Altice Portugal: De olhos postos na transformação organizacional

Os desafios da equipa de desenvolvimento e formação da Altice Portugal visa não só dotar os seus colaboradores das competências que os preparem para o futuro, mas também promover a transformação da própria empresa, assegurando assim o seu sucesso.

 

A estratégia de desenvolvimento e formação de pessoas da Altice Portugal assenta em oito pilares, que a empresa considera essenciais para sustentar o objectivo de dotar os seus colaboradores das competências que os preparem para os ciclos de transformação futuros. «Contudo – ressalva Graça Rebocho, directora de Recursos Humanos da Altice Portugal –, não se trata, exclusivamente, de transformação digital, Indústria 4.0 ou outros conceitos agora na moda. Trata-se, igualmente, da transformação da própria organização, das suas estruturas, dinâmicas de trabalho e da forma de as pessoas se relacionarem.»

Neste sentido, a Altice foca especial atenção em formações comportamentais, técnicas e certificações, que permitam operar e garantir os vários segmentos do negócio de hoje, e o que perspectiva ao nível estratégico no futuro.

Ao mesmo tempo, essa estratégia encontra-se alinhada com os objectivos de negócio e, de forma a responder à constante evolução tecnológica e aos desafios do mercado, pretende assegurar a aquisição e actualização dos conhecimentos e competências dos colaboradores, através de percursos formativos customizados e inovadores, num processo de aprendizagem contínua.

Graça Rebocho faz notar que esta estratégia, enquanto política de Recursos Humanos, «assenta em oito pilares estratégicos, edificados em metodologias e programas diversificados e diferenciadores que, em conjunto, visam abranger as várias competências dos colaboradores, sejam elas de gestão, técnicas ou comportamentais, sejam elas mais hard ou soft: Formação Avançada; Conferências & Seminários; E-learning & Gamification; Formação Corporativa; Certificações & Normativos; Liderança; Formação Técnica e SKILL (Programas Customizados de Desenvolvimento de Competências).»

 

Tecnologia e inovação
A tecnologia, associada à inovação e à criatividade, é parte integrante do ADN da Altice Portugal, pelo que, independentemente do canal de desenvolvimento e formação dos colaboradores, há uma aposta clara na metodologia, experiencial e disruptiva, capaz de ultrapassar os limites da formação tradicional. «Nesta procura continuada da ligação e envolvimento do formando com a acção formativa, facilmente recorremos à tecnologia disponível, internamente ou no mercado», diz a responsável. Exemplo desta convergência é o E-learning “cultura de serviço”, made in direcção de Recursos Humanos, como resposta ao foco estratégico da Altice Portugal na Qualidade de Serviço ao Cliente, em que a equipa de engenharia de multimédia e audiovisuais programa, gamifica e anima os diferentes conteúdos de comunicação, feedback ou NPS [Net Promoter Score] que se pretendem mobilizadores de toda a organização.

Uma das metodologias mais inovadoras e distintivas é o GameIT, no pilar estratégico de “E-learning e Gamification” em resposta à própria transição digital, que é uma plataforma mobile de gamificação baseada na utilização de mecânicas e técnicas de jogo, aplicadas à formação em meio empresarial.

Na visão de Graça Rebocho, a metodologia de gamificação estimula a participação e envolvimento dos e entre os utilizadores da plataforma, através da conjugação de diferentes variáveis, tais como regras, metas (que incitam ao trabalho por objectivos), desafios, feedback instantâneo, conquistas, recompensas e prémios, entre outras. «Indubitavelmente, esta dinâmica tecnológica acaba por desenvolver valores como a curiosidade, a persistência, a determinação, o foco e o optimismo», partilha, revelando que a plataforma já permitiu a cerca de mil colaboradores “jogar” quatro conteúdos formativos, nomeadamente Comunicação, Orientação para o Cliente, Gestão do Tempo e Prioridades, e Tomada de Decisão. O feedback dos colaboradores, relativamente aos programas SKILL, tem sido muito positivo e transformador. Na opinião da directora de Recursos Humanos isso deve-se ao facto de serem programas inteiramente customizados, de acordo com as necessidades de desenvolvimento de competências específicas (comportamentais e/ou técnicas), e totalmente conceptualizados em parceria com as direcções de clientes. «Mais do que um programa inhouse, o SKILL é uma metodologia de desenvolvimento e formação do colaborador, que se vem assumindo como uma mais-valia na actual estratégia. Por um lado, porque não há dois programas iguais, por outro, porque os consultores Recursos Humanos aportam um conhecimento aprofundado do negócio, uma linguagem comum e familiar e, até, uma eventual relação facilitadora com os colegas.»

 

Altice Labs
A Altice Labs mantém uma ligação activa ao sistema científico e tecnológico português por via do relacionamento que tem com as universidades, politécnicos e outras entidades do sistema nacional de I&I (Investigação e Inovação). No que se refere à colaboração com instituições de I&I, a partilha do conhecimento que resulta destas actividades potencia e facilita o intercâmbio de investigadores, abrindo novos horizontes à exploração de novas ideias, num contexto que transcende, muitas vezes, a própria empresa. Têm sido realizados projectos de investigação aplicada em parceria com diversas universidades, politécnicos e institutos de I&I, entre os quais se destacam, as Universidades de Trás-os-Montes e Alto Douro, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Lisboa (Técnico e NOVA), Évora, Faro e Madeira, Institutos como o IT de Aveiro, o IPN ou o INESC-TEC, mantendo uma relação muito próxima com muitos dos politécnicos portugueses, nomeadamente Bragança, Porto, Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Guarda, Tomar e Portalegre. Graça Rebocho salienta que esta colaboração é consubstanciada em projectos colaborativos de interesse comum, tendo por base o financiamento directo da Altice Labs ao projecto ou o recurso aos programas nacionais de financiamento à I&I, nomeadamente o P2020 e o H2020. Na relação com as referidas entidades de I&I, destaca-se ainda a colaboração em seminários lectivos, workshops, visitas de alunos e patrocínio directo a projectos de licenciatura e mestrado.

Em alguns casos, esta colaboração é aprofundada com a criação de espaços partilhados Altice Labs – instituição de I&I, o conceito AlticeLabs@Universidade, que permite uma proximidade ainda maior entre equipas e uma grande facilidade no estabelecimento de projectos de licenciatura e mestrado com os alunos dessas instituições.

«De distinguir também a relação privilegiada com o polo do Instituto de Telecomunicações que foi cocriado pelaUniversidade de Aveiro e pela Altice Labs e com o qual esta mantém uma relação de colaboração permanente», destaca a responsável, evidenciado ainda «o conceituado AIIA – Altice International Inovattion Award, através do qual se premeiam as melhores ideias vindas de projectos de doutoramento ou de startups, o que contribui, significativamente, para reforçar a proximidade entre a Altice Labs e a comunidade científica».

Esta ligação universidade/empresa é fundamental na estratégia de Gestão de Inovação na Altice Portugal. Nesta estratégia, um dos pilares fundamentais gira em torno das iniciativas que se possam realizar no âmbito da tecnologia. Isso concretiza-se, além de outras acções, nesta ligação com o meio académico, em que se garante uma investigação mais aprofundada, que não se faz só na Altice Labs, mas também através da entrada de “sangue novo” todos os anos, com a proposta de projectos de investigação aos melhores alunos de cursos e universidades portuguesas.

A directora de Recursos Humanos da Altice Portugal acredita que é «uma relação win-win, pois a proximidade com as universidades e politécnicos permite à Altice Labs ter acesso ao conhecimento mais recente e aos alunos mais qualificados, mas permite também às entidades de I&I concorrerem a projectos colaborativos, que só são possíveis em copromoção com empresas, as quais devem mesmo liderar os consórcios, como acaba por fazer a Altice Labs em muitas situações».

 

Formação versus COVID-19
No contexto actual, que continua a recomendar distanciamento físico, limitando assim a formação presencial, a prioridade do desenvolvimento e formação na Altice Portugal está agora mais centrada em soluções de Virtual Training, em que «é possível obter a mesma eficácia de uma formação prática e orientada para resultados, mas sem sair de casa, garantindo que a aquisição de competências é de todos e para todos, e abrangendo o universo de colaboradores espalhados geograficamente. Pretende-se que a conformidade na qualidade da formação continue diferenciadora e possa contribuir para o desenvolvimento pessoal e para a aquisição de novas competências dos colaboradores Altice», afirma Graça Rebocho.

A maior transformação a que assistimos no mundo de trabalho nos últimos tempos foi, sem dúvida, a nova realidade do teletrabalho e, consequentemente, a ausência física do colaborador na empresa. Desta forma, o e-Learning, como modelo de aprendizagem não presencial, em que a falta da presença física é compensada com o recurso às novas tecnologias para acesso a conteúdos disponibilizados online, ganha outra relevância relativamente ao passado. «Desta forma, o acesso ao conhecimento até se tornou mais ágil, fácil e imediato, encontrando-se disponível a qualquer hora e a partir de qualquer lugar», sublinha a responsável, referindo que a «aquisição de novas competências, baseada em diferentes tecnologias, nomeadamente a metodologia b-Learning, permite criar grupos virtuais, com chats e fóruns, o que incentiva a partilha de conhecimento e vivências entre colegas e promove a diversidade de opiniões entre os vários formandos.»

Contudo, Graça Rebocho considera que será necessário um maior investimento, «quer da parte da Altice, quer dos parceiros externos ou instituições de ensino, na adequação dos conteúdos às plataformas de e-Learning, não só em termos de produção gráfica, áudio e visual, mas, essencialmente, na entrega de capacidade pedagógica na humanização do conteúdo».

Mais: «O mundo de hoje é cada vez mais digital. Os clientes têm um estilo de vida digital e devemos, por isso, proporcionar-lhes uma experiência digital, pelo que não basta implementar novas tecnologias. Para que a transformação digital se concretize, devemos, nós próprios, individualmente e como equipa, pensar, agir e implementar de forma digital.»

Desta forma, «os desafios da equipa de desenvolvimento e formação têm como objectivo catalisar a mudança da cultura organizacional, informando sobre os métodos e tecnologias que suportam essa mudança, factor crucial para o sucesso da transformação digital da organização que lhe permitirá estender esse sucesso aos seus clientes. E, naturalmente, o maior desafio nesta mudança de cultura organizacional tem de passar pela liderança», conclui Graça Rebocho.

 

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Formação”, publicado na edição de Junho (n.º 114) da Human Resources, nas bancas.

 

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