Angola quer atrair investidores e parceiros em Portugal

Flávia Brito
30 de Setembro 2016 | 10:55

No seminário “Investimento estrangeiro em Angola”, organizado pela Porto Business School, membros do governo angolano reconheceram importância do apoio de empresas portuguesas no desenvolvimento do país, através da criação de emprego e da qualificação dos profissionais.

 
Fernando Teixeira dos Santos, ex-ministro das Finanças e presidente-executivo do banco luso-angolano BIC Portugal, moderou a sessão que contou com a participação de Cândido Pereira Van-Dúnem, ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, e de Isaac Francisco Maria dos Anjos, governador da Província de Benguela.

«A diversificação da Economia é a solução mais urgente para que, no futuro, não sejam tão evidentes os efeitos da crise provocada pela subida do preço do petróleo. O caminho passa por aproveitar as potencialidades ‒ apostar noutras indústrias, utilizar os recursos naturais, qualificar os cidadãos ‒ e transformar as riquezas do país em produtos de exportação. Precisamos, hoje, de parceiros estratégicos que nos ajudem na expertise e know-how na forma como vamos desenvolver a nova era de crescimento de Angola”, comentou Cândido Pereira Van-Dúnem, resumindo aquela que foi uma das principais conclusões lançadas no seminário da Porto Business School.

O ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria de Angola realçou ainda a importância de integrar todos os cidadãos na reorganização económica e social do país: «Angola conta com cerca de 25 milhões de habitantes, dos quais 800 mil são cidadãos e familiares de antigos combatentes. Por isso mesmo, temos uma oportunidade de integrar estes recursos humanos, numa perspectiva de economia de mercado mais global. A presença de empresas e do know-how português tem sido uma parte fundamental para este projecto. Queremos, por isso, reforçar a ligação, estreitar as parcerias e confiar na presença portuguesa no país.»

Seguiu-se a intervenção de Isaac Francisco Maria dos Anjos, que apresentou aos participantes os projectos económico-sociais “Cidade do Sal” e “Benguela Costa Nova”, cujo objectivo é repensar a estratégia de crescimento da região. «Queremos criar zonas de produção de alta qualidade e de todo o tipo de produtos, que possam ser exportados para as grandes potências mundiais. Temos, por isso, previstos vários projectos, nomeadamente uma auto-estrada Benguela-Lobito, a requalificação urbana do Lobito ‒ que deixa de ser o espaço para a indústria ‒ o loteamento industrial da Catumbela, a aposta em opções turistas e atractivas para a região, e a criação de uma zona de expansão económica do Cubal, através de um pólo industrial, com serviços e habitações», esclareceu.

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O seminário contou igualmente com a participação e testemunho de Carlos Palhares, antigo aluno da escola de negócios do Porto e chief executive officer (CEO) da Mecwide, uma empresa portuguesa que actua na área da metalomecânica e que passou pelo processo de internacionalizar até Angola. Entre as principais dificuldades, o gestor apontou os custos de operação e contexto – nomeadamente em Luanda -, os recursos humanos – como a falta de preparação dos locais e as condições de envio de expatriados -, a incerteza legislativa, o valor do investimento e as dívidas.

Fernando Teixeira dos Santos encerrou a sessão destacando as principais conclusões sobre o futuro do investimento estrangeiro em Angola e as relações com Portugal: «Há vários anos que ouvimos os empresários portugueses a falar das dificuldades e das derrotas quando procuram levar os negócios para Angola. Mas não desistem e é esse factor que é distintivo nas relações entre Portugal e Angola. Os portugueses podem ter um papel relevante no desenvolvimento do país, especialmente na qualificação e formação dos recursos humanos locais, aos vários níveis, desde a gestão até à produção nas indústrias”, defendeu.

Desde 2014 que Angola vive uma crise financeira provocada pela dependência das exportações de petróleo. O programa em curso, promovido pelo Governo, prevê a diversificação das exportações e importações, numa aposta em novos sectores de actividade, novas parcerias comerciais e investimento no desenvolvimento do país.

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