudável.

Muitas iniciativas têm sido dinamizadas com este propósito, algumas delas identificadas nas diversas questões colocadas, e o feedback que temos tido é muito positivo.

Claro que em grandes organizações, como é o caso da Altice Portugal, alguns projectos e medidas implementados podem conduzir a momentos de maior agitação dos colaboradores, mas a abertura com que a equipa de gestão, ao mais alto nível, tem dialogado com estruturas re- presentantes dos colaboradores e comunicado com todos os colaboradores, tem demonstrado que o diálogo, a proximidade e transparência têm sido factores fundamentais para alicerçar a confiança e o ambiente saudável que todos desejamos.

 

Com as organizações de futuro lideradas por millennials, caracterizados muitas vezes por tempos de permanência curtos nas empresas, que novas formas de Comunicação Interna poderão servir o objectivo de retenção de talento?
Os millennials privilegiam o bem-estar, a flexibilidade e os desafios permanentes, factores que se alteraram face às gerações anteriores.

Preferem um ambiente de trabalho flexível que lhes permita uma melhor conciliação com a sua vida pessoal, preferem assumir funções cujo impacto seja importante e que lhes permita aprender e evoluir, tendo uma voz activa na construção de projectos. A preocupação com a evolução de carreira, tal como existia, muda com estas novas gerações. A comunicação interna e todo o modelo de gestão de recursos humanos tem, portanto, que se adaptar a estas novas prioridades: mais do que transmitir a estratégia da empresa, tem de explicar por que essa estratégia é seguida e qual o propósito da mesma. E porque o propósito deve ser partilhado, deve permitir que os colaboradores questionem, critiquem e contribuam de forma activa utilizando mecanismos de comunicação que vão ao encontro deste objectivo.

 

Será este um dos maiores desafios que se colocam à Comunicação Interna? Que outros assinala?
A comunicação com os millenials, com todas as diferenças que apresentam face às gerações mais antigas na empresa, é sem dúvida um grande desafio. Teremos de assegurar uma comunicação segmentada e adaptada a todos, mas garantindo em simultâneo que é una.

Considero, no entanto, que o maior desafio será a agilidade e adaptação constante das iniciativas de Comunicação In- terna ao contexto que se apresenta volátil, incerto, complexo e ambíguo. Este contexto VUCA exige agilidade e dinamismo no desenvolvimento de novos processos internos, e a Comunicação Interna terá de acompanhar estas alterações, e garantir que todos os colaboradores as entendem e incorporam.

 

Na sua opinião como será a Comunicação Interna na Altice daqui a 10 anos?
Traçar cenários a 10 anos nos tempos de hoje é um verdadeiro desafio. No entanto, há um aspecto que posso assegurar: a estratégia de Comunicação Interna continuará a estar fortemente associada à estratégia da empresa. Mas, natural- mente, a execução dessa estratégia irá sendo alterada. Em 10 anos, teremos mensagens segmentadas por colaborador. Saberemos o que é importante para cada um, e adaptaremos as nossas mensagens em função disso. Em 10 anos não teremos mais a equipa de Comunicação Interna como exclusiva produtora de conteúdos. A sua principal função será a de mediar e extrair o essencial de toda a informação que é gerada pelos colaboradores. Em 10 anos, não caberá à Comunicação Interna decidir quais os meios de comunicação a usar para cada tipo de mensagem. Serão os colaboradores a definir quais os meios que privilegiam para cada tipo de mensagem. Estes são alguns exemplos do que poderá mudar.

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