Ana Cardeira, directora de Recursos Humanos da Quinta do Lago, destaca que «o maior diferenciador competitivo não será a ferramenta mais avançada, mas a humanidade com que escolhemos preparar quem a utiliza.»
«Em resposta ao 63.º Barómetro Human Resources, a esmagadora maioria dos inquiridos acredita numa mudança profunda do trabalho no médio prazo, mas internamente as empresas admitem que essa evolução será lenta, parcial ou estruturalmente limitada. Esta lacuna entre visão e execução deve ser encarada como um risco competitivo.
Numa perspectiva estratégica, a capacidade futura das organizações dependerá menos da tecnologia que adoptam e mais da maturidade das suas pessoas para operá-la. No entanto, 83% das lideranças não estão preparadas ou necessitam de actualizar competências para lidar com o novo contexto, e as equipas apresentam níveis de competências digitais apenas moderados ou insuficientes. Num ambiente marcado pela expansão da inteligência artificial, pela aceleração da requalificação e pela crescente automação, este défice de preparação é um ponto crítico de vulnerabilidade.
A resposta estratégica começa, acima de tudo, por reconhecer que as pessoas são o motor da transformação. Preparar o futuro implica cuidar das lideranças de forma diferente, apoiando na sua própria adaptação, dar-lhes espaço para aprender, errar e reaprender, e criar ambientes onde se sintam seguras para conduzir mudança num mundo que também as desafia. A requalificação contínua deixa de ser um imperativo apenas técnico e torna-se um compromisso com a dignidade profissional de cada colaborador, assegurando que ninguém fica para trás numa economia que evolui mais depressa do que o conforto humano permite.
Da mesma forma, elevar as competências digitais e cognitivas das equipas não é apenas uma agenda de produtividade, mas sim uma forma de lhes dar autonomia, confiança e futuro. Quando uma organização investe verdadeiramente no crescimento das pessoas, ganha um colectivo capaz de se unir, de aprender em conjunto e de transformar os desafios em oportunidade. No final, serão sempre as pessoas que definirão se uma empresa se adapta ou se fica presa ao passado. O maior diferenciador competitivo não será a ferramenta mais avançada, mas a humanidade com que escolhemos preparar quem a utiliza.»
Este testemunho foi publicado na edição de Fevereiro (nº. 182) da Human Resources, no âmbito do seu LXIII Barómetro.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital












































































































































































































