A Randstad Portugal divulgou a sua análise mensal ao mercado de trabalho, baseada em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e da Segurança Social, relativos a Setembro de 2025.
Em Setembro, o emprego aumentou 0,2% face a Agosto, o que corresponde a mais 9.400 pessoas empregadas. A população activa também cresceu 0,3% (+13.700 pessoas), totalizando 5,62 milhões de pessoas e a bater recordes de décadas.
Em termos homólogos, a tendência é ainda mais expressiva: há mais 183.000 pessoas empregadas do que em Setembro de 2024 (+3,6%) e mais 164.600 pessoas activas (+3%). Este crescimento reflecte o dinamismo do mercado de trabalho, com o aumento do emprego a superar a redução do desemprego.
A taxa de desemprego situou-se em 6%, valor superior ao de Agosto (+0,1 p.p. mensal) mas inferior em 0,5 p.p. face ao ano anterior. Em Setembro, havia 337.200 pessoas desempregadas, menos 18.500 do que há um ano.
O aumento mensal do desemprego verificou-se, contudo, apenas entre as mulheres e os adultos (25-74 anos):
- Entre as mulheres, o desemprego subiu 7% (+12.000 pessoas).
- Entre os homens, caiu 4,8% (-7.700 pessoas).
- Por idades, o desemprego aumentou 2,8% entre os adultos (+7.200 pessoas) e caiu 4% entre os jovens (-2.900 pessoas).
Remunerações médias declaradas à Segurança Social caíram 8,7% em Agosto
Analisando os dados divulgados pelos Centros de Emprego Nacionais (IEFP), o número de desempregados registados aumentou 0,3% (+962 pessoas), para 302.600, e os pedidos de emprego subiram 0,7% (+3.179). O desemprego registado aumentou apenas nos homens (+1.009), enquanto nas mulheres houve uma ligeira queda (-47).
Em termos homólogos, observou-se uma diminuição de 2,6% no desemprego registado (-8.149 pessoas) e menos 10.551 pedidos de emprego (-2,4%).
As remunerações médias declaradas à Segurança Social, em Agosto, fixaram-se em 1.568,97€, o que representa uma queda mensal de 8,7%, mas um aumento de 4,9% face a Agosto de 2024.
Taxa de subutilização do trabalho cai para metade em dez anos
A subutilização do trabalho, indicador que mede situações em que as pessoas estão a trabalhar menos do que gostariam ou não usam plenamente as suas competências, atingiu em Setembro o valor historicamente baixo de 10,2%.
Actualmente, 585,3 mil pessoas estão nesta condição, número que inclui 337,2 mil desempregados, 118 mil trabalhadores a tempo parcial que desejam mais horas, 31,8 mil inactivos à procura de emprego, mas indisponíveis e 98,3 mil inactivos disponíveis mas que não procuram trabalho.
Há dez anos, a taxa era de 22% da população activa alargada (1,16 milhões de pessoas). A queda para menos de metade reflecte a melhoria das condições do mercado de trabalho, o crescimento económico e políticas mais eficazes.
A tendência é de redução contínua, aproximando o país de uma situação de pleno emprego — em que todos os que querem e podem trabalhar encontram um posto. Mesmo assim, persiste um desajuste entre as competências disponíveis e as necessidades das empresas, o chamado desemprego estrutural, que tende a manter-se independentemente das fases do ciclo económico.
«A trajectória de descida da taxa de subutilização do trabalho é uma notícia positiva, uma vez que mostra que o mercado de trabalho está mais dinâmico e inclusivo, aproximando Portugal de uma situação de pleno emprego. Ainda assim, persiste um desajuste entre as competências disponíveis e as necessidades das empresas. Este desemprego estrutural tende a manter-se mesmo em fases de crescimento, o que reforça a importância de políticas de qualificação e reconversão profissional que acompanhem a transformação do mercado de trabalho», sublinha Isabel Roseiro, directora de Marketing da Randstad Portugal.













