Ana Herrero, directora de Recursos Humanos do Leroy Merlin Portugal, afirma que «não vão faltar pessoas, mas sim as competências certas, para as novas formas de trabalhar! Isto aponta para uma necessidade crescente de programas de reskilling e upskilling e de um plano de gestão da mudança focado e assertivo».
«Talento e inteligência artificial (IA) formam o ‘núcleo duro’ da agenda para 2026! As previsões macroeconómicas para o próximo ano apontam para um crescimento moderado, acompanhadas por manutenção ou ligeiro aumento do emprego. Parece que o foco não está em crescer via contratação, mas em assegurar a estabilidade e resultados por via de uma maior pressão sobre a produtividade e eficiência. Optimização de processos, automação, AI e ferramentas lean irão afirmar o seu espaço na gestão das empresas.
Mesmo sem crescimento agressivo, a luta pelo talento intensifica-se, possivelmente porque a oferta de talento é insuficiente para as competências do futuro, o que coincide com a preocupação crescente com a automação e AI, com uma narrativa pessimista sobre a potencial destruição de emprego, mais do que uma perspectiva positiva de uma ferramenta que vai aumentar a capacidade humana.
Uma hipótese viável é que não vão faltar pessoas, mas sim as competências certas, para as novas formas de trabalhar! Isto aponta para uma necessidade crescente de programas de reskilling e upskilling e de um plano de gestão da mudança focado e assertivo. Mantendo-se a luta pelas competências mais críticas e diferenciadoras e a importância de assegurar a sua estabilidade nas empresas, a tendência para a manutenção e aumento da rotatividade mantém-se como uma ameaça e sendo o tema de condições salariais o principal motivo de saída, os aumentos previstos ligeiramente acima da inflação podem não ser suficientes.
Acredito que a tendência de crescimento do salário mínimo nacional vá gerar uma maior pressão sobre os salários médios provocando achatamento entre os extremos. A resposta aos aumentos por decreto na maioria das empresas, sobretudo as de mão-de-obra mais intensiva e indiferenciada, será reduzir o valor disponível para a meritocracia e, logo, ficar com menos argumentos de retenção para missões e/ou talento muitas vezes críticos para o seu funcionamento.
Neste cenário de desafios e alguns paradoxos que se avizinha, o papel das lideranças será fundamental para ajudar a definir o rumo e apoiar as equipas nesse caminho de mudança, promovendo o desenvolvimento interno das competências, assegurando a proximidade e reforçando a confiança, tudo elementos fundamentais para reduzir a percepção de stress e riscos psicossociais, também uma tendência que se afirma não só nas empresas mas na sociedade em geral. Para isso, também as chefias têm de ser preparadas e cuidadas, com foco numa liderança regenerativa, que vai muito além de minimizar danos, para renovar, restaurar e ampliar a capacidade das pessoas e das empresas.
Posto tudo isto, mais um ano cheio de oportunidades para os profissionais de Recursos Humanos se posicionarem e afirmarem como parceiros de negócio e das equipas, potenciando valor humano, económico e ambiental.»
Este testemunho foi publicado na edição de de Dezembro (nº. 180) da Human Resources, no âmbito do seu LXII Barómetro.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.














