Apenas 1 em cada 5 portugueses está a planear a sua reforma

Esta é uma das principais conclusões do novo estudo desenvolvido pela ConsumerChoice sobre o envelhecimento da população em Portugal. Conheça as restantes.

Margarida Lopes
15 de Setembro 2026 | 08:40
Apenas 1 em cada 5 portugueses está a planear a sua reforma

O aumento da esperança de vida está a levar os consumidores a pensar cada vez mais no futuro, mas a preocupação com a reforma ainda não se traduz numa preparação financeira efectiva. Esta é uma das principais conclusões do novo estudo desenvolvido pela ConsumerChoice sobre o envelhecimento da população em Portugal, que revela que, apesar de 94% dos inquiridos com mais de 45 anos reconhecer o envelhecimento como uma preocupação, apenas 20% dos consumidores em idade activa afirma estar actualmente a preparar-se financeiramente para a reforma, para além das contribuições obrigatórias.

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A percepção de que o sistema público poderá não ser suficiente é generalizada, com 80% dos entrevistados a considerar que a pensão pública não é, nem será, suficiente para assegurar uma boa qualidade de vida durante a reforma. Quando pensam no próprio envelhecimento, a saúde (90%), a segurança financeira (61%) e a autonomia (58%) são identificadas como as principais condições para garantir qualidade de vida numa idade mais avançada.

Os resultados mostram, assim, um paradoxo: os participantes estão preocupados com a forma como vão envelhecer, mas uma grande maioria ainda não está a agir de forma concreta para preparar financeiramente essa fase da vida.

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A dificuldade em passar da preocupação à acção surge num contexto em que os próprios consumidores reconhecem limitações quando o tema é literacia financeira. Numa escala de 1 a 10, os entrevistados classificam o seu nível de conhecimento financeiro em apenas 6,6 valores, reconhecendo que existe margem para melhorar os seus conhecimentos relacionados com poupança, investimento e preparação para a reforma.

Esta falta de confiança pode levar a consequências concretas nas decisões tomadas ao longo da vida. 56% dos inquiridos já tomou uma decisão financeira que posteriormente considerou errada devido à falta de informação ou conhecimento, enquanto 57% admite já ter desistido de investir ou contratar um produto financeiro por não compreender suficientemente o seu funcionamento.

O acesso à informação parece constituir também um desafio. Para 86% dos entrevistados, a informação disponível sobre como preparar financeiramente a reforma não é, na sua totalidade, suficientemente simples e acessível. Na procura por esclarecimento, os bancos e gestores bancários continuam a desempenhar um papel relevante, sendo referidos por 34% dos participantes, seguidos da família e amigos (17%).

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«Viver mais anos exige também preparar mais cedo a forma como queremos viver esses anos. O dado mais revelador deste estudo está na distância entre a preocupação e a acção: 94% dos inquiridos preocupa-se com o envelhecimento, mas apenas 20% está a preparar financeiramente a reforma para além das contribuições obrigatórias. Esta diferença mostra-nos que não basta alertar os consumidores para a importância de poupar. É necessário tornar a informação mais simples e acessível e dar-lhes ferramentas que lhes permitam decidir com maior confiança, protegendo no futuro a sua segurança financeira, autonomia e qualidade de vida», afirma Nassrin Majid, directora-geral da ConsumerChoice.

O estudo revela que a preparação para uma vida mais longa não se resume à capacidade de acumular dinheiro. Compreender quando começar, quanto poupar e que soluções podem ser adequadas a cada perfil torna-se cada vez mais relevante num contexto de maior longevidade.

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Num país onde a população está a envelhecer, a literacia financeira assume, desta forma, um papel determinante na capacidade dos consumidores para anteciparem necessidades futuras e preservarem a sua segurança, autonomia e qualidade de vida durante a reforma.

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