Ana Gama Marques, MEO. Pessoas, competências e IA: adaptar à velocidade da mudança

O grande desafio de Gestão de Pessoas em 2026 será garantir a capacidade de adaptação num contexto de transformação acelerada. Leia o artigo de Ana Gama Marques, directora de Pessoas e Organização da MEO.

Human Resources
12 de Maio 2026 | 10:10

Por Ana Gama Marques, directora de Pessoas e Organização da MEO

 

A convergência entre digitalização, inteligência artificial generativa e novas expectativas dos colaboradores exige uma resposta ágil e estratégica. Por um lado, a evolução tecnológica obriga à requalificação rápida e à criação de modelos de mobilidade interna que assegurem competências críticas para áreas como inteligência artificial (IA), cloud, segurança e dados. Por outro, a escassez de talento especializado e a pressão por experiências personalizadas e propósito reforçam a necessidade de políticas transparentes, programas de bem-estar integrados e estratégias de retenção eficazes.

Este desafio não é apenas tecnológico, é cultural e humano. A capacidade de alinhar pessoas, competências e propósito à velocidade da mudança será determinante para a sustentabilidade do negócio.

A tendência para a qual empresas e profissionais estão menos preparados é a integração plena da IA nos processos de trabalho e na gestão de pessoas. Apesar de já ser uma realidade, a maioria das organizações ainda não definiu políticas claras para uso responsável, nem desenvolveu competêcias para tirar partido da IA de forma ética e eficaz.

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Isto implica não só tecnologia, mas também uma mudança cultural profunda: novos modelos de decisão, requalificação acelerada e gestão de riscos (privacidade, segurança, viés). A falta de preparação traduz-se em vulnerabilidade competitiva.

Em 2026, quem não conseguir alinhar pessoas, processo e tecnologia ficará atrás na corrida pela eficiência e pela experiência do colaborador. Duas acções prioritárias para 2026 no âmbito da Gestão de Pessoas são:

1. Requalificação e mobilidade interna acelerada, através de academias digitais e marketplaces de competências, garantindo perfis críticos para a transformação tecnológica;

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2. Integração da IA nos processos de Recursos Humanos com governança ética, assegurando eficiência, segurança e preparação cultural para novos modelos de trabalho.

 

Estas acções são fundamentais para alinhar pessoas, competências e propósito, garantindo competitividade e sustentabilidade do negócio. Em 2030, a grande diferença no mundo do trabalho será a predominância de modelos baseados em competências e não em funções fixas. As organizações vão operar em ecossistemas mais fluidos, onde a mobilidade interna e externa será constante, e os colaboradores serão valorizados pelo portefólio de skills e pela capacidade de aprender rapidamente, mais do que pelo cargo que ocupam. A IA estará integrada em praticamente todos os processos, tornando inevitável a colaboração homem-máquina e exigindo novas competências digitais e éticas. O trabalho será híbrido por natureza, com fronteiras cada vez mais ténues entre físico e virtual, e a experiência do colaborador será hiperpersonalizada, orientada por dados e propósito.

Em suma, o futuro será marcado por agilidade, aprendizagem contínua e uma relação de trabalho muito mais dinâmica e centrada no valor que cada pessoa gera.

 

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Este artigo foi publicado na edição de Abril (nº. 184) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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