Ana Cardeira, Quinta do Lago: Quando a lei acompanha o ritmo do mercado

No seu comentário à LXIV edição do Barómetro Human Resources, Ana Cardeira, directora de Recursos Humanos da Quinta do Lago, afirma que «um mercado laboral moderno exige flexibilidade, dinamismo e capacidade de mobilizar talento onde ele é mais valioso. A lei deve acompanhar essa evolução, não condicioná-la».

Human Resources
15 de Maio 2026 | 13:20

«Numa actualidade em que se discute a eliminação da limitação na legislação laboral ao recurso do outsourcing, cabe-nos reflectir enquanto “operários” da realidade laboral do impacto real da medida.

De acordo com o Barómetro, 91% das organizações já recorrem ao outsourcing, seja regularmente (42%) ou pontualmente (49%). E fazem-no não apenas por custos (que surgem apenas para 23%), mas sobretudo por flexibilidade operacional (70%), acesso a competências especializadas (58%) e foco no core business (21%). Por outro lado, IT, Facilities, Contact Centers e Operações Administrativas são áreas onde as organizações já externalizam para garantir agilidade e qualidade. Ou seja, uma ferramenta de eficiência, flexibilidade e acesso a competências e não um instrumento de precarização.

Num contexto de transformação digital, escassez de talento e necessidade de resposta rápida ao mercado, impor barreiras rígidas à reorganização interna limita a competitividade das empresas portuguesas. Portugal compete hoje por investimento, projectos e talento num mercado global. Legislações demasiado rígidas tendem a empurrar o investimento para fora do país, não por falta de mão-de-obra, mas por ausência de flexibilidade organizacional.

Cabe aos RH assegurar governação, transparência e alinhamento estratégico, criando mecanismos transparentes de gestão e controlo, assentes numa cultura de ética e maturidade organizacional, não devendo o legislador bloquear instrumentos de eficiência por receio de abusos residuais.

Um mercado laboral moderno exige flexibilidade, dinamismo e capacidade de mobilizar talento onde ele é mais valioso. A lei deve acompanhar essa evolução, não condicioná-la.»

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Este testemunho foi publicado na edição de Abril (nº. 184) da Human Resources, no âmbito do seu LXIV Barómetro.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital

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