Ana Porfírio, Jaba Recordati: «Expectativas de alteração do paradigma de trabalho no pós-pandemia parecem-me carregadas de desejabilidade social e wishful thinking»

Human Resources
8 de Março 2021 | 12:27

Sobre os resultados do XXXIV Barómetro Human Resources, Ana Porfírio, directora de Recursos Humanos da Jaba Recordati faz notar que «os resultados que apontam para que 67% das empresas em Portugal irão alterar o paradigma de trabalho no pós-pandemia implementando novas práticas e organização do trabalho em detrimento do presencial, parecem-me carregados de desejabilidade social e wishful thinking». Leia o seu testemunho.

 

«Os resultados do Barómetro são os expectáveis, numa altura onde a gestão se faz “à vista” e com ajustes e re-ajustes quase diários. Sobre as questões 1 e 2, os Recursos Humanos terão cada vez mais de se aproximar do negócio como parceiro estratégico, uma vez que o seu papel, hoje talvez mais do que nunca, deverá ser instrumental nas alterações e ajustes necessários a esta realidade que agora vivemos.

No entanto, os resultados da questão 8, com alterações muito significativas nos modelos de trabalho apontando a gestão de projecto com um aumento perto dos 70% e a “uberização” acima dos 35%, assim como da questão 9, onde 50% dos respondentes acreditam que a maioria das empresas em Portugal terão 30% ou mais dos seus trabalhadores em teletrabalho, e da questão 10, com resultados que apontam para que 67% das empresas em Portugal irão alterar o paradigma de trabalho na pós-pandemia implementando novas práticas e organização do trabalho em detrimento do presencial, parece-me carregado de desejabilidade social e wishful thinking, retirando, naturalmente, sectores que, pela sua natureza, são já hoje, como eram no passado pré-pandemia, completamente híbridos nos seus modelos de trabalho.

Concordo naturalmente que aquilo que todos estamos a ganhar em progressão tecnológica e digital forçada, integração de diferentes modelos de trabalho, etc., quando funcionam para a organização, deverão ser mantidos e integrados numa melhor forma de trabalhar e produzir resultados. Fico, no entanto, com a sensação de que em muitas organizações estas alterações são o “mal menor” e necessário neste contexto que vivemos, mas que quando se caminhar para uma estabilização da pandemia pretendem que tudo volte ao “normal”.

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Veremos.»

 

Este testemunho foi publicado na edição de Fevereiro (nº. 122)  da Human Resources, no âmbito da XXXIV edição do seu Barómetro.

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